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Centrais (pág. 11)

Jornal de Espiritismo nº 100 · Maio 2020Página 113 min

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Na linguagem de quem passa na rua, ao dizer que alguém morreu, normalmente crê-se que tudo acabou para essa pessoa: é o vazio. em número os femininos. Em suma, há menor mortalidade de cidadãs vitimadas pelo novo coronavírus, assim como há maior quantidade de inscrições de pessoas do género feminino no curso antes referido e, por fim, são trazidos menos Espíritos desencarnados de perfil feminino pelos amigos espirituais que gerem o fluxo de auxílio em reunião mediúnica de esclarecimento.

É assim decerto porque tendem a ser mais homens desencarnados a necessitar de ajuda do que Espíritos de perfil feminino. O que se poderá pensar a partir destes factos? O sexo dos Espíritos Em «O Livro dos Espíritos», de Allan Kardec, na questão 200, coloca esta indagação: Os Espíritos têm sexo? E a resposta vem assim: «Não como o entendeis, porque os sexos dependem da constituição orgânica. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na afinidade de sentimentos».

Logo a seguir explicam os instrutores espirituais que «são os mesmos Espíritos que animam os homens e as mulheres». Ocorre então o comentário de Kardec: «Os Espíritos encarnam- se homens ou mulheres, porque não têm sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, oferece-lhes provas e deveres especiais e novas ocasiões de adquirir experiências. Aquele que fosse sempre homem, só saberia o que sabem os homens».

Percebe-se com a experiência e a leitura deste livro que a morfologia masculina ou feminina é um cadinho distinto de experiência reencarnatória. Se é claro que essa morfologia se associa temporariamente, em muitos milhares de anos de evolução, à nossa espécie, Homo sapiens, dentro da lei de reprodução, entende- se que na vida espiritual, embora o perispírito (corpo espiritual) tenda a espelhar o módulo mental da experiência reencarnatória recente, essa morfologia não será mais do que o «abat- jour» de um candeeiro cujo elemento essencial é a luz da lâmpada.

Podemos comparar a morfologia sexual ao «abat-jour» e a sexualidade, património inalienável do Espírito, encarnado ou desencarnado, como a luz que a lâmpada gera a fim de servir onde seja colocada a brilhar. Cuidado com o amorfismo Neste contexto, o que se entende por amorfismo? Amorfismo significa «tornar amorfo, inconsequente», no caso em pauta uma «limitação da capacidade vibratória de áreas dinâmicas do corpo espiritual (perispírito), nomeadamente as que estão ligadas às perceções no Plano Espiritual e que dependem sobretudo do influxo mental médio do próprio ser espiritual.

O amorfismo – visto como escassez de espaço próprio para uma mente afetiva, feliz – inibe as usinas sensoriais do corpo espiritual que nos abrem caminhos por que ansiamos, muitas vezes sob véus de esquecimento mais ou menos prolongado», refere o livro «Casos (in)comuns e números curiosos – reuniões mediúnicas», publicado pela FEP. Isso quer dizer que as percepções próprias do corpo espiritual dependem do teor do que pensamos e sentimos no quotidiano.

Transferidos para a vida espiritual sem contarmos, vemo-nos com frequência ali tão vivos quanto antes, mas num estado de transição que pode ser não poucas vezes confuso. A situação agudiza se não tivemos o cuidado de no dia a dia interiorizar sentimentos de paz e alegria, em suma, de bem-estar interior. Isso vai dificultar a capacidade de que disponhamos nessa altura para ver e ouvir quem nos vem dar as boas-vindas. É de esperar que essas pessoas desencarnadas, face às atividades edificantes que lhes recebem a atenção, exteriorizem um corpo espiritual mais diáfano que nós outros, amorfos ou até com sentimentos infelizes, não temos como ver no imediato, nem mesmo às vezes quando esses benfeitores densificam o seu corpo espiritual.

Pode ser interessante é junto destes resultados abrir algum diálogo quando somamos outras fasquias, como a que reporta as inscrições em dois anos de curso básico de espiritismo presencial. Decorre daí que a cultura em que nos inserimos, e talvez até a genética dos indivíduos masculinos, influa no sentido de os inclinar para uma menor exteriorização da afetividade, circunstância inibidora de percepções espirituais mais amplas.

Isso poderá configurar o fator de maior significado para se compreender por que tende a manifestar-se uma maioria de Espíritos de perfil masculino na rotina de serviço de auxílio nas reuniões mediúnicas de esclarecimento. “Sem amor no coração não teremos olhos para a luz”, diz Clarêncio na obra de André Luiz (Espírito) através do médium Francisco Cândido Xavier. Corroborados pela experiência, não acha que isto faz sentido?