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Movimento Jovem Encontro nacional de jovens Nos dias 22 e 23 de Abril

Jornal de Espiritismo nº 16 · Maio 2006Página 106 min

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realizou-se em Braga o XXIII Encontro Nacional de Jovens Espíritas, organizado, este ano, pela Asso- ciação Luz no Caminho de Braga. Subordinados ao tema “A Terra no terceiro milénio”, cerca de 170 jovens, represen- tantes de 14 associações espíritas por- tuguesas, participaram e apresentaram diferentes trabalhos, de forma criativa e inovadora. A abertura do Encontro foi feita pelo presi- dente da Federação Espírita Portuguesa, Arnaldo Costeira, que relembrou o 1.

º ENJE, realizado no auditório da associação Restauradores do Brás-Oleiro, perto do Alto da Maia, perto do Porto, na década de 1980, “onde se reuniram cerca de vinte jovens e dirigentes”. Deixou o repto para que os jovens se organizem e promovam um congresso para a juventude. A respon- sável pelo Departamento Infanto-juvenil da Federação, Maria Emília Barros, mostrou-se feliz por ver tantos jovens empenhados no futuro e sugeriu que dentro de cada asso- ciação os jovens incentivassem à partici- pação nos congressos espíritas e fizessem chegar junto da organização do próximo Congresso Nacional de Espiritismo, para 2007, sugestões.

Este ENJE apresentou uma boa adesão de jovens.* Os trabalhos iniciaram-se com a exibição de um filme, produzido e protago- nizado pelas Associação Cultural e Espiri- tualista de Viseu e o Grupo de Estudantes Espíritas Allan Kardec de Coimbra, com o título “A solidão”. O filme comove-nos de imediato com a profundidade do tema, que nos é passada através de imagens que cho- cam pelo realismo, mas que nos conscien- cializam da solidão em família, na escola, na rua, na velhice, na juventude, transmitindo ao mesmo tempo a mensagem de como fazer para mudarmos: visitando lares de terceira idade, de crianças em risco, levando sorrisos e companhia, distribuir alimentos aos sem-abrigo ou simplesmente reorga- nizar o ambiente familiar criando espaço para o trabalho em cooperação e para a conversa salutar entre pais e filhos.

A Associação Espírita de Leiria apresentou o trabalho “Os valores e os jovens” e o Grupo Espírita Batuíra, de Algés, apresentou “A evolução da Terra no 3.º milénio”. Ambos os trabalhos usaram a expressão dramática, o teatro, como forma de melhor expres- sarem conhecimentos. O empenho dos jovens nos diferentes sketchs proporcionou momentos de alegria que certamente a maioria dos jovens, monitores e acompan- hantes presentes nunca irão esquecer.

Já de tarde, pudemos assistir a 3 repre- sentações dos jograis da União Espírita de Lisboa, cujos elementos fazem parte de diferentes associações espíritas da capital, seguindo-se a Fraternidade Espírita Cristã, que conjugou teatro de sombras, música e dança, trazendo também uma forma origi- nal de abordar o tema “Centros Espíritas do 3.º Milénio”. Finalizaram-se as apresentações com o trabalho “Rumo ao Futuro”, da As- sociação de Beneficência e Solidariedade Eduardo de Matos.

Os jovens participantes reuniram-se depois em pequenos grupos. A organização propôs que lessem e discutis- sem alguns textos para mais tarde partilha- rem conclusões com os restantes. No domingo pela manhã, a organização decidiu abrir espaço para um momento de lazer e levou os jovens a passear pela cidade. Para tal, esboçou uma rota que os intervenientes tiveram de cumprir através de um peddy-paper. Foi a oportunidade de conviverem, se conhecerem e conhecerem também a cidade anfitriã do certame.

O ponto de encontro final foi nas instala- ções da Associação luz no Caminho. Aí, os jovens reuniram-se para trocarem as últimas impressões sobre os encontros, assistirem a uma conferência proferida pela responsável do Departamento de Infância e Juventude Maria Emília Barros. De seguida, tempo para encerramentos. O presidente da Federação Espírita Portu- guesa dirigiu-se aos presentes, bem como o presidente da Associação Luz no Caminho, Machado Teixeira, e finalmente os jovens da Comissão Organizadora que aproveitaram para agradecer a todos os participantes a comparência ao 23.

