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Entrevista François Brune Conferencista muito apreciado por estes e ou

Jornal de Espiritismo nº 19 · Novembro 2006Página 116 min

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Entrevista François Brune Conferencista muito apreciado por estes e outros temas afins, François Brune é padre e autor de muitos livros, entre os quais se encontram “Os Mortos nos Falam” e “Linha Directa do Além”. Fala agora em exclusivo para os nossos leitores… Tem alguma experiência com a Transco- municação Instrumental (TCI)? Padre François Brune – Nunca fiz nenhuma tentativa para receber, eu próprio, as vozes através da TCI.

Mas assisti, frequentemente, a pesquisas feitas e estive muitas vezes presente quando as vozes se manifestaram por magnetofone (gravador) e tive também a ocasião, em Grosseto, Itália, com Marcelo Bacci, de falar directamente com uma enti- dade, através do altifalante de um aparelho de rádio. Conheço bem o seu livro “Os mortos nos falam” e um outro escrito em parce- ria com um professor da Sorbonne, Rémy Chauvin. FB – Sim, “Linha Directa do Além” (“À l’ Écoute de l’Au-delá”).

Há também uma tradução em castelhano. E tem também uma em português. Quem é que se comunica através dos médiuns, sejam eles humanos ou pela TCI, são pessoas falecidas? FB – Penso que a maior parte das vezes comunicamos com os mortos, que vivem agora numa outra dimensão. Vou fazer-lhe uma pergunta que poderá parecer provocatória: não será um paradoxo para um padre católico, em que a Igreja Católica acredita que Jesus se fez homem para salvar a Hu- manidade?

Ora se há Humanidade ou seres inteligentes noutros planetas, é porque a Humanidade não está só na Terra. Como fica então a teologia? FB – Para mim, isso não é nenhum pro- blema, pois não posso falar em nome da teologia católica, até porque não há sobre isso qualquer posição oficial. Apenas posso dar a minha opinião pessoal. O que penso é que todos esses planetas, todos esses mun- dos, todos esses seres inteligentes, foram criados pelo mesmo Deus – não há outro – e foram também criados pelo amor e, provavelmente, eles conheceram o mesmo drama da liberdade.

Serão necessários novos paradigmas para que a ciência descubra o espírito? FB – Sim, creio que a ciência deve adaptar- -se a uma realidade que lhe escapa neste momento. Podemos fazer uma compara- ção: se eu for à pesca, para apanhar peixes tenho de lançar a linha e tenho de a adap- tar à posição do peixe. Não posso pedir ao peixe que siga o atalho que corresponde à posição da linha! As linhas são as teorias científicas para “apanhar” a realidade.

Se conservo essa mesma linha, nunca con- seguirei “apanhar” a tal realidade que me es- capa. É pois necessário que a ciência aceite mudar esses paradigmas, para se adaptar a novos níveis de realidade que de momento, repito, lhe escapam. É verdade que no Vaticano há padres cientistas que pesquisam esta área? FB – Sim, tenho a certeza que existe uma pequena equipa, composta de dois ou três padres, que estão ao corrente e que conhecem estes fenómenos.

Se fazem eles próprios as pesquisas, isso já não sei. Havia o padre Andreash Resh, que criou um Insti- tuto de Parapsicologia, o “Instituts für Gren- zgebiete der Wissenschaft” – IGW – “, em Innsbruck. Ele ensinou durante muitos anos os fenómenos paranormais num Instituto que dependia da Universidade Pontifical de Latrão. Ele abandonou esses cursos para se dedicar, agora, a outros trabalhos. Mas con- tou-me que, por vezes, alguns cardeais lhe chegaram a pedir se não poderiam obter quaisquer comunicações, por exemplo, das suas mães (sorriso).

A prova científica da imortalidade será considerada uma revolução para a humanidade, como o foi a Revolução Industrial? FB – Sim, normalmente deveria ser até uma revolução ainda maior, mas nunca será assim, sabe? Na Idade Média, no Ocidente, todos ou quase todos acreditavam na vida eterna. E não se tornaram santos por causa disso! Continuou a haver criminosos, havia homens cheios de orgulho, homens ávidos de poder, de dinheiro… Essa verdade não fez o mundo mudar muito!

Actualmente, cremos menos na vida eterna e estamos talvez mais em risco de nos tornarmos “monstros”, mas não bastará “encontrar” a vida eterna para que todos se tornem “santos”. Dos casos que conhece, que objectivos têm os espíritos, as pessoas falecidas, que se comunicam através da TCI ou dos médiuns? FB – Dois motivos fundamentais: o primeiro é o de consolar os seres queridos que deixaram na Terra e que se encontram, muitas vezes, desesperados; o segundo é o de confirmar que a vida continua imedi- atamente após a morte, que Deus existe – dizem-no frequentemente – que nos espera, que nos criou por amor e que todo o sentido da nossa vida na Terra é o de crescer nesse amor.

