Associação Cultural Espírita Castrense
Jornal de Espiritismo nº 20 · Janeiro 2007Página 57 min
Notícias ASSOCIAÇÃO CULTURAL ESPÍRITA CASTRENSE No passado dia 09 de Novembro, abriu ao público em Castro Verde, a Associação Cultural Espírita Castrense (ACEC). Na ocasião houve uma palestra de Divaldo Matos subordinada ao tema “Espiritismo, o Consolador: perda de entes queridos”, perante a qual o público presente, cerca de meia centena de pessoas, que esgotou a capacidade do modesto auditório, pôde obter as mais diversas informações relativas à doutrina espírita trazidas de modo bastante elucidativo pelo palestrante.
Na plateia, composta maioritariamente por pessoas de Castro Verde e Ourique, estava também presente um numeroso grupo proveniente de Sines, que ao final deixou também uma mensagem muito simpática de felicitações e encorajamento para a tarefa que nos propusemos a cumprir. A seguir à palestra alguns dos presentes adquiriram livros trazidos pelo palestrante de- monstrando curiosidade e interesse pela doutrina. Houve tempo ainda para que o pales- trante, com a sua grande disponibilidade, fosse interpelado de modo mais particular por algumas pessoas, que assim puderam dirimir suas dúvidas.
No fim, houve uma alegre confraternização. A ACEC terá reuniões públicas todas as quintas-feiras às 21h00, onde terá lugar uma pales- tra seguida de fluidoterapia e atendimento fraterno. Endereço da ACEC: Rua da Aclamação n.º 68 - 7780-163 Castro Verde. Telemóvel 962 909 961. E-mail: bonatos@sapo.pt Texto e fotos: Emílio Bonato PORTIMÃO: PALESTRA ESPÍRITA Teve lugar no dia 30 de Dezembro, sábado, pelas 18h30, no Centro Espírita Boa Vontade, Rua Luís Antão 31-4º, em Portimão, uma palestra a ser proferida por Julieta Marques e subordinada ao tema: “O Primeiro Natal”.
ÍLHAVO: PALESTRAS ESPÍRITAS A Associação Cultural “Porto de Abrigo”, sita na Rua de Alqueidão, n.º 27 A, 3830 - 148 Ílhavo, tel. 234 325 704, em Dezembro teve o seguinte ciclo de palestras, como de cos- tume às terças-feiras, pelas 21h00: dia 5, Elizabeth Azevedo, da Associação Cultural “Porto de Abrigo”, com o tema “Diálogo Fraterno”. Dia 12 – Manuel Santos, da Associação Espírita Sócio Cultural de Aveiro, tema “O Homem e o Natal”.
As entradas são livres e gratuitas. COIMBRA: GRUPO DE ESTUDOS ESPÍRITAS ALLAN KARDEC Coimbra, recebeu Sérgio Thiesen de 23 a 28 de Agosto, a convite do Grupo de Estudos Espíritas Allan Kardec, para reuniões privadas de desobsessão e fluidoterapia, atendendo a casos de saúde e outros. Dia 27 nas instalações do Grupo de Estudos Espíritas Allan Kardec, o orador proferiu um mini-seminário sobre fluidoterapia. Foi um momento importante de estudo e recolha de informação.
Seguindo-se ao final do dia a aplicação fluídica em todos os pacientes dos casos atendidos nos anteriores dias, nos trabalhos de desobsessão, pelos médiuns aplicadores preparados. Acompanhando estes trabalhos esteve presente João Maldonado, cardiologista, professor universitário, cientista e director da Clínica da Aveleira, que se tem interessado pelo estudo da doutrina espírita. O seu depoimento segue em baixo. Este médico tem por objectivo desenvolver um estudo que confira os benefícios trazidos na área da saúde, através da desobsessão e da aplicação da fluidoterapia.
O ponto de vista de um médico A vida orientou-me de, forma algo fortuita, para uma actividade na área da saúde que, progressivamente, tem sido complementada com um agradável e estimulante percurso paralelo na investigação e no ensino. Uma formação científica muito especializada não obstou a um constante e irresistível apelo cultural, que se estende a plataformas diversifi- cadas do conhecimento na sempre vã procura da compreensão da mecânica palpitante e evanescente do eterno universal.
Vários anos de um percurso com tal multiplicidade de interesses, para além de necessariamente aflorarem a ciência, a literatura, a história e a filosofia, tiveram, inevitavelmente, de colidir com a religião. Neste contexto, apesar de uma educação católica tradicional, não resisti à curiosidade de um incipiente contacto com muitos dos paradoxalmente edificantes e tortuosos roteiros para a Eternidade. O Espiritismo constituiu um dos incontornáveis contactos fugazes, surgido, curiosamente, numa idade muito precoce.
Nessa época distante, a leitura superficial do “Livro dos Espíritos” suscitou-me sensações contraditórias, uma amálgama de interesse e decepção, fruto de uma teorização demasiado lógica para uma tenra consciência em busca de um imaginário mais densamente esotérico. O segundo contacto ocorreu há cerca de 10 anos numa das minhas frequentes deambu- lações em Paris, durante um período prolongado de estágio profissional especializado.
