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Jornal de Espiritismo nº 19 · Novembro 2006Página 124 min

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Crónica Apologia das Mãos PUBLICIDADE Da infinidade de meios de comunicação, a escrita manual é, talvez, o mais simples, mais có- modo e, sobretudo, mais interventivo. Perpassando os olhos pela complexidade do corpo humano, forçosamente se ob- serva quão harmoniosa é a engrenagem que o compõeea precisão que o carac- teriza. Qualquer pequena célula merece um gracioso comentário, qualquer órgão é digno de espontânea referência, mas as mãos simbolizam hinos de grandioso júbilo ao Pai Criador.

O poeta português Manuel Alegre dedicou um poema a estas extremidades do corpo que o cantor Adriano Correia de Oliveira musicou e cantou: “Com as mãos se faz a paz, se faz a guerra / Com as mãos tudo se faz e se desfaz …” numa epopeia de senti- mentos contraditórios a que estes órgãos se submetem de acordo com o estado emocional e mental de quem os dirige. José Fontinhas, nome verdadeiro de Eu- génio de Andrade, não teria alcançado o sucesso que o caracterizou se não tivesse escrito o poema «As Mãos e os Frutos», no ano de 1948 e editado nove vezes em 1980.

“Mãos plantando, compondo, passando tijolos”, mãos que cavam ou cortadas nas linhas de pesca, “catando no lixo”. Mãos dormentes, recém-nascidas, “mortas”, são evocadas na canção «Mãos», de Sueli Costa e Aldir Blanc. Efectivamente, nos mais variados aconte- cimentos da vida humana, são as mãos que personalizam amizade, graça, virtude, dor, amargura ou rude falsidade … Ao lembrar as mãos de Verónica enxugando o rosto de Jesus, de Simão que Lhe carregou a cruz, de Gandhi, Teresa de Calcutá ou Fernando Nobre que, perseguindo gestos de ex- cepcional humanismo, alertam a Ciência e a vontade política para a resolução de grandes causas, a alegria vai-se estampando no nosso rosto.

Mas que dizer das de Caim ou de Judas? De Vespasiano ou de Hitler? Todas elas são organicamente idênticas, pese embora a cor, o tamanho ou a textura celular, mas o coraçãoea mente que as comanda é que as diferencia. Diversidade Não há dúvida que há mãos que se abrem em gestos de amorosa caridade e mãos que se fecham em profunda impostura. Mãos que batem e mãos que abraçam. Mãos que dãoemãos que recebem. Mãos puras e mãos que escondem sangue de inocentes.

Mãos que aliviam e mãos que odeiam. Mãos que curam e outras que amarguram. Mãos que se erguem em nome da verdade e mãos que empunham apenas falsidade. Mãos que amparam e outras que desiludem. Mãos que levantam e mãos que empurram. E as mãos que interagem com os Espíri- tos na confirmação da sobrevivência da consciência humana após a morte física? Trazendo simplicidade e facilidade prática à escrita automática, elas fidelizam as carac- terísticas do estilo e da cultura dos comuni- cadores já desencarnados.

As dúvidas levantadas pelos incrédulos não impedem que estas mãos laboriosas se desdobrem em aguerrida demonstração da veracidade da sobrevivência dos signatários das mensagens que transcrevem em prosa, em verso ou até numa língua que não tiveram oportunidade de aprender. A par das mais recentes técnicas de TCI, Transcomunicação Instrumental, surgidas na Europa e também nos Estados Unidos, muitas mãos de homens e de mulheres, com a devida calma e recolhimento, “sem impaciência, nem ansiedade”, estabelecem relações fluídicas com os “mortos”, num intercâmbio de intenções.

Posicionando-se na cúpula desta nobre tarefa, Francisco Cândido Xavier, brasileiro, é reconhecidamente quem mais se destaca entre os inúmeros seres que, no decurso do século XX, grafaram, numa modalidade mediúnica de comunicação com os Es- píritos, as verdades alcançadas por “habi- tantes do Além”. A propósito deste grande médium, julgo não haver espírita que desconheça a existência da linda saudação, por ele recebida em dois minutos, na sede da União Espírita Mineira, escrita em carac- teres invertidos e em idioma inglês, língua que ele não dominava, após um concerto de beneficência, realizado no dia quatro de Abril de 1937.

Não sabendo definir tecni- camente o que consigo se passava, Chico Xavier afirmava: “os espíritos amigos tomam o meu braço e escrevem o que desejam”, ao mesmo tempo que “observo que minhas faculdades se acentuam em todos os seus aspectos”. Também as mãos de Divaldo Pereira Franco, precioso divulgador brasileiro dos Celestes Ensinamentos, por muitas partes do Globo, se comprazem num escrupuloso afinco, a reproduzir mediunicamente os ditames das almas que viveram na Terra, que constante- mente emergem do “outro lado da vida”.

Com entusiasmo No planeta que hoje habitamos existe um sem-número de mãos “sem rosto” que harmoniosamente nos brindam, pela via da psicografia, com um manancial de doces melodias informativas, num contínuo avanço de esforços no preponderante de- sempenho da difusão da Doutrina Espírita. É através da mediunidade desses laborio- sos trabalhadores que já nos achamos em condições de comunicar com os Espíritos tão fácil e rapidamente como o fazem os homens entre si e pelos mesmos meios: a escrita e a palavra.

Que bela oportunidade de a Ciência diligenciar a pesquisa de dados e factos narrados, abrindo, assim, óptimas possibilidades de metódico e profundo trabalho!!! Justo será, pois, reconhecer o mérito e a estima que nos merecem aqueles que, no dizer de Maria Dolores (Espírito), se entre- gam às mãos dos “Artistas do Bem”, a fim de neles fazerem a “Música do Além”.