editorial Aprender mais A primeira vez que, meio desconfiado, abri nos
Jornal de Espiritismo nº 11 · 2005Página 23 min
A primeira vez que, meio desconfiado, abri nos meus 16 anos de idade «O Evangelho Segundo o Espiritismo», o título do texto que saiu foi «A virtude».
Sabia bem em teoria o que isso significava: um elevado modelo ético, a conquista resultante de agir bem no quotidiano...
Mal me dei conta na altura que era essa uma luta milenar com que me defrontava, defronto e defrontarei. Esta será com certeza também a sua história: todos diferentes, todos iguais... Se pensarmos de forma amadurecida, conviremos que até os que gracejam da virtude estão a caminho de a adquirir!
Os que a reconhecem como um valor precioso de aplicação pessoal e intransferível, inobstante as limitações e dificuldades mais variadas no campo pessoal, esses ainda assim enfrentam batalhas sobre batalhas que só se ganham na medida em que se percebe ter no amor, tal
Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta aos seus discípulos:
- Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?
- Gritamos porque perdemos a calma!, disse um deles.
- Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?, questionou novamente o pensador.
- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça!, retrucou outro discípulo. E o mestre volta a perguntar:
- Então não é possível falar-lhe em voz baixa? Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu:
- Sabem por que se grita com uma pessoa quando se está aborrecido? O facto é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, os seus corações afastam-se muito. Para cobrir essa distância, precisam de gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais alto terão de gritar para se ouvirem uma à outra, através de tão grande distância.
Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente. E porquê? Porque os seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos
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como o entendia Jesus, a melhor arma, a fonte de todos os recursos possíveis.
Amor diante de si próprio, das quedas que pedem soerguimento.
Amor perante outrem, aqueles que vestem atitudes aflitas de agressividade ou de maledicência, de perseguição contumaz ou de menosprezo gratuito.
Só o amor dá luz iluminando em primeira mão quem o acende, discretamente, no imo do seu ser.
«Sem amor no coração não teremos olhos para a luz», diz na obra andreluiziana o mentor Clarêncio, se não me falha memória! E assim evidencia uma lei da natureza. De forma simples, exprime que cada um recolhe, mais cedo ou mais tarde, aquilo que arremessa à vida.
E eis o ser humano como agente do seu progresso, desde que o queira. Ninguém é tão
imprestável que não consiga ter um bom pensamento. Quem conseguiria anular em si uma aspiração superior desde que descubra como gizá-la?
Somos herdeiros do Senhor da Vida que é Deus, com a vantagem de desfrutar desde já dos tesouros que herdaremos inevitavelmente: a sabedoria e o amor. Pouco a pouco, passo a passo, a virtude será interiorizada, e só porque ainda não somos seus companheiros em regime de permanência, não há por que desanimar. Os segundos fazem minutos e estes criam horas; estas estruturam dias e estes anos, lançando séculos, erguendo milénios. Nesta vida já estamos melhores do que na(s) anterior(es). Um dia, sem esperarmos, teremos a virtude como a própria sombra. Só temos que dar os primeiros passos; estes ensinam o
caminho aos que os seguirão! Texto: Jorge Gomesjorge je&clix.pt
os seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se q]ham, e basta. Os seus corações entendem-se. E isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.
Por fim, o pensador conclui, dizendo: - Quando discutirem, não deixem que os vossos
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corações se afastem, não digam palavras que vos distanciem mais, pois chegará o dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.
Texto em circulação pela Internet atribuído ao sábio que foi Gandhi. Foto de Ulisses Lopes.
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