º ENJE e para passar o testemunho aos jovens da Associação Espírita de Leiria que aproveitaram para adiantar que o próximo ENJE se irá realizar no fim-de-semana de 14 e 15 de Abril do próximo ano. Até lá! Texto: Regina Figueiredo * Associações representadas no 23.º ENJE: Fraternidade Espírita Cristã (Lisboa) – 30 jovens; Associação Espírita Cristã Isabel de Portugal – 3; Associação de Beneficência e Fraternidade – 3; Lar Espírita Esperança (Vila Nova de Gaia) – 1; As- sociação Beneficência e Solidariedade Eduardo de Matos (Lisboa) – 3; Associação Espírita de Leiria – 23; Associação Sociocultural Espírita de Braga – 4; Grupo de Estudo Espírita Allan Kardec (Coimbra) – 11; Grupo Espírita Batuíra (Algés) – 23; Associação Joanna de Angelis (S.

Mamede de Infesta) – 11; Associação Cultural e Espiritu- alista de Viseu – 13; Associação Espírita Conso- lação e Vida (Águeda) – 11; Associação Espírita de Lagos – 4; Escola de Beneficência Caridade Espírita – 1. Jovens dizem: Presente! É com especial agrado que nos é possível fazer esta reportagem sobre o XXIII Encon- tro Nacional de Jovens Espíritas (ENJE). Por vários motivos. O primeiro por considerar que, depois da frequência num Curso Básico de Espiri- tismo, os ENJE terem marcado o início da minha marcha no movimento espírita quando no 7.

º, em Viseu, participei pela primeira vez nestes encontros. Coube-nos, na altura, trazer para “casa” a responsabili- dade de organizar o seguinte, aquele que foi o 8.º e que se realizou em Braga em 1990, precisamente na mesma sala do mesmo hotel, o Hotel Turismo, onde se rea- lizou o deste ano. O segundo motivo reside em ter feito ao longo dos vários encontros em que participamos inúmeros amigos, amigos que, só por si, justificavam que ano após ano nos deslocássemos para que fosse possível matar saudades dessas pessoas, to- das elas especiais.

Terceiro, porque já não ia a nenhum encontro há uma boa meia dúzia de anos e via neste uma oportunidade de viver as emoções que estes encontros nos despertam e assim recordar muitas das experiências que ao longo do tempo eles nos foram facultando. Devo confessar que o último ENJE em que participei, que já não sei precisar qual terá sido, vim um pouco desanimado. Desanimado pela participação dos jovens e essencialmente pelo nível doutrinário apresentado por estes.

Poucos conheci- mentos, e aqueles que demonstravam ter, revelavam-se pouco consistentes. Na minha consciência íntima sentia que não teríamos gente para muito tempo… Depois, a história do costume. Aquela que diz que os jovens são os dirigentes do futuro, aqueles mesmos que no mesmo futuro iriam ser os responsáveis pelo destino do movimento em Portugal. Sentia (e continuo a sentir) que esse futuro não chegará jamais. Porque pensar assim?

Por uma constatação muito simples: onde estão os “jovens do futuro” que há 16 anos estiveram cá em Braga no VIII ENJE? Sinto que pertencem ao passado! E porquê? Porque nunca passaram de “jovens do fu- turo” porque talvez os “adultos do presente” nunca lhes tenham proporcionado verda- deiras oportunidades. Entretanto, neste 23.º ENJE, senti a espe- rança renascer na minha alma. Dos trintões, que pertencem à mesma molhada do que eu, vi apenas cinco ou seis, com grande tristeza minha, mas tive a honra de presenciar um encontro, de jovens, que me fizeram sentir que agora temos novamente gente.

Gente que estuda Espiritismo, que trabalhou para apresentar os seus trabalhos e que está como peixe na água naquilo que se relaciona com as novas tecnologias. Trabalhos espíritas apresentados com o recurso a todos os meios multimédia existentes actualmente, considerando que alguns deles pareciam ter sido elaborados por autênticos profis- sionais dos audiovisuais. Aquilo que para os “adultos espíritas” constitui um bicho-de- sete-cabeças é para eles canja!

O que é preocupante é poder imaginar que a oportunidade poderá também não surgir a estes jovens do presente. Porque eles são do presente! Poderão ser, para aqueles que tiverem vista, excelentes trabalhadores nas casas espíritas! Só assim será possível poder vê-los daqui a 15, 20 anos noutros encontros, noutros eventos… Assim, a nossa mensagem será dirigida àqueles que governam os centros, que olhem bem à sua volta e que não percam eles a oportunidade de dar oportunidade aos jovens presentes, sem serem patrões...

Quanto aos jovens, que continuem, paci- entes. A emoção destes encontros tende a esmorecer com o tempo. É necessário en- contrar motivação para a rotina diária dos centros espíritas. O contributo que podem dar é incalculável! Contamos convosco! Texto: Ulisses Lopes uerl@hotmail.