Julieta Marques Homenageada
Jornal de Espiritismo nº 17 · Maio 2006Página 58 min
Notícias JULIETA MARQUES HOMENAGEADA Em 2004, o Núcleo Espírita Rosa dos Ventos (NERV), com sede em Leça da Pal- meira, concelho de Matosinhos, instituiu o Tributo Espírita Rosa dos Ventos. Com ele quis passar a distinguir anual- mente, por ocasião do aniversário da sua fundação, uma personalidade que se destacasse pela relevância dos seus présti- mos e dedicação ao movimento espírita. Naquele mesmo ano conferiu pela primeira vez o tributo, sendo Divaldo Pereira Franco o galardoado.
A Direcção do NERV, ao programar as comemorações do seu 28.º aniversário, ocorrido em Abril passado, deliberou escolher MARIA JULIETA MARQUES para agraciar com o seu tribu- to espírita de 2006, no âmbito nacional; e JOSÉ RAUL TEIXEIRA, no âmbito internacional. A sessão solene de aniversário teve lugar na tarde de 22 de Abril último, no salão nobre da Junta de Freguesia de Leça da Palmeira. Em testemunho de apreço pelo NERV e seus diri- gentes, compareceu o presidente da Junta, dr.
Paulo Valada, acompanhado da secretária da mesma Junta, Maria José Regufe, e do vereador Basílio Mota Ramos. Dignificaram também o acto com a sua presença, o presidente da Federação Espírita Por- tuguesa e representantes de associações espíritas do distrito do Porto. A cerimónia, valorizada com a apresentação segura e agradável de Maria Áurea, trabalha- dora do NERV, teve início às quinze horas com a palestra de abertura.
Proferiu-a, com visí- vel interesse do auditório, o presidente da Federação Espírita Portuguesa, Arnaldo Costeira, sob o tema O Livro dos Espíritos. Seguiu-se-lhe o presidente da instituição aniversariante, José António Luz, abordando o tema A Casa Espírita, e ainda a palestra de Julieta Marques, Eutanásia, com apoio de projecção em tela. Finalmente, chegou a parte que, apesar do manifesto agrado com que tudo foi decor- rendo até então, teve o mérito de se tornar a mais viva e animada da tarde: a homenagem a Maria Julieta Marques, uma das figuras mais activas e conhecidas na militância espírita nacional.
A apresentadora do evento, depois de ler o riquíssimo curriculum da homenageada, convidou-a para a tribuna e deu-lhe a palavra. Julieta, para muitos espíritas portugueses a Tia Julieta, agradeceu emocionada mas sempre comunicativa e espontânea, começando por declarar que já quase nem se lembrava de al- gumas realizações acabadas de ouvir durante a leitura do seu vasto curriculum. Acrescen- tou que estava habituada a ir fazendo as coisas, à medida que se tornavam necessárias.
A partir daí, sempre comovida, empolgou-nos a todos com o testemunho quente e colorido de como conhecera o Espiritismo, há mais de 40 anos, em Lagos, e nele encontrara a bóia de salvação durante uma crise duríssima da sua vida ainda em flor, mas ensombrada já por tentações de suicídio. Contou como alguns anos mais tarde se opôs ferreamente ao encer- ramento da hoje quase centenária Associação Espírita de Lagos, por falta de médiuns, que entretanto haviam falecido, e escassez de adeptos.
Julieta cativou totalmente o auditório, que não se cansou de ouvi-la. O presidente da FEP (perdoe-me o caro Arnaldo Costeira, mas a sua espartana formação castrense não nos habituara a efusões de emotividade) surpreendeu agradavelmente ao romper o protocolo do evento e tomar a palavra em louvor do tributo prestado àquela mulher valorosa. Todos rivalizámos em abraçá-la e acarinhá-la, depois de ela receber das mãos do presidente da FEP o estojo contendo uma placa gravada, alusiva ao Tributo Espírita Rosa dos Ventos 2006.
Para lá de eventuais aspectos controversos das homenagens pessoais, que se possam invocar em nome da ética espírita, apraz assinalar a atmosfera de bem-estar e júbilo que impregnou naquele dia o salão nobre da Junta de Freguesia de Leça da Palmeira. Todos se sentiram felizes ao confraternizarem com a intemerata companheira de lide espírita, regosijando-se com o seu edificante exemplo de devotamento, seguros de que a simpli- cidade da encantadora obreira nunca a deixaria tomar-se de ridículas vaidades.
