Pesquisa Pedras de outro mundo O casal à nossa frente vinha nervoso
Jornal de Espiritismo nº 18 · Setembro 2006Página 105 min
Era a primeira vez que estava num centro espírita, a pedir ajuda. Não sabia o que iria encontrar. O motivo, esse, era mais que importante: em casa tinham fenómenos esquisitos – pedras que voavam, objectos que mudavam de local, telemóveis activados por ninguém, enfim… estavam com os nervos em franja. Restava como último recur- so o centro espírita… Casal simpático, na casa dos 40 anos, das cercanias de Lisboa, veio até ao centro espírita.
O problema era grave. Há uns tempos que a sua vivenda era apedrejada; apresentaram queixa na Polícia Judiciária, na GNR local, contra incertos, sem qualquer resultado. Montaram câmaras de vigilân- cia que cobrisse todo o quintal, e apesar dos ameaçadores cães, dos muros altos, os fenómenos continuaram a acontecer. Pediram a um padre seu conhecido que benzesse a casa. Benzida, de nada valeu. Inicialmente, pensaram que fosse alguma partida, uma brincadeira bem gizada.
Mo- bilizaram uma dezena de amigos, fizeram vigílias pela noite dentro, dias a fio, muni- dos de armas de caça. Nada! Os fenómenos continuavam, as pedras eram arremessadas, tiros eram disparados no escuro, procu- rando afugentar os prováveis brincalhões. Sem efeito. Durante essas perseguições as pedras continuavam a ser arremessadas com pontaria, no meio da escuridão total. De repente, a fenomenologia modificou o rumo dos acontecimentos: passou a acontecer dentro de casa e aí as opiniões mudaram, pois a casa é murada e protegida com ferozes cães.
Passados 4 anos de fenó- menos deste género, que ora aparecem, ora desaparecem, decidiram-se solicitar ajuda a um centro espírita. Os vários amigos que assistiram aos fenómenos, apelidaram o espírito de “Pedras”. Tomámos nota do ocorrido e, no fim do atendimento ao público, um espírito amigo informava a equipa de centro espírita, que aquele caso ter-nos-ia aparecido para o irmos investigar. Contactado o departa- mento de pesquisa da Associação de Divul- gadores de Espiritismo de Portugal (ADEP), este pôs os pés ao caminho.
Durante bastante tempo, uma equipa de quatro elementos foi pesquisar o caso, tendo assis- tido a vários tipos de fenomenologia como o aparecimento espontâneo de moedas vindas do nada, movimento de moedas de um compartimento para o outro sem que ninguém o tivesse efectuado, aparecimento espontâneo de pedras que apareciam do nada, arremesso violento de pedras contra a parede e portões, foram alguns dos fenómenos a que pudemos assistir.
Muitos outros não pudemos confirmar por não se terem produzido na nossa presença. A credibilidade das pessoas é grande, uma vez que não se vislumbrou nenhuma motivação para que estivessem a fraudar; não pretendiam notoriedade, não tinham a casa à venda, não divulgaram o assunto a não ser junto de um número restrito de amigos, apresentando um dos elementos do agregado familiar, inclusive, medo e cansaço em relação ao fenómeno.
A equipa de pesquisa teve o cuidado de controlar bem os presentes, de modo a que não houvesse qualquer tipo de fraude. Um dos elementos da equipa solicitou numa das suas muitas idas ao local, que o acom- panhasse um militar seu colega, céptico em relação ao assunto. Depois de ter tido uma recepção de pedras que eram arremessadas violentamente contra o muro de chapa, bem como suavemente na vertical junto de nós, e a nosso pedido, fez o seguinte comentário: “não consegui ver nada que pudesse corroborar a falta de veracidade dos fenómenos” (Maj.
- na altura CapitãoJoão Paulo). Pudemos verificar “in locco” uma moeda que colocada por nós na cozinha e com a porta entreaberta, passado cerca de 3 minutos apareceu na sala sem que nin- guém lhe tocasse. Caso passasses pela porta teria de efectuar um desvio de 45º para poder sair da cozinha. Noutra situação, caiu-nos aos pés, vindo do nada, um botão novinho em folha, de um par de calças de ganga. De todos os presentes ninguém tinha falta de botões.
Posteriormente, verificámos que uma ca- vilha da janela da sala fora projectada para o exterior. Já no fim da nossa 1.ª visita, o eng.º Curado, director de pesquisa da ADEP, em jeito de brincadeira, referiu: «Bem, o “Pedras” agora podia fazer outra para a des- pedida» e passados uns segundos, caiu-lhe aos pés a cavilha que tinha sido depositada no parapeito da janela pela enésima vez. Recolhemos as pedras, moedas e o botão que se encontram na posse da equipa da ADEP.
Aquando da visita juntamente com o então capitão João Paulo, estando a equipa de pesquisa muito atenta a todos os passos do casal para tentar decifrar alguma fraude, de repente, este militar puxa de um cigarro, e ao buscar o isqueiro repara que o deixara dentro de casa, na mesa da sala. Pediu lume à dona da casa, que também estava a fumar e esta referiu que também deixara o isqueiro no interior. Ao iniciar a marcha para ir buscar o isqueiro este caiu aos pés do capitão João Paulo, não tendo havido qualquer hipótese de fraude já que qualquer movimento seria de imediato notado por nós.
Contactado o posto da GNR local, o sol- dado de serviço confirmou-nos a queixa e o ocorrido, pois ele próprio estava no local, desconhecendo a causa. O próprio jipe da GNR fora apedrejado, por incógnitos, referiu um militar da GNR. Falámos também com o padre católico, muito culto, que se deslocara à casa para a benzer. Recebeu-nos afavelmente expli- cando que não mais voltaria ali, pois na casa nada acontecera, mas naquela noite acordara com um forte estrondo, no seu próprio quarto, no colégio / seminário onde é professor, e lá para as duas da manhã os livros caíam inexplicavelmente das pratelei- ras.
E qual o porquê de toda esta andança? O espírito, invocado no centro espírita, manifestou a vontade de afastar o marido desse casal, dada a paixão que esse espírito denotava pela senhora da casa. Esclarecido de que não poderia lá ficar, de início ficou assustado com a perspectiva de largar a sua apaixonada. Certo é que desde então não mais choveram pedras, havendo apenas fenómenos simples e inofensivos. A dona da casa acabou por se interessar pelo Espiritismo e frequenta hoje uma associação perto de Lisboa.