Ao visitar o cemitério de Père-Lachaise, um dos míticos e obrigatórios locais turísticos dessa magnifica cidade, com o objectivo de observar o túmulo de Jim Morrison – ícone musical de uma certa geração – deparei-me, a uma curta distância, com um mausoléu profusa- mente florido e intensamente frequentado que prendeu toda a minha atenção. Dirigi-me ao local e verifiquei tratar-se do túmulo de Allan Kardec, o autor do livro que muitos anos atrás tinha vorazmente consumido e cujo nome, na verdade, constituía o pseudónimo de um importante cientista do século XIX.
Em conversa informal então estabelecida com um dos presentes, fiquei fortemente impressionado com a perspectiva científica que teria presidido a sua obra, comprometendo-me, no íntimo, a reler com redobrada atenção, a bibliografia do referido autor. Recentemente, num misto de casualidade e tormenta existencial, deparei-me com uma casa Espírita e, vencendo um natural receio e relutância instintiva, fui observar as activi- dades aí decorrentes, retomando seguidamente a leitura há longo tempo aprazada.
A excelência das palestras auscultadas e o seu conteúdo fortemente erudito e científico acicataram o meu interesse, iniciando uma leitura mais abrangente, não confinada às obras de Alan Kardec, procurando documentos mais recentes, incidindo em temáticas de confluência entre a religião, a física, a astronomia e a história. Cada obra lida sedimentou uma perplexidade crescente, pela qualidade técnica, pelas metodologias, pela discussão, pela análise crítica e, sobretudo, pela referência à sua autoria, invariavelmente atribuída a espíritos.
Poucos meses volvidos sobre esta estimulante incursão exploratória, fui convidado para assistir a um seminário espírita sobre “Medicina da Alma”, proferido por um colega brasileiro de profissão e especialidade. Com curiosidade mas não escondendo alguma reserva intelectual, acedi a assistir ao citado seminário bem como a uma palestra ulterior, restrita a profissionais de saúde. Sendo um dos poucos médicos presentes, confesso que me senti um pouco constrangido, ainda que uma certa independência pessoal e profissional me isentem de alguma brisa censória que veladamente sempre nos pode atingir.
Este foi o meu primeiro contacto com o Dr. Sérgio Thiesen, empático desde o início mas fortemente reforçado num período recente em que tive o privilégio de acompanhar, de perto e intensamente, as componentes teóricas e práticas da sua perspectiva de confluên- cia entre a doutrina espírita e a ciência, com particular incidência na ciência médica. O Dr. Sérgio Thiesen é um académico, com uma intensa actividade diária como cardiologis- ta numa das instituições hospitalares mais reputadas no Rio de Janeiro, exercendo funções em todos os níveis, do ambulatório à enfermaria e à Unidade de Cuidados Intensivos Coro- nários.
É igualmente licenciado em Física, o que lhe proporciona uma complementaridade de formação indispensável a uma transversalidade de integração científica pouco comum. Presentemente desenvolve intensa actividade de investigação segundo metodologias emanadas da doutrina espírita em várias vertentes da patologia médica. Naturalmente que se encontra ligado à doutrina espírita, integrando os corpos sociais da Fundação Espírita Brasileira.
Muito mais do que os seus muitos títulos, sensibilizou-me a sua cultura, a sua inteligência, a sua capacidade oratória e, sobretudo, a orientação metodológica do seu discurso e o rigoroso sentido crítico adoptado. Paralelamente, a sua bonomia, paciência, persistência, coragem e atitude missionária são inspiradoras e afectam-nos profundamente, no entanto, para uma breve análise que se pretende objectiva, tentarei remeter as emoções para uma zona de pertinência residual.
Durante os dois períodos referenciados foi extensamente abordada a surpreendente pro- blemática da “Medicina da Alma” e enunciadas algumas das técnicas desenvolvidas para a sua aplicação. Da explanação teórica e prática retirei uma conceptualização muito consis- tente sobre o que poderemos designar, à luz da nossa terminologia médica, a fisiologia e fisiopatologia do Espírito bem como a adaptabilidade de algumas das metodologias propostas a alvos terapêuticos específicos, em complementaridade com a actuação da Medicina convencional.
Naturalmente que as enormes potencialidades destes recursos terapêuticos colidem com uma postura científica conservadora, sendo o seu impacto mitigado pela dificuldade na objectivação da entidade essencial consideradao espírito – usualmente remetido para a estrita esfera da abstracção religiosa. A história tem sido pródiga em exemplos de heresia científica que, com o tempo e a evolução tecnológica, se relevaram realidades tão pungentes que volvido algum tempo qualquer criança as considera triviais.
Se no futuro próximo forem desenvolvidas consis- tentes metodologias de análise que revelem áreas de intervenção paralelas para determi- nadas patologias, certamente que serão investigados e encontrados tratamentos alternati- vos aos actuais, mas adequados a uma eventual realidade entretanto desconhecida. Neste sentido, ainda que pouco propaladas, encontram-se em forte crescimento instituições de investigação de vanguarda, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos, munidas de fortís- simos grupos de profissionais altamente diferenciados, em áreas como a Medicina, a Física, a Biologia, a Bioquímica e a Engenharia, que desenvolvem intensa pesquisa nestas zonas obscuras do conhecimento, cuja clarificação poderá, em breve, não as restringir ao tom jo- coso com que são presentemente encaradas, de forma quase análoga à valorização dada à Genética algumas décadas atrás.
Na actualidade a grande revolução esperada na Medicina reside nesta Genética cuja utilidade se expressa em novas aplicações descobertas quase diariamente. Será a “Medicina da Alma ou do Espírito” a revolução que se segue?