Naquela doce tarde primaveril, a figura de Julieta Marques, centro da atenção e apreço dos presen- tes, uniu-os no carinho e respeito que lhes inspira a sua fecunda carreira espírita. Fugindo à tendência endémica para a desunião nas nossas colectividades (não apenas políticas, culturais, desportivas, mas também… religiosas!), bem haja o Núcleo Espírita Rosa dos Ventos pelas estimáveis actividades correntes e periódicas com que não só transcende a pequenez da sua dimensão material como ainda logra constituir-se em apre- ciável foco de união e fraternidade dentro do movimento espírita.
Texto: João Xavier de Almeida ADEP NA RÁDIO A Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal, no dia 26 de Maio, participou num debate organizado pela Rádio Bombarral (94.8 FM) sobre a vida para além da morte, que foi moderado pelo jornalista João Carlos Costa. A pergunta “Haverá vida para além da morte?” foi uma pedrada no charco sob a batuta desta rádio. A partir do salão da União Filarmónica de A-da-Gorda (Óbidos), os represen- tantes da ADEP, Ulisses Lopes e José Lucas, falaram da doutrina espírita e responderam a inúmeras indagações, uma vez que a assistência mostrou um grande interesse pelo tema.
Passaram a ideia constante de obras de Allan Kardec segundo as quais «o Espiritismo estuda a origem, natureza e destinos dos espíritos, bem como as relações existentes entre o mundo espiritual e o mundo corpóreo». «Esta doutrina defende a existência de Deus e a imortalidade da alma, diz-nos que já vivemos muitas vidas antes desta e que viveremos muitas mais», referiu um dos oradores, que adiantou: «O Espiritismo demonstra experimentalmente que somos imortais, que o espírito é eterno, que apenas o nosso corpo morre.
Os médiuns comunicam com aqueles a quem chamamos de mortos, mas que estão tão vivos como nós numa outra dimensão», afirmou o espírita e director do Jornal de Espiritismo, Ulisses Lopes. Percebeu-se que é fundamental alertar as pessoas para os «falsos médiuns espíritas», que aproveitam as crenças das pessoas para lhes extorquir dinheiro: «Os espíritas não colocam anúncios nos jornais prometendo curas e resolução de problemas.
Quem assim procede não é espírita. Os médiuns espíritas não cobram, não aceitam dinheiro e auxiliam com completo desinteresse». No fim, não houve dúvida de que «o Espiritismo não é mais uma religião, nem mais uma seita. É ciência, é filosofia e moral. Trata-se de uma doutrina sem chefes, hierarquias, rituais, cerimónias, santos ou vestes especiais». «Acreditamos que os ouvintes não se interessam unicamente pela informação do dia-a- -dia», disse Gracinda Carvalho, responsável pelo Departamento de Comunicação da referida estação emissora.
IV JORNADA ESPÍRITA DE BARCELONA A IV Jornada Espírita de Barcelona, cele- brou-se em 29 de Abril no conceituado Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (CCCB), tendo como tema «Me- diunidade segundo orientação espírita». Organizado pelo Centro Espírita Amália Domingo Soler e com o apoio da Federa- ção Espírita Espanhola. David Estany Prim, da Associação Espírita Otus e Neram, de Tárraga, apresentou a confer- encia «Jesus e o Espírito de Verdade».
Falou--nos como se dá o conhecimento espiritual desde o plano espiritual ao plano físico. Sobre a primeira revelação (Moisés), a segunda (Jesus) e a terceira (Espiritismo), analisando em todas elas as diferentes linhas de opinião abertas e como o espiritismo as estreita. Analisando ainda as formas de mediunidade que deram em todas as revelações, bem como seus defensores, detractores e as distintas escolas criadas. Sílvia Pezoa, do Centro Espírita Amália Domingo Soler, de Barcelona, realizou a conferência «A caminho de uma melhor compreensão de nossos irmãos os animais: O Princípio espiri- tual e uma visão anatomo-fisiológica do encéfalo».
