Sustentável
Jornal de Espiritismo nº 100 · Maio 2020Página 192 min
No início de abril mais de metade da população mundial estava em quarentena, diminuindo de forma significativa o caos do trânsito nas grandes cidades, o volume do tráfego aéreo e o funcionamento de parte da indústria nas zonas mais poluidoras do mundo: China, Europa e EUA. Enquanto os países se fechavam em casa e o bulício citadino quase desaparecia, os satélites de observação detetavam uma diminuição significativa da acumulação de ar poluente que é expelido para atmosfera através dos transportes e das centrais a carvão.
Como por magia, o ar voltava a ser saudável. Não é um pormenor: a poluição atmosférica deteriora a saúde pública, sendo responsável, segundo a Organização Mundial da Saúde, por mais de 4 milhões de mortes anualmente. Quem estiver atento e viver numa cidade, não precisaria que um satélite o informe dessa circunstância. Bastaria sair à rua e inspirar com força. O ar estava mais leve e cheirava diferente. Esta melhoria na qualidade do ar nos países em que a poluição atmosférica é mais agressiva é um alívio para as populações desgastadas pelos efeitos devastadores que ela provoca.
Marshall Burke, professor na Universidade de Stanford, acredita que a redução da poluição derivada das medidas para minimizar a pandemia de COVID-19 poderá salvar a vida de 4.000 crianças e 73.000 adultos apenas na China no período de dois meses. No entanto, à medida que as restrições à mobilidade vão sendo levantadas, voltaremos rapidamente ao mesmo ponto em que nos encontrávamos antes da quarentena, inundando o ar com partículas Um alívio momentâneo altamente prejudiciais para a nossa saúde e provocando mortes por poluição.
Marshall Burke, professor na Universidade de Stanford, acredita que a redução da poluição derivada das medidas para minimizar a pandemia de COVID-19 poderá salvar a vida de 4.000 crianças e 73.000 adultos apenas na China no período de dois meses. Esta crise mostrou que afinal é possível abrandar o ritmo em nome de causas maiores. A ciência que não se cansou de alertar para a as ameaças que as pandemias poderiam representar, tendo sido ignorada olimpicamente, é a mesma que procura avisar-nos para as consequências devastadores que as mudanças climáticas já estão a causar.
Até quando vamos fingir que esta realidade que nos está a bater à porta? Por Carlos Miguel foto a rquivo MAIO.JUNHO.
