Reportagem Divulgação do espiritismo Realizou-se em Faro, nos dias 29
Jornal de Espiritismo nº 14 · Janeiro 2006Página 158 min
Reportagem Divulgação do espiritismo Realizou-se em Faro, nos dias 29, 30 e 31 de Outubro último, o V Congresso Nacional de Espiritismo, promovido pela Fe- deração Espírita Portuguesa. Além de agitar saudavelmente o nosso movimento espírita, reuniu profitentes espíritas de mui- tos pontos do País, e alguns de além-fronteiras, num sempre útil e grato reencontro entre companheiros de ideal. “Divulgação Espírita, Novas Tecnologias e Inovação” foi a epígrafe escolhida como temática do Congresso.
Talvez lhe faltasse mais algum potencial de estímulo à elabo- ração de trabalhos a apresentar, os quais, na maioria, tiveram dificuldade em se lhe cin- girem e conotarem. A componente “Divul- gação do Espiritismo”, é pertinente e quadra perfeitamente com o evento, já o mesmo não se aplicando a “novas tecnologias e inovação”. Sem dúvida, pode-se e mesmo deve-se fomentar o uso das mais avança- das técnicas de comunicação disponíveis, para estudar e difundir o Espiritismo.
A este, porém, não caberia privilegiá-las como tema central para o nosso evento máximo, um congresso espírita e nacional. Referir alguns senões verificados não significa desprimor para ninguém, contribuindo, an- tes, para os mesmos serem tidos em conta em futuros empreendimentos do género. Abstraindo disso, e repetindo que sem demérito para ninguém, precisamente os dois trabalhos sobre novas tecnologias (e não apenas esses) primaram pela qualidade dos respectivos conteúdos.
Paulo Henriques, autor de um deles, é diri- gente da FEC (Fraternidade Espírita Cristã). Essa instituição lisbonense distingue-se há longos anos como pioneira e modelo na utilização de tecnologias audiovisuais, su- cessivamente actualizadas, quer para o es- tudo e divulgação da Doutrina Espírita quer para o dia-a-dia do seu funcionamento (a sua sede, compartimentada em salas insus- ceptíveis de ampliação, está de há muito equipada com circuitos fechados de som e imagem).
A propósito, não podemos aqui deixar de homenagear a saudosa figura de Adriano Barros, que sempre incrementou na FEC, ao serviço do Espiritismo, as novas tecnologias de informação e comunicação. É justo mencionar também Jorge Gomes, desde muito jovem um activíssimo comuni- cador e divulgador espírita: socorreu-se da informática, desde o tempo em que esta era incipiente no País; da radiodifusão, mantendo no ar durante anos o animado programa “Além do Véu”, por si realizado e apresentado numa rádio local; utilizou ainda técnicas de TV e de gravação áudio e vídeo, prestando na área da comunicação, durante anos, bons serviços à Federação Espírita Portuguesa, de que foi vice-presi- dente.
A propósito de novas tecnologias e dos tempos da sua tímida implantação entre nós, seja-me permitido mencionar ainda outra pioneira, cujo intenso labor espírita poucos conhecem. Trata-se de Noémia Margarido, que há largos anos aproveitou a sua formação profissional para elaborar manualmente aulas de Doutrina Espírita em acetatos, com desenhos e texto, tendo desde então ministrado muitas dezenas de vezes alguns cursos de Espiritismo, cada um com vários meses de duração; com meios tecnológicos mais actualizados, não esmo- rece no seu labor de formação e divulgação espíritas.
Pedindo se me releve não mencionar agora outros pioneiros e carolas das novas tecno- logias no movimento espírita, voltemos ao Congresso. Perfeitamente adequado tanto ao evento como ao seu tema central, mostrou-se o trabalho intitulado “Silenciosa Divulgação”, apresentado por Luténio Faria, presidente da Associação Espírita Consolação e Vida (Águeda). O prezado companheiro discor- reu com propriedade sobre um elemento basilar e óbvio na divulgação do Espiri- tismo: a vivência profunda, real, dos seus princípios e valores (o mesmo tópico fulcral foi aflorado no seu trabalho por Paulo Henriques, que teve o cuidado de acentuar o Evangelho como “o maior movimento… em direcção à integração dos povos”; foi-o também no de Emanuel Almeida, da ASCE -Viseu, de que nos ocupamos a seguir).
