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Opinião Autocura Diariamente, ouvimos os lamentos daqueles que nos rod

Jornal de Espiritismo nº 19 · Novembro 2006Página 136 min

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Opinião Autocura Diariamente, ouvimos os lamentos daqueles que nos rodeiam, pelo facto de a vida não lhes correr como deseja- riam. A queixa torna-se mais pesada quando a falha existente se verifica a nível da saúde. www.adeportugal.org curso básico de espiritismo on-line em Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal Contudo, a lamentação tem como principal base não o sofrimento, mas a ignorância, pois se todos os seres humanos tivessem conhecimento da realidade divina não se queixariam tanto.

Na verdade, enfrentariam os problemas de um modo totalmente diferente. O Espiritismo vem trazer-nos uma visão mais abrangente do homem, como um ser biopsicoenergético. Ficamos assim a reco- nhecer-nos como sendo na essência Espírito, dotado de capacidades únicas e com o sublime objectivo de crescer na escala evolutiva. Temos ligado a nós uma vestimenta semimaterial, denominada Perispírito, que assume a aparência por nós determinada, de acordo com as nossas necessidades e merecimento, tornando-se numa espécie de roupa do Espírito.

E, final- mente, Deus concede-nos um instrumento precioso, elaborado de acordo com os ele- mentos básicos do planeta que nos abriga nesse crescimento, a que chamamos Corpo Físico. No caso da Terra, um planeta ainda muito material, esse corpo apresenta-se como algo bastante condensado e pesado, limitando grandemente as nossas acções e capacidades como Espírito. Essa limitação pode provocar em nós uma certa revolta, mesmo que inconsciente, pelo facto de deixarmos de poder utilizar as capacidades que temos disponíveis quando desencarnados, tais como o meio de movimentação e alimentação.

E sentir desse modo apenas nos prejudica, difi- cultando ainda mais a nossa adaptação à matéria – mesmo que temporária – e, em consequência, a nossa vida. O relacionamento entre os corpos refe- ridos é muito estreito, não podendo até ser traçados os limites entre uns e outros. Embora sejam independentes, estão intimamente entrelaçados, numa troca e partilha constante. O Espírito plasma o Perispírito, e este por sua vez, vai moldar a aparência do corpo físico.

Assim, somos nós mesmos que, em cada nova reencarnação, escolhemos o nosso corpo, acrescentando somente à nossa necessidade as leis da genética (podem, no entanto, haver casos em que o Espírito, incapaz de auxiliar na definição do seu novo corpo, confia esse trabalho a amigos espirituais superiores, que o orientam). Dada a natureza da ligação entre esses elementos, as trocas entre eles são constan- tes, de modo que estão sempre a influenci- ar-se.

Senão vejamos: um sujeito encarnado que apanhe uma doença pelo contacto com um vírus contagioso, ao ver-se tomado pela doença, e sobretudo se a sua fé for tão pobre que não suporta a sua própria vida, o Perispírito acabará por sofrer directamente os efeitos da doença, reflectindo-se nesse nível as mazelas que se desenvolvem no corpo físico. Logicamente, o Espírito irá ressentir-se pela doença, não que sofra fisicamente (pois não tem uma natureza material), mas o sofrimento psicológico traz-lhe o desequilíbrio.

Por outro lado, o Espírito pode nascer com uma fisiologia saudável, mas o desequilíbrio espiritual provocado pelo passado pode originar no corpo físico a doença. No en- tanto, o inverso também se verifica, em que a fé é tão grande, que o Espírito é capaz de operar a cura do corpo, como se fosse um milagre. E é aqui que compreendemos o poder que tem a nossa postura perante as dificuldades, e a nossa capacidade de nos curarmos a nós mesmos.

