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Entrevista AnabelaCardoso A cidade espanhola de Vigo recebeu de 28 a 3

Jornal de Espiritismo nº 17 · Maio 2006Página 97 min

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Entrevista AnabelaCardoso A cidade espanhola de Vigo recebeu de 28 a 30 de Abril o II Congresso Internacional sobre a “Investigação Actual da So- brevivência à Morte Física com Especial Referência à Transco- municação Instrumental (TCI)”. Feitas várias entrevistas, aqui ficam para si. – Qual a pertinência deste 2.º Congres- so, após o primeiro? Anabela Cardoso – A pertinência é a de que me parece importante dar continuidade a uma iniciativa que são os Cadernos de TCI, ou seja de trazer outras perspectivas ao assunto.

Como viu, não trouxemos a este Congresso só defensores da sobrevivência a todo o custo, mas trouxemos o presidente do Instituto Metapsíquico de Paris (IMI), que não é adepto da sobrevivência, trouxemos, por exemplo, o Dr. Walter von Lucadou. Foi esse o meu desejo, porque temos de dizer às pessoas o que se passa, temos que ser sinceros, honestos e claros. Elas têm direito a saber, não temos de ser uns “tapa- -olhos”, nada temos a esconder!

Todos têm o direito de ser informados. Portanto, é uma perspectiva de continuidade, mas tam- bém diria, de variante, há tanta coisa nesse campo, não acha? Podemos entrar nas experiências fora-do-corpo, nas experiên- cias de quase-morte, de que já falou aqui o Dr. Peter Fenwick. Não sei se poderei fazer outro Congresso, porque isso dá muito trabalho. Gos- taria, mas iria então focar outros aspectos conducentes, não direi à conclusão que a sobrevivência existe, não necessariamente a essa conclusão, mas ao estudo dos fenó- menos relacionados com a sobrevivência.

E gostaria de o fazer de uma maneira clara, inteligente e honesta, sobretudo. – Quantos países estiveram presentes neste evento? AC – Quanto a participantes, veio gente de Portugal – bastante – de Espanha – bas- tante – dos Estados Unidos, de Inglaterra, da Argentina, do Brasil. Do Brasil veio uma pessoa de um Centro Espírita, tecnologica- mente muito avançado. E veio também gente da Itália, do Japão, da Finlândia, enfim de todos os cantos do mundo.

– Quantas pessoas terão estado aqui, mais ou menos? AC – Cerca de duzentas… – Há algo de novo desde o último Con- gresso? AC – Os contactos continuam, normal- mente. Creio que isso já é uma novidade! Mas também uma das grandes novidades é este contributo trazido, por exemplo, pelo Grupo Italiano. Eles têm estado a fazer algo excepcional, que é a análise policial, científica – não existe nada parecido no mundo para análise dos casos.

Não digo que seja na nossa vida, mas isto pode levar- -nos a algo que ainda não conseguimos, que é o reconhecimento oficial da questão da sobrevivência, pela ciência. Isso nunca foi feito. Não há um único artigo sobre a sobrevivência publicado numa revista como a “Nature”. Não existe! Quando falo da Ciência, refiro-me à Ciência oficial, com um “C” grande. – Que objectivos têm as vozes ou os espíritos que se comunicam?

AC – Como já referi, são os da sobrevivên- cia, a lei natural, a imortalidade da alma e a possibilidade de comunicar, que é algo muito importante. – De certo modo, estas vozes são uma confirmação das pesquisas de Allan Kardec. AC – Ah, sim! Eu gosto muito de Allan Kar- dec. Foi um homem muito esclarecido. Não o disse na conferência, mas vou escrever muito sobre Allan Kardec no meu relatório. Estive a visitar o túmulo dele, em Paris.

O Carlos quis fazer uma reportagem sobre Al- lan Kardec mas não conseguiu. Não, porque o não deixassem, mas não foi possível! Ninguém sabia quem ele foi! Até no Posto de Turismo nos disseram: “Não sabemos quem é!”. Nem como Kardec, nem como Prof. Rivail. Mas adorei ver o túmulo dele, quando estive em Paris, em Outubro. Tirei algumas fotos. Acho que ele foi um grande cientista! – Como vê a comunidade científica, acha-a mais aberta na busca da imor- talidade do espírito ou mais céptica?

AC – Sabe que os comunicantes e os comunicadores não são estúpidos, eles entendem muito melhor o poder trans- formador dessa passagem para o mundo seguinte, com muito mais capacidades (por isso é que é o seguinte, não o anterior). Por isso eu acredito que a TCI, e não só a TCI, vai continuar a ocupar-se deste tipo de investigação rigorosa, como está já a ser feito, por exemplo, pelo IL Laborato- rio. Esperamos que surjam outros grupos com o nível deste, se o conseguirem, com as mesmas possibilidades, e que sejam obrigados a confrontarem os factos.