Que outros cientistas conhece que es- tejam a pesquisar esta área da comuni- cabilidade com o mundo espiritual? FB – Há muitos já, actualmente. Há Sinesio Darnell, em Espanha, o Prof. Senkowski, o Hans Otto König, temos também, na Itália, o Daniele Gullà, o Paolo Presi e ainda mais, no Brasil, em França… Infelizmente, não há um nível científico elevado, em França, nesse campo. Seria preciso muito mais. Creio que o melhor trabalho está a ser feito, actualmente, em Itália.

Houve resultados extraordinários com Adolf Holmes, na Alemanha, mas esse não eram um pesqui- sador, era alguém que recebia uma grande quantidade de mensagens, de comunica- ções, mas que não tinha formação científica para fazer pesquisas. No Luxemburgo, igual- mente, o casal Julles e Maggy obtiveram numerosas e magníficas comunicações, mas não possuíam os meios intelectuais e laboratoriais para realizar essas pesquisas.

Da mesma forma, o alemão Klaus Schreiber, falecido recentemente, não tinha os meios necessários para a pesquisa científica. Há muito poucos cientistas interessados nestes fenómenos, infelizmente muito poucos, mesmo… Mas as experiências são válidas? FB – Sem dúvida, tudo isso não impede que os resultados obtidos sejam extraordinários, bem entendido. Conheci muito bem o casal Julles e Maggy, conheci também Adolf Holmes, pessoalmente e sei que não existe qualquer espécie de fraude.

Assisti a algu- mas experiências com ele, com o casal que já referi, no Luxemburgo, e com Marcelo Bacci também! Bacci não tem formação científica e, no entanto, consegue resulta- dos extraordinários… só que não consegue prosseguir os estudos! Tem alguma mensagem que queira transmitir aos espíritas portugueses, ou aos portugueses, em geral? FB – Gostaria que continuassem a trabalhar neste sentido. Que continuem a progredir no amor, cada um na sua vida, porque estamos na Terra para aprender a amar.

Que utilizem estes meios de comunicação com o Além para confortarem a sua fé e mesmo a fé cristã, apesar do estado em que se encontra a Igreja. Esta Igreja que não é fiel à mensagem do Cristo, mas esperemos que um dia se renove, é preciso que se trabalhe para isso. Mas, principalmente, é necessário conservar a fé, a fé cristã. Entrevista: José Lucas. Tradução: Sílvia Antunes . Colhida durante o II Congresso In- ternacional sobre a “INVESTIGAÇÃO ACTUAL DA SOBREVIVÊNCIA À MORTE FÍSICA COM ESPECIAL REFERÊNCIA À TRANSCOMUNICA- ÇÃO INSTRUMENTAL (TCI)” – 2006.

BIOGRAFIA: FRANÇOIS CHARLES ANTOINE BRUNE Teólogo e especialista em misticismo oriental e ocidental. Desde há muitos anos é considerado um observador atento da investigação psíquica (desde 1987) e da TCI. Conferencista muito apreciado por estes e outros temas afins. É autor de muitos livros, entre os quais se encon- tram: “Os Mortos nos Falam” e “Linha Directa do Além”. O padre François Brune obteve os di- plomas de Latim, Grego e Filosofia do ensino secundário.

Após quatro anos na Sorbonne, diplomou-se em Latim e Grego, tendo feito cinco anos de estu- dos de pós-graduação em Filosofia e Teologia, no Instituto Católico de Paris e um ano adicional na Universidade de Tuebingen, na Alemanha. Possui os mais altos graus de Teologia, Grego e Hebraico Bíblico, e Hieróglifos Egípcios e Babilónicos da Assíria. Tem tambémapós-graduação em Escrituras Sagra- das, do Instituto Bíblico de Roma.

O padre Brune ordenou-se sacer- dote em 1960. É autor de numerosas publicações eruditas e de vários livros sobre assuntos teológicos e sobre fenómenos paranormais, com especial referência para a sobrevivência após a morte e a comunicação com os mortos: “Pour que L’homme Devienne Dieu”, Editions Dangles, nouvelle édi- tion 1992 “Christ et Karma”, Editions Dangles, 1995. “Les Miracles et Autres Prodiges”, Editions Philippe Lebaud/ OXUS, 2000.

“La Vierge du Mexique”, Editions Le jar- din des livres, 2002. “Saint Paul, Témoin Mystique”, OXUS, 2003. “Les Morts Nous Parlent”, Philippe Lebaud/OXUS, nouvelle édition 1996. “A L’écoute de L’au-Delà” (with Professor Rémy Chauvin) OXUS, 2003. “Le Nouveau Mystère du Vatican”, Editions Albin Michel, 2002.