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Jornal de Espiritismo nº 100 · Maio 2020Página 104 min

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O Espírito não tem sexo? fotos pixabay Os dicionários elucidam: género é uma palavra que se aplica a um certo conjunto de seres ou objetos que partilham entre si características idênticas. Daí que seja normal falar-se do género masculino e do género feminino, sendo de sublinhar que utilizamos da mesma maneira sexo masculino e sexo feminino. Dentro deste assunto, escuta-se no movimento espírita com frequência, justamente, que o Espírito não tem sexo.

No entanto, todos os que lidam com mediunidade estão habituados a verificar que as tipologias femininas e masculinas têm uma continuidade imperturbável no Plano Espiritual. No Além como aqui na densidade material do solo terrestre os perfis psicológicos de género mantêm-se iguais em cada um(a). Tanto é assim que nas reuniões de esclarecimento através da psicofonia – em que o médium entra em transe e toma a personalidade da entidade espiritual que se vem manifestar – de início quem está ali a ajudar não sabe se está a falar com alguém dentro do perfil masculino ou feminino.

E, se se enganar, não é raro a dada altura ouvir uma altercação mais ou menos enfática, ao tratar-se por exemplo de uma senhora desencarnada que, no diálogo esclarecedor, se pensa inconscientemente, de início com incerteza, ser um homem por estar a manifestar-se num médium masculino: «Estou assim tão mal que te pareço um homem?» ou vice-versa. Dizem isso porque habitualmente não sabem que não os estamos a ver, mas apenas a escutar através do médium.

Na linguagem de quem passa na rua, ao dizer que alguém morreu, normalmente crê-se que tudo acabou para essa pessoa: é o vazio. Na ótica espírita sabe-se que não é assim! A vida é mais complicada do que isso. Não vale entrar em simplismos sob pena de as leis da natureza – que não querem saber do que imaginamos a seu respeito – retirarem ao ser humano os véus da ilusão quando o sincronismo da vida nos transportar para a realidade incontornável da vida espiritual.

Os factos evidenciam que, em certas condições, o fenómeno da continuidade da vida além da morte do corpo material por vezes pode ser bastante bem verificado e as informações de que hoje dispomos por vários meios sobre essa continuidade da vida sucedem-se, abundantes, para quem tiver o bom senso de examinar melhor o tema. O que dizem os gráficos? Comecemos pelos dados do coronavírus COVID-19. Em 26 de março, por exemplo, registavam-se em Portugal 60 mortes: 19 pessoas do sexo feminino e 41 do masculino – desencarnou o dobro dos homens face aos números do género feminino.

Aleatoriamente, noutro dia, em 5 de abril, foram 98 óbitos masculinos para 92 femininos. A maioria tem tido sempre lugar. Se formos comparar na primeira data os dados com outros países, a tendência é evidente, conforme corria na imprensa internacional. Nessa altura, por cada 10 casos de morte de indivíduos do sexo feminino, na Itália, desencarnaram 24 homens, na China 18, na Alemanha 16, no Irão 14, na França 14, na Coreia do Sul 12.

Tudo indica que no final da pandemia esta relação, mais número menos número, deverá dar a prevalência da mortalidade masculina a superar a feminina. Há decerto inúmeras teorias explicativas. Para uns os homens tendem a ter hábitos de higiene mais deficitários face ao sexo feminino, défice igualmente em hábitos saudáveis – por exemplo, álcool e tabaco não ajudam o sistema imunitário –, para outros estas são mais resilientes face ao influxo afetivo da maternidade, com benefícios associados à sua saúde, e outros explicarão os resultados com diversas características celulares e psicossociais.

Podem estar todas as hipóteses certas à sua medida e umas mais que outras. Na presente reflexão não é útil avançar por aí. Pode ser interessante é junto destes resultados abrir algum diálogo quando somamos outras fasquias, como a que reporta as inscrições em dois anos de curso básico de espiritismo presencial. Com acesso aos números da totalidade de inscritos numa associação espírita, logo sem fins lucrativos, da cidade do Porto, relativamente às suas turmas presenciais de curso básico de espiritismo, obtivemos os seguintes dados na faixa das inscrições, feitas sempre sem quaisquer custos da parte de quem se inscreve – em 2018/2019, na turma dos sábados de manhã, houve 15 inscrições sexo feminino para 6 do sexo masculino.

A turma das segundas-feiras à noite contou 22 inscrições do sexo feminino para 10 do sexo masculino. No presente ano, 2019/2020, houve 29 inscrições do sexo feminino para apenas 9 do sexo masculino. Aqui, a turma dos sábados teve 24 inscrições do sexo feminino para 11 do sexo masculino. As pessoas do sexo feminino são maioritariamente interessadas no conhecimento destas áreas. Visto isto, é oportuno adicionar uma terceira série de resultados que se debruça sobre a relação de género nas manifestações mediúnicas, segundo os dados que apontamos regularmente.

Como se apresentarão os resultados obtidos de perfis masculinos e femininos nas reuniões mediúnicas de esclarecimento? Entre 2018 e 2019, numa reunião com dois médiuns psicofónicos, um masculino e outro feminino, registámos entre novembro e fevereiro a manifestação de 37 Espíritos desencarnados em necessidade de perfil masculino para 5 de perfil feminino. Entre março e junho foram ajudados 46 Espíritos desencarnados de perfil masculino para 11 de perfil feminino.

De julho a outubro, atenderam-se 34 Espíritos desencarnados de perfil masculino para 8 de perfil feminino. Verifica-se por isso algo que não constatamos agora pela primeira vez: há um fluxo, quer em médium psicofónico masculino quer em médium psicofónico feminino, em que prevalece a tendência de os Espíritos em dificuldade no Plano Espiritual de perfil masculino superarem O novo coronavírus deu a volta à Terra na viragem do inverno para a primavera e revelou a tendência de devolver ao Plano Espiritual mais pessoas do sexo masculino do que do feminino, segundo os dados colhidos até à redação deste artigo.

É possível comparar esse resultado com outros universos da tradicional balança de género? MAIO.JUNHO.