Aí sim! A Ciência é cada vez mais materialista e num mundo que cada vez mais também se baseia no dinheiro das empresas que pagam as pesquisas científicas, acha estas o fariam para ver se existe Espírito? Ora, isso é de românticos – que eu também o sou – é puro idealismo! – A que conclusões é que chegou, após todas estas pesquisas feitas ao longo dos últimos anos? – Essa é uma boa pergunta (risos). – Ouve vozes de quem?

De falecidos? AC – Se quer a minha opinião pessoal, sim! Sim, sem qualquer dúvida, quer que lhe re- pita? Provar-lhe isso, não posso, mas sim, já falei com o meu Pai, com o meu Irmão Luís, com a minha Avó, a minha Nicha… – E conseguiu identificar as vozes? AC – Nunca fiz por isso, mas poderia. Só que, por exemplo, não tenho gravações da minha avó, nem do meu pai, nem do Luís. – Mas então como sabe que eram eles? AC – Porque me diziam assim: “Oh Bela, é o Pai, sou o João Cardoso…!

” ou “É o Luís…!” – “És tu, Luís?” – “Sim!”. – E nessa altura não estava a pensar neles? AC – Não, estava a comunicar e a receber as comunicações. Não faço evocações nenhu- mas! Eles queriam era comunicar directa- mente comigo e, nessa altura, começaram a fazê-lo! Ao princípio não entendi, mas a voz disse: “Sou o Luís”. Perguntei: “És tu Luís?” – “Sou o Luís, com certeza!” Disse mais qualquer coisa e, de seguida, veio outra voz que me disse: “O Luís já te ouviu!

” – Qual o impacte que poderá ter para a Humanidade a descoberta do Espírito, um dia? Será superior à Revolução Industrial? AC – Será superior a todas as revoluções que se fizeram na história da Humanidade e na história do planeta, creio eu! – Será a mudança total? AC – De todos os paradigmas… – Digamos que será um “New way of Life”? AC – Absolutamente. Texto: José Lucas, Sílvia Antunes . TCI: Carlos Fernandez – Carlos, é de Vigo?

Carlos Fernández – Sou Argentino, mas desde os 17 anos que vivo aqui em Vigo, na Galiza. – Foi um dos pioneiros da TCI em Es- panha? CF – Não, não. Sou Técnico de Electrónica. Quando Anabela Cardoso começou com as suas experiências, eu conhecia o tema, desde sempre me interessaram as EVP, que entre vós se chama Psicofonia, mas que agora é mais conhecido por Transcomu- nicação. Como dizia, quando a Anabela Cardoso começou as suas pesquisas, fui escolhido para ser o técnico responsável pelos aspectos técnicos, pelo verificar se tudo funcionava correctamente, para que não houvesse nenhum engano nem equívoco.

– E agora trabalha sozinho ou com algum grupo? CF – Neste momento não faço experiências, mas penso iniciar, ainda este ano, umas pesquisas a partir de ficheiros, com todos os factos técnicos. Acho que é algo ainda por fazer, a investigação, a pesquisa da forma como se produzem os fenómenos, para além das mensagens, do conteúdo que podem trazer as vozes ou as imagens. É muito importante, até pela minha forma- ção técnica, o tentar descobrir como se produzem os fenómenos e quais as suas características.

– E já conseguir algumas vozes, algu- mas gravações? CF – Sim, mas não foi por acaso. Foi no contexto do meu trabalho. Sou técnico de electrotécnica, mas sou também jorna- lista e, como tal, tenho encontrado muitos factos que, pela pesquisa, talvez nunca encontrasse. – Que tipo de aparelhos recomendaria a quem quisesse iniciar este tipo de experiências? CF – Recomendaria, para começar, algo muito simples, como um gravador.

E muita vontade! Isso sim, é imprescindível. Mais do que a técnica, é preciso ter muita vontade e ter em conta que, para gravar, praticamente qualquer aparelho serve. Mas para escutar e treinar, é preciso muita paciência, muita vontade e muito trabalho. – Ontem falou-se aqui no uso de com- putadores! Como é que estes podem ser utilizados para captar mensagens? Ligam-se e abrem-se num página do “Word”, por exemplo? CF – Não, tem de ter um programa específi- co de som.

Há muitos, mesmo do Windows, que é o mais popular de todos os sistemas operativos, mas mesmo os antigos, por exemplo, o “DOS”. Abre-se e tem-se todas as ”teclas” necessárias, como se fosse um gra- vador! Pode-se gravar, escutar, retroceder ou avançar. – É então um programa específico de som, certo? CF – Exacto, trata-se de um programa de som. – E deixa-se esse programa de som a gravar, num computador? CF – Sim, mas com o microfone ligado.

– Com o microfone ligado e o ruído “branco”, não é? CF – Exactamente, o ruído “branco” é acon- selhável. Mas há muitas técnicas, e cada pessoa, cada experimentador tem a sua própria maneira de actuar. Um gosta de um tipo de som de água a cair, outro do som de um emissor de rádio, enfim, a cada um a sua técnica, o seu gosto particular. Acho que há um factor a ter em conta, que não depende assim tanto da técnica, mas da própria situação em si, ou seja a gravação das vozes é muito mais do que técnica.