Perspectiva A evolução das espécies e psi Quando a conhecida antropólo
Jornal de Espiritismo nº 16 · Maio 2006Página 157 min
Perspectiva A evolução das espécies e psi Quando a conhecida antropóloga Jane Goodall* deu a con- hecer ao mundo a descoberta de um grupo de chimpan- zés selvagens que utilizavam ferramentas, disparou o início de uma grande revolução. Darwin, o mentor da teoria da evolução das espécies, ridicularizado à época num cartoon que encabeçava num corpo de macaco o seu rosto, nunca esperaria uma revelação deste jaez… Já vão longe os atalhos na estrada do con- hecimento segundo os quais o homem es- taria na criação divina como um ser à parte, superior e predestinado a consumir a Terra, vegetação e animais, segundo a vontade de Deus pelo menos como era interpretada no mundo ocidental.
Hoje sabe-se que o futuro de uns e de outros está intimamente ligado. Darwin observou que, numa mesma espé- cie, se detectam entre os indivíduos ligeiras diferenças. Se essas diferenças trouxessem algum tipo de vantagem na adaptação ao meio e respectivo êxito no calendário da sobrevivência, transmitindo geneticamente essa característica, os descendentes destes espécimes estariam mais aptos a definir o rumo da espécie.
Portanto, esta última compreende-se como resultado de uma selecção natural capaz de apurar as adapta- ções coroadas de sucesso de indivíduos ao ponto de, após algumas gerações, surgirem novas espécies. Num nível, dito instintivo, o caranguejo- eremita usa conchas vazias para se pro- teger dos predadores, e alguns chegam a acomodar anémonas na dita concha, para que os tentáculos urticantes obriguem os polvos a rejeitarem o repasto, tornado assim tão amargo.
Uma família de bor- boletas, os psiquídeos, usam palhinhas e pedras diminutas para ocultarem o tenro corpo larvar dos muitos predadores que os desejam… E o uso da inteligência? A capacidade de aprender com a lição de outrem? Isso já outra coisa. Quando uma câmara de filmar gravou para a posteridade, pela primeira vez, em África um chimpanzé a cortar o ramo de um arbusto, com os dedos de primata superior rapar-lhe as folhas para o meter — uma vareta!
— num formigueiro a fim de o passar nos lábios para comer as nutritivas formigas, a caduca ideia de que só o homem era capaz de fabricar ferramentas esboroou-se de uma vez só. Mas havia ainda mais para revelar: havia também chimpanzés selvagens que usa- vam por aprendizagem uma pedra como quebra-nozes para se alimentarem do fruto protegido por dura casca. Descobriu-se mais recentemente que essa mesma prática ocorre noutro continente, a América do Sul, protagonizada por um grupo de macacos- capuchinho selvagens numa serra brasileira.
Mas os dados não se quedam aqui: e quan- do se verifica que chimpanzés selvagens fazem política para alcançar a liderança de um grupo? É verdade, acontece, e está registado. Somos na verdade, em essência, assim tão diferentes deles? Claro que não: o verniz da humanidade parece brilhar diante do avanço mental e tecnológico face às outras espécies, mas não se pode tapar o Sol com a peneira. As necessidades básicas de uns e de outros são simplesmente as mesmas, as formas de as satisfazer nem sempre são tão diferentes como isso.
Psi de uns e de outros Por que razão seria diferente em matéria de sensibilidade paranormal?! Em Abril passado decorreu na Casa do Médico, no Porto, um evento importante, de gabarito internacional, para a investiga- ção científica de áreas como a psicofisio- logia e a parapsicologia, organizado pela Fundação Bial. Constou que um cientista inglês a dada altura terá dito que Darwin e psi não eram compatíveis. No mínimo, é estranho.
Mas afinal o que é psi? Psi** vem de «psique», ou seja, alma em grego. É uma forma definida no século XX de se desig- nar a paranormalidade de fenómenos que ocorrem e que têm de ser investigados. Costuma designar-se em várias áreas o leque de fenómenos: psi-gama – Allan Kar- dec definia-os como fenómenos de efeitos intelectuais (exemplo: psicofonia, psicogra- fia, etc.); psi-k – chamados entre espíritas de fenómenos de efeitos físicos (exemplo: ectoplasmias); psi-teta – fenómenos que apontam para a manifestação do espírito desencarnado vitorioso sobre a morte do corpo.
Mas em que estaria a pensar o cientista inglês ao dizer aquilo em Abril na cidade do Porto? Coelhos & pintainhos As experiências do médico e etólogo René Peoch demonstram que é possível concluir que há coelhos da mesma ninhada que são capazes de usar a telepatia — grosso modo, transmissão de estados de alma — e que há pintainhos com dias de idade capazes de atrair ou afastar, à sua vontade, um robot. Com os coelhos, basicamente as experiên- cias consistiram em isolar estes animais de forma hermética, inclusive sem qualquer tipo de contacto odorífero ou visual.