Nesse trabalho, intitulado “Divulgação Espírita, Novas Tecnologias e Inovação”, Emanuel Almeida situa as tecnologias de informação e comunicação num contexto histórico de estratégia do governo espiritual da Terra; desde sempre tem ele inspirado a Humanidade terrena e, durante um assina- lável período do processo evolutivo desta, cerca de 4000 anos a.C. enriqueceu-a com a imigração da raça adâmica. Os “adões” e “evas”, exilados dum sistema planetário de Capela, não tinham ali sabido equilibrar o seu elevado desenvolvimento intelectual com o também necessário aprimoramento ético, por culpa sua mantido indigente.
Uti- lizando as suas robustas e lúcidas mentes para superar com dor e sacrifício a rudeza do ambiente terreno em que a Divina Providência lhes concedia nova oportuni- dade, mais penosa, deram azo à primeira grande revolução cultural da Humanidade terrena, culminando nas grandes civiliza- ções da antiguidade, caracterizadas pela organização urbana, pelo aparecimento da agricultura, da arte como comunicação, e da escrita.
“Com a escrita foi possível perpetuar as mensagens de Moisés, dos diversos profetas e, mais tarde, de Jesus” – refere textualmente E. Almeida. A conquista da imprensa, no século XV, é assinalada como a segunda grande rev- olução cultural da Humanidade, com o seu contexto histórico e o encadeamento que o autor criteriosamente estabelece entre três grandes emissários do Alto: João Huss, Guttenberg, Lutero e novamente João Huss, reencarnado como Kardec.
Já nos nossos dias, surge a “Terceira Grande Revolução da Comunicação, que constitui actualmente um novo paradigma”, afirma o prezado companheiro Almeida, que acentua as potencialidades imensas das mais recentes tecnologias de informação e comunicação e lhes assinala, também, os perigos e inconvenientes. Previne ainda contra uma falsa aparência de divulgação, o proselitismo: “há cautelas que devemos ter para que não nos tornemos proselitistas, arrebanhando adeptos para o movimento a qualquer preço”.
Não é despiciendo este reparo de Emanuel Almeida. Importa cuidarmos de que ao ansiarmos pela divulgação do Espiritismo, o Cristianismo redivivo, não incorramos em graves equívocos que nos marcaram existências passadas, ao pretendermos “resguardar” e “divulgar” o Cristianismo a ferro e fogo, saques e pilhagens. Isto é, acautelemo-nos hoje do espírito anticristão e antiespírita de algum modo equivalente ao que no seu tempo foi o mórbido espírito proselitista das Cruzadas e da Santa In- quisição, com as quais bem provavelmente muitos de nós nos comprometemos, em maior ou menor grau de culpa e respon- sabilidade.
A terminar, Emanuel Almeida admite que – em matéria de divulgação – o LIVRO, o JORNAL e a REVISTA ainda são os grandes meios de comunicação (aliás também hoje muito beneficiados, tecnologicamente) em que “o movimento espírita deverá continuar a apostar, utilizando as novas tecnologias como complemento, mas nunca como substituto”. E não descura que sobretudo “temos que vivenciar o Espiritismo, vivenci- ar os ensinamentos que temos a felicidade de conhecer…” .
A magnífica peça “O Aborto”, levada à cena pela Companhia de Arte Espírita Hybris, cativou e emocionou por si própria e pelo desempenho artístico dos jovens intérpre- tes. O seu eloquente apelo à reflexão sobre valores espíritas, tão lógicos e relevantes como ignorados pela sociedade, ganharia em eficácia (no aspecto de divulgação doutrinária), se situada num horário com- plementar e aberta ao público, não apenas aos congressistas.
Tudo o que fica dito, assim como o facto de a comunicação social diária, incompreen- sivelmente, ter primado pela ausência, não invalida que o V CNE tenha sido uma jornada de afirmação e divulgação espírita. Fotos: José Lucas. Texto: João Xavier de Almeidajxalmeida@portugalmail.pt Um olhar sobre o congresso Apesar da realização do V CONCESP em 2001, o Algarve continuava a ser um local com poucas tradições na realização de eventos à escala nacional.
