19 — índice de conteúdos

Ficha Técnica

Jornal de Espiritismo nº 19 · Novembro 2006Página 23 min

Partilhar
Idioma

Editorial FICHA TÉCNICA Jornal de Espiritismo Periódico Bimestral Director: Ulisses Lopes Editor: Jorge Gomes Maquetagem: www.loucomotiv.com Fotografia: Loucomotiv e Arquivo Tiragem: 2000 Exemplares Registado no Instituto da Comunicação Social com o n.º 124325 Depósito Legal: 201396/03 Administração e Redacção ADEP Rua do Espírito Santo, N.º 38, Cave Nogueira – 4710-144 BRAGA Assinaturas Jornal de Espiritismo Apartado 161 4711-910 BRAGA E-mail jornal@adeportugal.

org Conselho de Administração Noémia Margarido, Isaías Sousa Publicidade Apartado 161 4711-910 BRAGA pub@adeportugal.org Propriedade Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal NIPC 504 605 860 Apartado 161 4711-910 Braga E-mail: adep@adeportugal.org http://www.adeportugal.org Impressão Oficinas de S. José – Braga Lenda Árabe Agora no Inverno, acordar de madrugada é acordar de noite. Para não fazer barulho, dava jeito ter olhos apurados como os dos felinos, para não se ter de andar às apal- padelas no breu.

Se acender alguma lâmpada, a luz pode acordar as crianças. Mas uma luz fraquinha, insignificante de dia, de noite é uma luz de que é difícil prescindir. No caso, o ecrã do telemóvel. Já fazia isto há dias quando me dei conta: tolo seria em desprezar a ajuda de recurso tão escasso, porém naquelas alturas tão valioso. Que outros recursos existem no dia-a-dia a que não daria consideração e que, em dado momento, poderiam até ser inestimáveis?

Numa escala imensa, que classificasse recursos humanos e materiais numa fieira gigantesca, do aparentemente mais desprezável ao mais apreciado, o mais ha- bitual é avaliar um grau de desnecessidade e excluir tudo a eito a partir daí. Mas a verdade é que todos em potencial têm algo para dar. Se não dão na altura em que quereríamos quem sabe estão como o fruto que, depois de ser flor, tem de oferecer à terra as lindas pétalas, passar pelo calor por vezes sufocante do clima mediter- rânico, para poder crescer, amadurecer, e só depois estar pronto para cumprir a sua fun- ção de disseminar as sementes da árvore?

Treva e luz são dois estados que se atraves- sam na estrada evolutiva. Numa escala de tempo, à medida que a luminosidade ganha espaço, que o conhecimento avança dentro do ser, mais as propriedades construtivas se evidenciam no espírito. A dada altura é como um corpo iluminado, quiçá uma Lua, colhendo benefícios da co- laboração dos que vão adiante. Mais tarde, aprende a ciência de acender a sua própria luz, uma estrela, tornando-se capaz de, por onde passe, iluminar outrem.

Corpos iluminados, corpos luminosos. É nesta faixa que nos movemos, na ânsia de chegar mais além na evolução. Mais cintilará o leitor quando, a exemplo daquilo a que Jesus exortou — Brilhe vossa luz! — acarinhar as pequenas luzes, aquelas que não conseguem aparecer diante de luzes normais, mas que têm o seu lugar na imensidão evolutiva em que todos cami- nhamos, mesmo sem sabermos. Que cada dia consiga ser transformado por cada um de nós num tecido de luz, malha a malha, minuto a minuto, com a fraternidade autên- tica nas atitudes.

E aqui deixamos, com o nosso abraço sincero, mais esta edição, quem sabe se fra- quinha como uma pequena luz em pleno dia, mas decerto grande para alguém que atravessa corajosamente uma noite no seu processo de amadurecimento espiritual. Num caso ou noutro, fazemos questão de deixar consigo o nosso abraço sincero. Boa leitura! Por Jorge Gomes jorge.je@clix.pt Diz uma linda lenda árabe que dois amigos viajavam pelo deserto e num determinado ponto da viagem discutiram.

O outro, ofendido, sem nada a dizer, escreveu na areia: HOJE, O MEU MELHOR AMIGO DEU-ME UMA BOFETADA. Seguiram caminho e chegaram a um oásis. Aí, resolveram banhar-se. O que tinha sido esbofeteado começou a afogar-se, sendo salvo pelo amigo. Ao recuperar-se pegou um estilete e es- creveu numa pedra: HOJE, O MEU MELHOR AMIGO SALVOU-ME A VIDA. Intrigado, o amigo perguntou: «Porque é que, depois de te ter batido, escreveste na areia e, agora, escreveste na pedra?

Sorrindo, respondeu: «Quando um grande amigo nos ofende, deveremos escrever na areia onde o vento do esquecimento e do perdão se encarregam de apagar. Porém, quando nos faz algo grandioso, deve- remos gravar isso na pedra da memória do coração, onde vento nenhum do mundo o conseguirá apagar”.