Com eléctrodos a medirem a corrente sanguínea nas orelhas dos roedores, aplicando um estímulo num coelho, o outro reagia quase simultaneamente. Conclusão: de alguma forma paranormal, um coelho sentia o que ocorria com o outro. As experiências com pintos foram feitas com um robot de forma cilíndrica com movimentos aleatórios numa área rectan- gular. Condicionados os grupos de pintai- nhos para uma resposta afectiva ao robot, eles conseguiam atrair à distância a ma- quineta de modo que ele se movimentava mais vezes para perto de si.
Condicionadas as aves para o recearem, verificou-se que a maior parte das vezes o robot ocupava a área oposta à posição dos bichos. Peoch, que também esteve em Abril na Casa do Médico, no Porto, declarou há uma década no auditório da Reitoria da Univer- sidade do Porto que escolhera animais para eliminar o efeito de auto-sugestão de que o ser humano é tão passível. O espiritismo «Tudo se encadeia na natureza, do átomo primitivo ao arcanjo», diziam os espíritos sábios a Kardec em meados do século XIX, na pergunta 540, e sugeriam em «O Livro dos Espíritos» — publicado dois anos antes de «A origem das espécies», de Darwin — a grande epopeia da evolução solidária.
Uma geração depois, Leon Denis escrevia que «a alma dorme no mineral, sonha no vegetal, estremece no animal e acorda no homem», dando em novas palavras, poéticas embora, a ideia da caminhada do princípio inteli- gente através de vários reinos da vida. A filogenia das espécies, tendo um tronco comum, transporta na sua esteira carac- terísticas potenciais e comuns entre uns e outros. Em «Evolução em dois mundos», o espírito André Luiz pela psicografia de Fran- cisco Cândido Xavier aborda os processos evolutivos das espécies e refere as modi- ficações intencionais operadas no corpo espiritual dos seres vivos em geral antes do regresso à dimensão densa em que nos en- contramos, com vista à repercussão dessas alterações nos futuros corpos materiais.
Os caminhos do princípio inteligente na morfologia das espécies são um campo complexo no universo do conhecimento, porém, que incompatibilidade haveria entre psi e a evolução das espécies, e especifica- mente com Darwin? Será um mistério tão grande como os fantasmas dos castelos in- gleses cujas visitas são uma receita turística? Quem sabe? Texto: Jorge Gomes – jorge.je@clix.pt * Jane Goodall nasceu em Londres, Inglaterra, em 3 de Abril de 1934.
O seu trabalho centrou- se em África. «Jane Goodall é uma primatóloga e uma antropóloga britânica que estudou a vida social e familiar dos chimpanzés ao longo de 40 anos. Os seus estudos contribuíram para o avanço dos conhecimentos sobre a aprendiza- gem social, o raciocínio e a cultura dos chimpan- zés selvagens», segundo a Wikipédia. ** Fenómenos paranormais: «tais ocorrências foram baptizadas por Robert Thouless e B.
P. Wiesner, de fenómenos PSI. Pressupondo-se que tais factos estão na dependência de certas faculdades humanas ainda pouco conhecidas, deu-se-lhes a designação de função PSI. Esta foi subdividida em duas classes: 1 — Função psi- gamma: responsável pelos fenómenos de na- tureza subjectiva como a telepatia, clarividência, precogniçãoepós-cognição. Em geral, usa-se a nomenclatura de Rhine: ESP (de “extrasensory perception” — percepção extra-sensorial).
2 — Função psi-kappa: responsável pelos fenómenos de natureza objectiva, nos quais se observam movimento, alteração, modificação ou quaisquer outras operações sobre os objectos materiais. Em geral, usa-se a nomenclatura de Rhine: PK (de “psychokinesis” = psicocinesia). A ciência, embora se mostre aparentemente aberta aos factos novos, mantém rigorosa cautela a respeito de questões que parecem envolver problemas ligados à natureza espiritual do homem.
Foi exactamente por este motivo, que Thouless e Wiesner propuseram, no 1º. Congresso Interna- cional de Parapsicologia, na cidade de Utrecht, em 1953, a nomenclatura citada no subtítulo anterior.», escrevia Hernâni Guimarães Andrade. Bibliografia «O Livro dos Espíritos», Allan Kardec. Revista A RAZÃO, Julho/Setembro de 1996. Para nós, espíritas, reveste-se de um inter- esse especial, a começar pelo título, bem sugestivo: “Médium”.
Criada e dirigida por Glen Gordon Caron, foi a série revelação nos Estados Unidos, e vai já na segunda temporada, superando todas as expectativas. Tem como protagonista Patrícia Arquette, no papel de Allison Dubois, com o qual ganhou o “Emmy” de melhor actriz dramática. Allison Dubois, uma médium que existe na vida real, é consultora da série e ajuda a solucionar crimes com as informações que recebe. Advogada, esposa e mãe de três filhos, tenta entender sua intuição natural sobre as pessoas, uma espécie de ligação espiritual, e a sua capacidade de ver e de se comunicar com os espíritos desencarnados.
Inicialmente, o seu marido, o cientista Joe (Jake Weber), é o primeiro a não acreditar nela e decide fazer uma experiência que leva os dois a perceber que aquele dom poderá ajudar a fazer justiça às pessoas que já morreram e a outras que possam vir a ser condenadas, apesar de inocentes.
