Literatura | Tv Carlos Lyster Franco o pintor Aquela era mais uma sess
Jornal de Espiritismo nº 16 · Maio 2006Página 165 min
Literatura | Tv Carlos Lyster Franco o pintor Aquela era mais uma sessão de psicopictografia pelo médium Florêncio Anton, na Associação Espírita de Lagos, em Setembro do ano passado. A sala estava repleta de gente que queria assistir ao evento. Uns estavam por curiosidade, outros por simpatia, e outros ainda por saberem que este é um facto puramente natural e que vem trazer notícias do Além, através da pintura. É sempre aliciante este trabalho, pois que a tela branca e vazia enche-se de cores, e paisagens, retratos ou flores que vão encantando a assistência, quando ao fim de escassos minutos a tela, antes branca, apresenta-se agora como expressão da beleza e arte.
O médium, esse é um desconhecedor do desenho e da arte de pintar. Mas, mercê do envolvimento dos pintores que se fazem presentes e que querem trazer até aos que ficaram ainda, na retaguarda da vida, ele trabalha febrilmente, com as mãos cheias de tinta das mais variadas cores que não se misturam, mercê do trabalho dos Espíritos presentes. E é vê-los pintar e assinar suas obras, causando a admiraçãoeo espanto de quem ali se encontra.
Estava a sessão a terminar, quando o médium, intuído pelo Espírito que se queria manifestar, penso eu, pede que coloquem música portuguesa. Logo se ouvem os acordes duma guitarra e a voz inconfundível de Amália Rodrigues enche a sala. A pintura inicia-se e quando acaba, o quadro é mostrado à plateia. É uma paisa- gem marítima, bem definida, e que mostra a zona da cidade de Faro, entre a praia e o campo. Assinava a obra ora exposta Carlos Lyster Franco.
O nome é estranho demais eomédium indaga dos presentes se alguém conhece o autor espiritual. Silêncio na sala, até que um senhor de idade que se encontrava presente levanta-se e diz: «Eu tive um pro- fessor que se chamava Lyster Franco, mas desconheço se era pintor». A partir desta informação, só há um caminho a seguir, buscar saber quem é Carlos Lyster Franco. Busquei na Internet, mas o que lá encontrei não me satisfez a curiosidade.
Dirigi-me então ao Arquivo Distrital na cidade de Faro, mas fui impedida de entrar por não ter informação nenhuma além do nome: precisava saber data do nascimento, nome dos pais e onde nasceu. Como nada disto eu tinha, fiquei por ali mesmo, mas não me detive. Voltei à Internet e vi que havia no Museu da Marinha na mesma cidade uma sala com o nome do Professor Carlos Lyster Franco. De novo viajo à capital do distrito do Algarve.
Desta vez eu tinha de encontrar alguma referência da personagem que me movia os passos. Efectivamente lá encontrei uma gentil funcionária que me disse conhecer esse nome e que na sala com seu nome ha- via alguns quadros, mas que eram apenas peixes. No entanto, ela sabia que ele tinha sido um pintor de fama, e permitiu-me con- sultar a Enciclopédia Luso-Brasileira, pois lá estava o que eu procurava. Efectivamente assim aconteceu e é exactamente isso que relato a seguir.
Infe- lizmente aos quadros não tive acesso, pois que o senhor tinha o hábito de oferecer suas obras aos amigos e familiares. Logo estes encontram-se dispersos e fica difícil localizá-los. Carlos Lyster Franco nasceu em Lisboa a 05-10-1880. Frequentou a Escola de Belas Artes de Lisboa e concluiu o curso de pintura histórica com elevada classificação em 1900. Foi nomeado professor do Liceu de Faro, tendo leccionado ainda na Escola Industrial e Comercial da mesma cidade.
Director do Posto Meteorológico, ocupou ainda o cargo de Comissário de Polícia e ainda de presidente da Câmara Municipal. Tendo-se dedicado à pintura a óleo da paisagem algarvia e também ao desenho a carvão, segundo a escola de Allongé, adquiriu a justa fama de nosso primeiro cultor desta modalidade artística. Realizou numerosas exposições de seus trabalhos em Lisboa, Porto, Faro, Coimbra, Praia da Rocha e Lagos. Procedeu gratuitamente ao restauro de dezenas de quadros existentes no Museu da Marinha de Faro, por este facto é que lhe foi atribuído o nome a uma das salas tendo sido agraciado com a Or- dem Militar de Santiago.
Dedicou-se ainda à literatura e fundou um jornal. Com este apontamento ficámos a saber que do lado de lá o Professor Lyster Franco Qualidade na prática Este livro faz parte do Projecto Manoel Philomeno de Miranda, que foi criado em 1990 por uma equipa de trabalhadores es- clarecidos e dedicados do centro espírita «Caminho de Redenção» – fundado em 1947, em Salvador da Baía, por Divaldo Pereira Franco – para treinar e preparar de forma idónea os integrantes das diversas áreas de actividade mediúnica dos centros espíritas.
Esta obra, «Qualidade na prática mediúni- ca», é o resultado de mais de 30 anos de trabalho mediúnico doutrinário diário, como apoio dos bons Espíritos, que tutelam a actividade mediúnica de Divaldo. Todos os trabalhadores espíritas deveriam ler, reler e estudar, individualmente e em conjunto, esta obra com a finalidade de escoimar as casas espíritas em particular, e o movimento espírita em geral, de práticas absurdas, fruto da ignorância, que levam ao ridículo a Doutrina dos Espíritos, retardando assim a sua implantação nos corações ávidos de saber e paz.
Este trabalho, muito oportuno para o movi- mento espírita, está dividido em três partes: 1.ª parte – Os Espíritos respondem: tem 39 questões sobre a mediunidade e a sua prática respondidas pelos Espíritos Joanna de Ângelis, Vianna de Carvalho, Manoel Philomeno de Miranda e João Cléofas. 2.ª parte – Divaldo Franco responde: tem 36 questões propostas ao médium que são respondidas de forma muito clara, fruto de mais de meio século de prática mediúnica sob a orientação dos bons Espíritos.
3.ª parte – O Projecto responde: tem 28 questões respondidas pela longa experiên- cia do grupo de trabalho de que registamos os seus nomes: Geraldo de Azevedo, José Ferraz, Nilo Calasans e João Neves. Passemos a um pequeno extracto da obra para estimularmos a sua leitura e estudo: «Prática mediúnica espírita é para espíritas convictos, integrados na Casa Espírita. Não é para curiosos, amantes de benefícios, apelantes sistemáticos, distraídos em rela- ção à sua transformação moral, muito me- nos para os «amadores de comunicações», interessados tão-somente em fenómenos.
Prática mediúnica espírita é para os verda- deiros espíritas, interessados em espiritizar- -se cada vez mais. Nenhum elitismo, nem preconceito, mas coerência doutrinária, zelo pelo investimento da fé racional. Nela não comportam: superstições, concessões indébitas ao sincretismo religioso; nada de cânticos, procedimentos importados para relaxar ou concentrar, mas pura e simples- mente os procedimentos espíritas, na sua simplicidade e naturalidade, conforme her- damos das tradições kardequianas e que os bons Espíritos, com o auxílio dos homens, vêm actualizando ao longo do anos.
» Texto: Carlos Alberto Ferreira. Obs.: de- staques do articulista.
