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entrevista Divaldo Franco em Portugal No próximo mês de Outubro o conh

Jornal de Espiritismo nº 12 · 2005Página 94 min

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No próximo mês de Outubro o conhecido orador brasileiro Divaldo Pereira Franco estará de novo no nosso país para um novo

ciclo de palestras e seminários.

A doutrina espírita pode ser considerada racista em algum ponto da codificação? Divaldo Pereira Franco — Ninguém mais do que Allan Kardec deu preciosas lições de ausência de preconceito de qualquer natureza, com excepção de Jesus. Por consequência, o Espiritismo não alberga qualquer tipo de privilégio ou de subestima, antes, pelo contrário, ensina a vera fraternidade, a igualdade que deve existir entre todos, apresentando as diferenças existentes, porém, no que se refere aos valores ético-morais e espirituais, às conquistas por cada qual adquiridas.

A aristocracia espiritual, estudada em O Livro dos Espíritos, é de natureza moral, referindose àqueles que alcançaram por esforço próprio patamares evolutivos enobrecedores.

Acredito que, ao tempo de Kardec, em face da escravidão de que padecia a raça negra — como ocorreu com outras raças, que se submeteram ao talante de conquistadores impiedosos e conforme hoje ainda prossegue), nela se reencarnariam espíritos soberbos, perversos, atrasados, a fim de recuperarem o património malbaratado, assim como também espíritos principiantes, atrasados moralmente, em processo de evolução. No entanto, reencarnavam-se e reencarnam-se também espíritos nobres e de elevada magnitude, conforme sucede noutras raças, nas quais tanto se encontram seres elevados como hediondos.

Na raça negra, na ocasião, e talvez hoje, em grandes regiões da África sofredora e esmagada por ditadores insensíveis, o laboratório das reencarnações para ali encaminham os tiranos, aqueles que geraram misérias na humanidade, a fim de que, ao lado de outros, possam reabilitarse, auxiliando o progresso dos seus contemporâneos, todos, afinal, nossos irmãos na lida evolutiva.

O Espiritismo será um grande movimento mundial ou a sociedade irá interiorizar os ensinamentos espíritas (imortalidade, reencarnação, comunicabilidade), adaptando-os ás mais variadas religiões e filosofias?

D. P. F. — Allan Kardec ensina que a sociedade do futuro não será espiritista no sentido lato da palavra. Os indivíduos e as doutrinas religiosas e filosóficas, por força das circunstâncias e dos acontecimentos, dos factos e das necessidades culturais, adoptarão alguns dos postulados espíritas, mantendo, naturalmente, os seus paradigmas e postulados, dando lugar a uma sociedade mais equânime e mais justa. Hernâni Guimarães Andrade preconizou que até 2015 a reencarnação seria anexada à biologia, na sequência de vários estudos

científicos, nomeadamente os de Ian Stevenson, nos EUA. Qual a opinião dos espíritos acerca disto?

D. P. F. — Não consultei os espíritos a esse respeito. Penso, porém, que o estabelecimento de datas que definam decisões sempre faculta o risco de não suceder conforme proposto. No entanto, concordo plenamente com o nobre Dr. Hernâni Guimarães Andrade, que a biologia, a embriologia, a embriogenia, a biologia molecular serão convidadas a aprofundar as sondas de pesquisa na reencarnação, a fim de que possam ser

Como nos anos anteriores, numeroso público acorrerá às palestras de Divaldo Pereira Franco

explicados muitos dos enigmas ainda não decifrados nas suas pesquisas. Desse modo, penso também que a reencarnação será aceita como facto, que se comprovará em laboratório com mais rigor do que tudo quanto se fez, neste sentido, até o momento, sendo adoptada por essas disciplinas científicas.

Os OVNI (discos voadores) existem? D. P. F. — Os bons espíritos informam que, da mesma forma que os terrestres desejamos encontrar vida inteligente além da Terra, seres de outros sistemas, que já desenvolveram tecnologia mais avançada, estão tentando contacto connosco. Portanto, creio sinceramente que objectos não identificados apareçam uma vez ou outra, tentando aqueles que os pilotam e neles se encontram tomar conhecimento com o nosso modo de vida. Ignoro especificamente de onde vêem.

Qual a opinião do Espiritismo acerca da astrologia?

D. P. F. — No livro “A Génese”, Allan

Kardec estudou a questão com propriedade, legando-nos a certeza de que não são os astros que direccionam nossos destinos, mas os nossos próprios actos.

As Experiências Fora do Corpo (O. B. E. out of the body experience) são uma prova da imortalidade da alma?

D. P. F. — Na minha forma de considerar o fenómeno, acredito que se trata de provar a independência do espírito à constrição orgânica, culminando em documentação que fornece evidência da sobrevivência do ser à disjunção molecular.

Já praticou alguma OBF? O que acontece?

D. P. F. — Já tive várias experiências de desdobramento parcial do corpo físico, realizando viagens sob o comando da generosa mentora Joanna de Angelis, que me conduziu a regiões de muito sofrimento como a outras de alegria e de bênçãos. Igualmente, tenho, com certa frequência, conseguido deslocar-me do corpo físico (parcialmente), visitando pessoas e lugares diversos do nosso planeta.

Sucede-me infinito bem-estar e estímulo incomparável para prosseguir na busca da auto-iluminação.

Conhece algum cientista que estude este assunto a nível mundial bem como outros cientistas que estudem a área fronteiriça do espírito?

D. P. F. — Pessoalmente, não conheço a nenhum nobre investigador nessa área. Nada obstante, tenho conhecimento de um número expressivo de estudiosos que praticam a experiência com segurança e

seriedade. Texto: José Carlos Lucas. Foto: Jorge Gomes

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