Podemos, com grande facilidade, pôr-nos doentes, ou então tornar-nos saudáveis. E então a nossa responsabilidade aumenta incrivelmente. Dá que pensar… Como tem reagido aos seus problemas? Além desta interacção entre os corpos que compõem um encarnado, devemos recor- dar também outros aspectos. O universo rege-se de acordo com as Leis de Deus, en- tre as quais a de acção e reacção. Sabemos que as nossas escolhas terão consequên- cias, que se não se verificarem na vida em que ocorre a causa, poderão manifestar-se numa outra vida, ou até em várias.

Na maioria das vezes, a consequência pode traduzir-se sob a forma de um desequilíbrio na nossa saúde, e pode assumir proporções muito variadas, conforme os casos. Isso vem reforçar a ideia de que nada acontece ao acaso, muito pelo contrário. Tudo tem uma razão de ser. A questão é que, geralmente, estamos tão ocupados com outras ideias, que não temos a capacidade de com- preender os problemas. Pensemos um pouco… Deus é o nosso criador e, como qualquer artista, ama profundamente a sua obra, que tem origem no seu mais íntimo, procuran- do aperfeiçoá-la à sua imagem e com o seu sentimento.

Como o pintor que retrata um abraço, Deus nos desenha ao mais peque- no pormenor, não para que acabemos num caixote do lixo ou numa gaveta, mas para nos expor numa bela galeria de arte, como a sua obra-prima. Todo o trabalho de amor vive alimentado de amor. E se assim é, então os problemas e as coisas que nos acontecem e que consideramos más para nós, deverão ter uma razão muito forte para acontecerem. Sendo nosso Pai e amando- -nos, Deus não nos faria sofrer apenas para passar o tempo a ver-nos chorar.

Se assim fosse, não poderíamos concebê-lo como Ele é, bondoso, justo e conhecedor até ao infinito. Então, quando enfrentamos uma dificul- dade, isso não significa que Deus nos esqueceu, muito pelo contrário. Significa que Ele nos dá inúmeras oportunidades de compreendermos os nossos erros pelas experiências, pelas suas consequências, aju- dando-nos assim a crescer de uma forma lógica, justa e simples. É por isso que deveríamos reclamar menos por aquilo que nos acontece, mesmo que nos pareça injusto.

A certeza de que Deus nos ama é o conforto que faz falta a todos os corações desalentados, pois se tivessem fé, os males que os atormentam seriam bem menores. A saúde é uma bênção que raramente prezamos, até ao momento em que não a temos. Contudo, a cura está mais perto do que acreditamos. Tenhamos sempre em mente um exemplo muito simples… Jesus é o maior exemplo de como a vontade eafé pode operar milagres im- pensáveis.

Com amor, somos capazes de rejuvenescer, e viver de facto eternamente. O seu exemplo de compreensão de Deus é para nós o impulso ao nosso bem-estar. Sábio e crente de que o Seu Pai jamais o abandonava, confiante nas capacidades da cura do corpo físico, Jesus mesmo assim se adaptou à nossa falta de fé, aliando o trata- mento dos enfermos a pequenos gestos simbólicos, tais como o uso de barro ou saliva, promovendo assim a cura.

Já naquela época éramos necessitados de fé. No entanto, e mesmo dotado da capaci- dade de modificar as células físicas, não esqueceu jamais da cura mais importante: a da alma. Jesus sabia que a alma doente jamais deixaria o corpo manter-se saudável, e por isso aconselhava a que despertás- semos para a verdadeira vida. Com carinho e paciência, ele já nos rogava a reforma íntima, passando-nos assim a receita para a verdadeira felicidade.

E se Jesus, que é filho de Deus, tal como nós, um Espírito que cresce na escala evolutiva, tal como nós ain- da estamos a crescer (apesar de muito dis- tanciados dele), se ele foi capaz de operar a cura pelo facto de compreender a justiça do seu Pai e ter fé, então nós também não seremos capazes, se quisermos? Tenhamos fé! Todos somos filhos de Deus, assim como Jesus é nosso irmão. Se realmente quisermos, seremos capazes de mudar o mundo.

Basta um primeiro gesto de amor. O gesto de amor para connosco mesmos. Sejam felizes!