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Jornal de Espiritismo nº 17 · Maio 2006Página 85 min

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Entrevista David Fontana: Estudos da Imortalidade PUBLICIDADE PUBLICIDADE – Tem um livro que se chama “Is there an after life?” (Existe vida após a vida?) Prof. doutor David Fontana – Sim, esse é o meu último livro. – Esperamos que ele saia brevemente em Portugal. DF – Seria muito bom vê-lo traduzido em português, – Porque o escreveu? DF – Eis uma boa pergunta. O que eu que- ria, no início, era compilar todas as evidên- cias que tínhamos acerca da sobrevivência: evidências sobre a mediunidade, sobre experiências de morte aparente, sobre aparições súbitas, sobre a TCI (Transcomuni- cação Instrumental, - comunicação com os falecidos através de aparelhos electrónicos), sobre visões no leito de morte e também as evidências que temos da natureza do pós- vida, de como seremos se sobrevivermos à morte física.

Há um estudo detalhado de toda a gama completa de evidências e a conclusão, em- bora nunca cheguemos a estudá-las todas, constitui um forte débito de evidências. E falo da sobrevivência da consciência, da memória, dos sentimentos, das emoções, enfim de tudo o que quisermos nesse campo. – Após os fenómenos em Scole*, tem feito mais alguma espécie de pesqui- sas? DF – Neste momento, o meu campo de pesquisa situa-se na TCI, com Anabela Cardoso.

Estamos limitados, de momento, a uma só pesquisa. O motivo é o facto de estarmos a obter amostras das vozes recebi- das, pela TCI, por quatro ou cinco investiga- dores idóneos, como Marcelo Bacci, Hans Otto Koenig, Anabela Cardoso e eu próprio. As amostras obtidas são canalizadas para o Daniel Gullà, para análises “críticas”, e de seguida algumas destas amostras irão para análises “independentes”. A intenção é a de saber se as características das vozes, quando analisadas, são iguais às das vozes humanas normais.

As pesquisas prelimi- nares que fizemos com Daniel Gullà su- gerem que as vozes não têm as mesmas características presentes nas vozes huma- nas, o que representa um forte indício de que se tratam de vozes paranormais. – Como membro da Society for Psychi- cal Research, e lembrando sir William Crookes, outro nome como sir William Fletcher Barrett… DF – e Oliver Lodge … – Sim… e daqui a cem anos lembrare- mos também David Fontana.

DF – É muito gentil da sua parte! – Continuando, sendo membro da SPR, como é que esta instituição vê os fenó- menos espíritas, actualmente? DF – A Instituição, por si própria, não tem ideias colectivas sobre o assunto. Há sim apenas ideias-tipo individuais dentro do SPR, tal como na maior parte das socie- dades científicas. A SPR não tem um dogma particular, não tem um conjunto particular de conclusões, antes delega essa tarefa em cada um dos participantes, encorajando-os nas pesquisas.

E claro, ao longo de mais de cem anos, a SPR publicou inúmeros artigos de pesquisas em jornais, relatórios de con- ferências e, agora também, numa revista especializada no paranormal. – Pensa que a ciência necessita de novos paradigmas, no futuro, para a descoberta do Espírito? DF – Bem, penso é que a ciência tem de re- conhecer que, em áreas diferentes da ciên- cia, há mensagens também diferentes. No caso, não serão assim tantas, mas trabalham com diferentes espécies de dados.

Por isso, quando não se podem comparar, necessari- amente, os dados das pesquisas psíquicas com os de todas as matérias físicas normais. Mas podemos usar métodos similares e os da SPR são muito restritos. Mas temos de aceitar que quando lidamos com uma área como a da pesquisa psíqui- ca, a sobrevivência à morte, a natureza da mente, não podemos usar o mesmo tipo de leis científicas que aplicamos à física. Não podemos explicar os fenómenos psíquicos pelas leis de todas as matérias físicas, porque aqueles operam fora do espaço e do tempo, e estas dentro do espaço físico contínuo.

Isto é o que é a vida, a morte volta à morte no espaço físico contínuo, por isso, se sair- mos do espaço e do tempo, e se estivermos preparados para aceitar os factos como eles são, veremos que isto não está fora da ciên- cia, é apenas uma adição, uma mais-valia para a própria ciência, não entra em conflito com a ciência material. – Que consequência trará para a Hu- manidade a descoberta do Espírito e da imortalidade?

DF – Sempre me surpreendeu o pouco in- teresse das pessoas por essa área. É incrível! Na realidade é a questão mais importante com que nos deparamos: sobreviveremos à morte? Nos dias de hoje, a maioria das pessoas não parece muito interessada nesse aspecto! Mas se conseguíssemos demonstrar que sobrevivemos à morte, isso traria, naturalmente, implicações tremendas para o comportamento humano, nesta vida, porque se houver um pós-vida, não um mundo de castigos e punições, como imaginamos ser o inferno, mas sim um mundo de vida apaziguador, em que os espíritos sentem as dores e as emoções que provocaram nos seus semelhantes, a verdade é que isso seria mais benéfico, mais conveniente, com a ideia de que esta vida não é apenas um acidente biológico, mas um espaço em que temos de lutar contra o egoísmo, algo que tem a ver com o cuidado, a compaixão, com esta corrente de parentesco, de afinidades.

Isto porque o auto-materialismo é mais do que uma unidade, da qual não estamos, na verdade, separados, na medida em que Deus, nesta vida, não separou o corpo da alma. Eis porque escrevi o livro, no qual tentei idealizar como será a vida após a morte, nos diferentes níveis do pós-vida, porque mudamos para níveis cada vez mais consci- entes, de acordo com a nossa evoluçãoeo merecimento espiritual. Por isso, o modo como vivemos esta vida tem bastantes implicações nesse aspecto.

Eis porque, na verdade, considero a sua pergunta muito pertinente. Sabe que há pessoas que, às vezes, me dizem: “É louco, não se preocupe com isso, tem é de viver a vida, uma vida boa, ter o que deseja neste mundo, ter uma boa carreira, para quê preocupar-se com o pós-vida?”. E eu respondo que há duas razões para isso: uma é a de que precisamos saber o que nos vai acontecer quando morrermos, e a se- gunda, como consequência, é de sabermos se isso afecta o modo como vivemos neste mundo.

Tudo isto tem uma importância tremenda! – Quer dirigir algumas palavras ao povo português? DF – Sou muito afeiçoado ao povo portu- guês, amo muito Portugal. Guardo recorda- ções muito boas do tempo que vivi em Portugal. Gostaria, pois que transmitisse “love and blessings” aos meus amigos portugueses. Texto: José Lucas e Sílvia Antunes.