Era pois com natural expectativa que esperávamos este V CNE. A Comissão Organizadora preparou-se para receber cerca de 540 congressistas, vindos do continente e ilhas, Inglaterra, África do Sul, Áustria, Espanha e Brasil. Congresso que se preze tem de ter os seus imprevistos e este não fugiu à regra, situações houve que foram rapidamente resolvidas. O tema do Congresso versava sobre “A Divulgação do Espiritismo e as Novas Tec- nologias”.
Estávamos na expectativa de ver como reagiam os espíritas ao desafio e foi uma agradável surpresa, verificarmos que os palestrantes aderiram ao mesmo procu- rando inovar dentro dos temas apresenta- dos, nomeadamente na área da educação, aborto, alcoolismo, novas tecnologias, eutanásia, adopção, divulgação da doutrina, entre outros, que souberam cativar as pessoas, que se mantiveram no auditório, quase sempre lotado. Este congresso foi pioneiro na área da di- vulgação e novas tecnologias, abrindo uma nova perspectiva para a área da divulgação da doutrina espírita através da Internet, ao ser colocado à disposição de todos os internautas os trabalhos apresentados bem como os vídeos dos mesmos.
Referimos que foram feitas cerca de mil visitas após a realização do congresso e os downloads dos respectivos trabalhos, desde países da Europa, como a Alemanha e Polónia até países da América do Sul foi grande o inte- resse revelado nos trabalhos apresentados. Depois de presenciarmos vários congressos nacionais, verificamos que a ideia de que “o português é pouco organizado e pouco participativo” não corresponde totalmente à verdade; embora em cima da hora (esse defeito ninguém nos tira) chega à frente e diz presente, arregaçando as mangas; assim, tenho fé no futuro do Espiritismo em Portugal, pois de norte a sul do país vemos pessoas capazes de levarem a bom porto a divulgação da doutrina.
À Comissão de Organizaçãoea todos aqueles que pela sua dedicação e empe- nho participaram na organização do V CNE, um muito obrigado. Esperamos assim pelo próximo. Texto: Manuel Santos foto c. org. v congresso Para nós, espíritas, reveste-se de um interesse especial, a começar pelo título, bem sugestivo: “Médium”. Criada e dirigida por Glen Gordon Caron, foi a série revelação nos Estados Unidos, e vai já na se- gunda temporada, superando todas as expectativas.
Tem como protagonista Patrícia Arquette, no papel de Allison Dubois, com o qual ganhou o “Emmy” de melhor actriz dramática. Allison Dubois, uma médium que existe na vida real, é consultora da série e ajuda a solucionar crimes com as informações que recebe. Advogada, esposa e mãe de três filhos, tenta entender sua intuição natural sobre as pessoas, uma espécie de ligação espiritual, e a sua capacidade de ver e de se comunicar com os espíritos desencarnados.
Inicialmente, o seu marido, o cientista Joe (Jake Weber), é o primeiro a não acreditar nela e decide fazer uma experiência que leva os dois a perceber que aquele dom poderá ajudar a fazer justiça às pessoas que já morreram e a outras que possam vir a ser condenadas, apesar de inocentes. Allison começa, então, a trabalhar com o promotor-de-justiça de uma cidade do Arizona, nos EUA. Independentemente do desenrolar de cada episódio, cujo tema nos mantém mais ou menos presos ao pequeno ecrã, pensamos ser importante realçar alguns aspectos que caracterizam a maneira de ser da personagem da série “Médium”: por um lado, a humildade e a profunda calma que Allison Dubois transmite no seu dia-a-dia, quer em casa, quer no trabalho; por outro, a concentração de que necessita para se interiorizar e estabelecer o contacto que lhe possibilitará “descobrir” a ver- dade.
Por fim, ainda, a insegurança, as dúvidas que por vezes afluem, com algum receio ou medo à mistura, que nos fazem ter a certeza de que tudo seria bem mais fácil de superar se todas as Allison Dubois, se todos os “Médiuns”, afinal, dedicassem algum tempo ao estudo do Espiritismo… Texto: Sílvia Antunes. Foto: in http://primetimetv.about.