A evolução da nossa sociedade reflecte uma crescente inquietude no que diz respeito aos direitos dos animais. No meio espírita esta preocupação é cada dia mais presente e muitas são as hipóteses para entender a questão espiritual, capacidades inclusive as mediúnicas… “Com base nos livros da Codi- ficação, na literatura espírita, em investigações científicas na razão e no amor dirigido aos animais, procuramos ampliar a luz que ilumina nosso caminho em rumo à compreensão e ao respeito que pelos séculos lhes temos negado”, conclui a etóloga.
Juan Manuel Ruíz, do Centro Espírita José Grosso, de Huelva, apresentou «Dialéctica do feito mediúnico». Com um trabalho apresentado em duas partes: a primeira fala-nos do “psiquismo e mass media”; a evolução do acto mediúnico desde a criação das civilizações antigas até aos dias de hoje no que convive igualmente com a tecnologia e os elementos mass media de nossos dias… A segunda “mediunidade e mediunismo; reflexão sobre a qual é, exactamente, a proposta espírita ante a mediunidade, apoiando-se, em parte, no conceito de mediunidade de Akasakof.
Dévora Viña, da Associação Espírita Andaluza Amália Domingo Soler, de Córdoba, brin- dou-nos com «A mediunidade artística». Breve introdução sobre o que é a mediunidade e suas diferentes tipologias. Apresentação de médiuns distintos que desenvolveram diver- sas facetas de mediunidade artística: psicopictografia, médiuns auditivos que receberam composições musicais, psicopictografia e um caso de precipitação de pintura sobre um lenço.
Todo ele bem documentado e acompanhado da opinião de críticos de arte e inves- tigadores conhecidos. Para finalizar, uma explicação sobre as diferenças entre fenomeno- logia ou mediunidade e Espiritismo, fazendo constar a vital importância do estudo para se entender qualquer tipo de manifestação. Dra. Lígia Almeida, presidente da Associação Médico-Espírita do Porto, Portugal, (AME PORTO www.ameporto.org ) realizou um Seminário sobre «Mediunidade: Estrutura psico- neurofisiológica da integração Cérebro-Mente-Corpo-Espírito».
Breve histórico da medi- unidade através dos tempos, seguido de uma definição de mediunidade caracterizando-a como elemento cognitivo como componente do corpo físico e suas implicações psico- neurofisiológicas. Introdução do conceito de perispírito como agente integrador Cérebro- Mente e Corpo-Espirito. Finalizou com uma explicação neurofisiológica do processo de intercâmbio mediúnico. Texto: Ester Pinto Legenda da foto: Lígia Almeida COMUNHÃO ESPÍRITA CRISTÃ DE LISBOA Comemorando este ano o seu 25.
º aniversário, a COMUNHÃO tem convidado, mensal- mente, um orador de cada Centro, procurando, assim, a confraternização e união com todos os centros do País. Nesta conformidade, já estiveram entre nós, José António Luz, do Núcleo Espírita Rosa dos Ventos, de Leça da Palmeira; José Luiz Ucha Pereira, da “Associação Euripedes de Barsa- nulfo”, de Porto Salvo; Isabel Saraiva, da “Associação Espírita de Leiria”. Falou entretanto Reinaldo Barros, de Faro e, a encerrar estes convites, terminámos em 18 de Junho com Rui Manuel Barros Marta, do Centro Espírita “Casa do Caminho”.
Aproveitando esta comemoração, a COMUNHÃO lançou, no próximo dia 27 de Maio o úl- timo livro da trilogia dedicada ao Movimento Espírita em Portugal: chama-se “Alguns Vultos do Movimento Espírita Português”, e refere vultos do movimento primitivo ou de alguns (poucos) que fizeram a ligação entre o passado e o presente. Lembramos que a primeira obra desta trilogia foi o livro “Fernando de Lacerda, o médium português”, e a segunda “MEPtentativa histórica do Movimento Espírita em Portugal”.
O livro que sai agora, composto, tal como o segundo, em fotocópia, com encardernação em plástico, custa a módica quantia de 15 euros. É um livro que interessa às bibliotecas dos centros e, ainda, a algum espírita mais dedicado que queira conhecer um pouco melhor quem foram os nossos precursores. Como com os anteriores, os direitos de autor foram oferecidos à COMUNHÃO.
