Ficha Técnica
Jornal de Espiritismo nº 15 · Março 2006Página 25 min
Editorial FICHA TÉCNICA Jornal de Espiritismo Periódico Bimestral Director: Ulisses Lopes Editor: Jorge Gomes Maquetagem: www.loucomotiv.com Fotografia: Loucomotiv e Arquivo Tiragem: 2000 Exemplares Registado no Instituto da Comunicação Social com o n.º 124325 Depósito Legal: 201396/03 Administração e Redacção ADEP Rua do Espírito Santo, N.º 38, Cave Nogueira – 4710-144 BRAGA Assinaturas Jornal de Espiritismo Apartado 161 4711-910 BRAGA E-mail jornal@adeportugal.
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Houve até quem dissesse que a cabeça já fumega- va, mas o melhor acabou por ser deixar os dedos correr no teclado. Eotítulo surgiu. O dia-a-dia é um laboratório evolutivo de eleição. Nele, vamos ouvindo, por vezes com estranha indiferença, frases complica- das, não pela gramática… Diz a mãe ao filho, quando ele nos seus três anos de vida, sem babete, deixa cair na camisola um pingo de sopa: «Poça, Zé, não fazes nada de jeito!
». Eapágina vira-se sem que nada se repare, para ser reeditada a breve prazo. Bem visto o assunto, com certeza que o Zé fará muitas coisas interessantes. Já lhe ocor- reu ir deitar um papel solto ao caixote do lixo sem ninguém o solicitar; daquela vez em que mãe e pai estavam decepcionados um com o outro, o Zé pegou com as suas mãos pequeninas as mãos maiores dos pro- genitores e, em silêncio mas com um sor- riso falador, forçou a que ambos dessem as mãos, perplexos.
Uma vez por outra, como criança que é, terá uma conduta que não alinhará pela régua dos adultos, decerto porque a regra da sua idade é outra. Mas vai, sem dúvida, continuar a ouvir uma vez por semana em média «não fazes nada de jeito», fazendo uma data delas. Não sou psicólogo nem pedagogo, mas dizem os que sabem que a força da edu- cação passa sobretudo pelo exemplo e espraia-se na moldura das palavras. Quem ouve, criança ou adulto, esta tipologia de sugestões, pode, como «água mole em pedra dura», começar a acreditar a breve prazo que não faz mesmo nada de jeito… Mas faz, e muito!
Pergunto a mim próprio: entre as palavras construtivas, quantas negativas direi no quotidiano sem que ainda me tenha aper- cebido de todas? Pensar bem exige trabalho, estudo, tran- quilidade, autoconhecimento, construção. Deus oferece todas as possibilidades para alçarmos a mente a patamares mais luminosos. Resta a todos fazermos o que ninguém pode fazer por nós: melhorar dia após dia. Calcetemos os nossos próprios caminhos com palavras cheias de estímulos positi- vos para que os que connosco convivem possam acreditar que têm recursos para ser mais felizes, como de facto acontece.
Boa leitura! Texto: Jorge Gomesjorge.je@clix.pt foto loucomotiv Sabedoria Conta-se que num país longínquo, há mui- tos séculos, um rei se sentiu intrigado com algumas questões. Desejando ter respostas, resolveu estabelecer um concurso no qual todas as pessoas do reino poderiam par- ticipar. O prémio seria uma enorme quantia em ouro, pedras preciosas, além de títulos de nobreza. Seria premiado com tudo isto quem conseguisse responder a três questões: Qual é o lugar mais importante do mundo?
Qual é a tarefa mais importante do mundo? Qual é o homem mais impor- tante do mundo? Sábios e ignorantes, ricos e pobres, crianças, jovens e adultos apresentaram-se, tentando responder às três perguntas. Para desconsolo do rei, nenhum deles deu uma resposta que o satisfizesse. Em todo território, um único homem não se apresentou para tentar responder às indagações régias. Era alguém considerado sábio, mas a quem não importavam as fortunas nem as honrarias da Terra.
O rei convocou esse homem para vir à sua presença e tentar responder às suas questões. E o velho sábio respondeu a todas: - O lugar mais importante do mundo é aquele onde está. O lugar onde mora, vive, cresce, trabalha e actua é o mais importante do mundo. É ali que deve ser útil, prestativo e amigo, porque esse é o seu lugar. A tarefa mais importante do mundo não é aquela que desejaria executar, mas aquela que deve fazer.
Por isso, pode ser que o seu trabalho não seja o mais agradável e bem remunerado do mundo, mas é aquele que lhe permite o próprio sustento e da sua família. É aquele que lhe permite desen- volver as potencialidades que existem den- tro de si. É aquele que lhe permite exercitar a paciência, a compreensão, a fraternidade. Se não tem o que ama, importante é que ame o que tem. A mínima tarefa é impor- tante. Se falhar, se se omitir, ninguém a executará no seu lugar, exactamente da forma e da maneira que o faria.
E, finalmente, o homem mais importante do mundo é aquele que precisa de si, porque é ele que lhe possibilita a mais bela das virtudes: a caridade. A caridade é uma escada de luz. É o auxílio fraternal, é oportunidade iluminativa. É a mais alta conquista que o homem poderá desejar. O rei, ouvindo as respostas tão ponderadas e bem fundamentadas, aplaudiu, agradeci- do. Para a sua própria felicidade, descobrirá um sentido para a sua vida, uma razão de ser para os seus últimos anos sobre a Terra.
Muitas vezes pensamos em como seria bom se tivéssemos nascido num país com menos inflação, com menos miséria, sem taxas tão altas de desemprego, gozando de melhores oportunidades. Outras vezes queixamo-nos do trabalho que executamos todos os dias, das tarefas que temos, por achá-las muito ínfimas, sem importância. Desejamos que determinadas pessoas, im- portantes, de evidência social ou financeira pudessem estar ao nosso lado para nos abrir caminhos.
Contudo, tenhamos certeza: estamos no lugar certo, na época correcta, com as melhores oportunidades, com as pessoas que necessitamos para nosso crescimento interior. “Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor, lembre-se: se escolher o mundo ficará sem o amor, mas se escolher o amor, com ele conquistará o mundo!” Albert Einstein.
