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Jornal de Espiritismo nº 11 · 2005Página 204 min

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Recentemente estreado em Portugal, o filme White Noise, realizado por Geoffrey Sax, trata de um tema bem conhecido dos espíritas: a Transcomunicação Instrumental ou TCI, que é a forma de comunicação dos espíritos (desencarnados) com o plano material (encarnados) através de aparelhos electrónicos, como gravadores, rádios, telefones e mesmo televisões computadores.

O nome que foi atribuído ao filme em portuguêsRuídos do Alémcontrasta com o título dado pelos nossos irmãos brasileiros — Vozes do Além, muito mais em consonância com a temática da película.

Do elenco fazem parte Michael Keaton no papel de Jonathan Rivers; Deborah Unger como Sarah Tate e Chandra West como Anna Rivers. O filme conta a história de Jonathan Rivers (Michael Keaton) que, após o desencarne da esposa, devido a um acidente de carro, tomou conhecimento da EVP através de um pesquisador do assunto que o informou de que a sua esposa estava viva no Além, e se comunicava com ele por gravador. Inicialmente céptico, Rivers ouve essas gravações que o pesquisador lhe faculta e começa a fazer as suas próprias experiências. Através da TCI, ele recebe mensagens e descobre que pode impedir que o psicopata que tirou a vida de sua mulher faça novas vítimas. O problema é

de forma fantástica no cinema actual, contando, para isso, com efeitos especiais de luzes e de sons que acabam por ofuscar o conteúdo. Assim, há sempre duas leituras das películas que abordam a temática: a dos que não acreditam e entendem o que vêm como simples filme de terror ou suspense; e a dos que acreditam na comunicabilidade dos espíritos, numa existência de vida para além da morte, enfim nas leis básicas do Espiritismo que Allan Kardec nos legou.

E sempre positiva a divulgação deste assunto, para que as pessoas se habituem a lidar com ele. Foi assim com o “ Sexto Sentido” , “ Para Além do Horizonte”, “O Poder dos Sentidos” e “Os Outros”. Pouco a pouco, a semente vai germinando e dando frutos, a dúvida dá lugar à curiosidade e por fim surge a necessidade de um maior esclarecimento.

Voltando ao filme White NoiseRuídos do Além, é curioso referir que, inquiridos sobre

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que esta prática se torna numa obsessão por algo que a sua mente objectiva de arquitecto não consegue compreender, mas que sabe que é real. Entretanto, Jonathan conhece Sarah (Deborah Kara Unger) que, graças a Raymond, acredita ter sido contactada pelo seu noivo, também ele já desencarnado. Genericamente, os temas voltados para a vida após a morte são ainda muitas vezes retratados

THE LINE SEPARATING THE LIVING FROM THE DEAD HAS BEEN CROSSED.

o que mais os atraiu no roteiro, o director Geoffrey Sax, o actor Michael Keaton e o produtor Paul Brooks deram a mesma resposta: “A ideia de nos podermos comunicar com um ente querido falecido e a questão sobre o que faríamos para ter essa oportunidade, o que arriscaríamos para manter esse contacto é uma ideia fascinante. Acho que 99 em cada 100 pessoas não perderiam a hipótese de passar

30 segundos com alguém que não está mais entre nós. Muitos dariam até um ano da sua vida por isso. Eu também daria!”

De facto, a perda de familiares e amigos é sempre bastante dolorosa e deixa marcas profundas em todos nós. E justamente nesse momento de sofrimento que muitas pessoas são levadas a buscar um alento nas doutrinas espiritualistas. A descrençaeo preconceito de antes dão lugar à necessidade de se acreditar em algo além da vida material. Assim, a TCI, a psicofonia, a psicografia, a vidência e tantos outros meios de comunicação com os desencarnados são para muitos a comprovação de que precisam para recobrar a paz de espírito.

A este propósito, e quase a terminar, do site Folha Espírita, permitimo-nos transcrever o seguinte excerto acerca do filme: “A transitoriedade de tudo o que aparentemente possuímos na nossa vida terrena é um fato irrefutável, já que todos esses bens “pertencem a Deus, que os dispensa à sua vontade, e o homem deles não é senão usufrutuário, o administrador mais ou menos íntegro e inteligente.” (cap. XVI, O Evangelho Segundo o Espiritismo).

Dessa forma, também a transitoriedade dos relacionamentos com aqueles que amamos na Terra deve ser considerada, já que no Plano Espiritual esses mesmos relacionamentos podem ser ainda mais profundos, felizes e com a dimensão da eternidade.

O treino do desapego com as pequenas coisas da vida nos proporciona maior equilíbrio para as grandes provas, dentre as quais uma das mais difíceis é justamente a perda de alguém que amamos. Trata-se de um exercício diário, que só nos traz benefícios. À TCI comprova a continuidade da vida e deve, antes, ajudar-nos a alimentar a fé no futuro do que causar laços de dependência. Esperamos que a ciência e as religiões terrenas possam evoluir o bastante para ajudar o homem a perceber que, além do corpo físico, existe uma força maior, eterna e inquebrantável: o espírito. Iniciativas como a d