Mirant
Jornal de Espiritismo nº 16 · Maio 2006Página 144 min
Opinião | Reportagem Um caso de paranormalidade Casos paranormais não são acontecimentos raros. Conhecidos em círculos familiares ou bas- tante específicos e restritos, por vezes extrapolam deles, por diversas circunstâncias e natural ostensividade, para os domínios do conhecimento público. O MIRANTE, semanário regional do distrito de Santarém, considerado o de maior expansão no nosso país, noticiou o caso duma jovem estudante de 16 anos, identifi- cada, que periodicamente é acometida por crises que a modificam totalmente.
Pacata e simples de seu natural, modifica-se por completo durante as crises, adquirindo voz diferente e uma força descomunal. É o que lhe vem sucedendo há cerca de um ano, altura em que a jovem Filipa começou a viver apavorada por sensações e visões terríficas. Durante uma aula, sem nada o deixar prever, começou a sentir pânico e uma força física tremenda, que dez pessoas (entre colegas seus, professores e contínu- os) não conseguiram dominar.
Levada para o Hospital de Tomar, foi sub- metida a vários exames que nada esclarece- ram, ficando internada para observação. Logo na primeira noite, Filipa, acordando subitamente pelas quatro horas da madru- gada, olhou para o lado e deparou com “algo” sentado num cadeirão, que ela nunca vira. Fechou os olhos e tornou a abri-los, mas “a coisa” continuava ali, sentada. De então para cá, a vida de Filipa nunca mais foi a mesma.
Passou a sentir a presen- ça do vulto antes de o ver, e ouvia-o, sem conseguir defini-lo melhor ou identificá-lo. “Aparece quando quer e lhe apetece”, relata Filipa, acrescentando que nessas ocasiões se transforma, torna-se violenta, o corpo tem gestos e movimentos que ela não con- trola, saindo-lhe da boca uma voz diferente, grossa, masculina. Os avós e uma tia, que têm acompanhado a Filipa, confirmam, e referem que muitas vezes ela tem sido levada de emergência ao hospital.
Exausta e apavorada, embora ciente do cepticismo das pessoas reuniu coragem para fazer um apelo público, através do se- manário O MIRANTE. Em boa hora, pois, ao que consta, elementos dum centro espírita idóneo, situado em cidade não muito dis- tante de Tomar, terão iniciado as providên- cias adequadas, típicas do seu próprio estudo, conhecimento e actividades. A notoriedade deste caso deveria atrair a melhor atenção da nossa sociedade, pois repetimos que ele não é único nem raro.
Existem felizmente instituições sérias e aptas para lidar eficazmente com situações do mesmo género e carácter de maior ou menor gravidade. Elas confirmam e reconfirmam que o ser humano é muito mais do que o seu corpo material; e que, quando este perece, o ser continua a viver, podendo de muitas maneiras manifestar-se aos “vivos”, a partir da sua nova dimensão — é o que nos ensina, com a autoridade dos factos e da experiência, a doutrina es- pírita, através da sua codificação e copiosa literatura.
A respeito de tais situações, cabe também advertir sobre a existência de pessoas sem idoneidade, que até publicitam os seus du- vidosos serviços, prestados a troco, quase sempre, de exorbitâncias financeiras. Texto: João Xavier de Almeida PUBLICIDADE PUBLICIDADE TCI confirma teses espíritas O II Congresso Internacional sobre TCI, o que equivale a dizer Transcomunicação Instrumental — falar com os falecidos através de aparelhos electrónicos —, decorreu em Vigo, Es- panha, de 28 a 30 de Abril passado.
Depois do êxito de há dois anos, esta orga- nização esteve a cargo de Anabela Cardoso, diplomata portuguesa, e da família Alcân- tara, de Aveiro, que não regateou esforços neste empreendimento. David Fontana, psicólogo, cientista e vice-presidente da Society for Psychical Research (Londres), era igualmente um dos co-organizadores. Com cerca de 200 congressistas oriundos de países mais díspares, como Finlândia, EUA, França, Itália, Portugal, Espanha, Alemanha, Brasil, Japão, entre outros, podíamos encontrar mais de uma dezena de portugueses, dos quais se destacava um grupo de espíritas oriundos de Braga, Caldas da Rainha e Lisboa.
Os currículos prometiam, já que muitos deles eram cientistas conceituados, desde um físico nuclear ao director do Instituto de Metapsíquica de Paris, passando por outros cientistas de renome como David Fontana, Ernst Senkowski, padre François Brune, entre muitos outros pesquisadores. Desde a pesquisa de vozes e imagens paranormais, onde aparecem vozes de pessoas falecidas, umas conhecidas outras que ninguém identifica, o fenómeno da TCI que apaixona muita gente desde a década de 60 vem trazendo através dos aparelhos electrónicos a mensagem da imortalidade do espírito e da possibilidade da comunica- bilidade do mesmo, premissas estas verifi- cadas exaustivamente por Allan Kardec em meados do século XIX e que deram origem à doutrina espírita (ou espiritismo).
Anabela Cardoso refere que «o objectivo foi trazer não só pessoas que investiguem como também pessoas cépticas que pos- sam assim dar uma mais-valia ao congresso na discussão das ideias em busca de uma resposta para este tipo de fenomenologia». Marcelo Bacci, um médium italiano, junta- mente com o físico (igualmente italiano) Mario Festa, têm conseguido comunicações espirituais através de rádios, onde apare- cem vozes de jovens falecidos que muitas vezes são identificados pelas suas mães por motivos bem particulares que mais ninguém poderia saber.
O prof. dr. David Fontana, na sua brilhante apresentação acerca da «Investigação científica sobre as provas da vida após a morte física” referiu que, após anos a fio de investigações, compiladas no seu último livro “There is an afterlife?”, rendeu-se às evi- dências, não sobrando para ele, homem de ciência, qualquer dúvida acerca da imortali- dade do espírito, faltando isso sim, na sua opinião, aos homens de ciência voltarem-se para este campo inexplorado e partirem em busca desta nova realidade.
François Brune, padre católico, pesquisador conceituado a nível mundial no que con- cerne à TCI, afirma peremptoriamente que fala com os falecidos através de médiuns humanos e de aparelhos electrónicos e que quem se comunica são indubitavelmente os falecidos e não o diabo como se fez crer erradamente à humanidade. Nos próximos números daremos conta de entrevistas com alguns dos conferencistas. Texto: José Lucas adep@adeportugal.
