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Jornal de Espiritismo nº 20 · Janeiro 2007Página 134 min

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11 Entrevista Tratamento espiritual a deficientes mentais Avaliados através de uma metodologia científica os efeitos terapêuticos de práticas espíritas, verificou-se a ocorrência de melhoras em pacientes com deficiência mental (1) em tese defen- dida pelo médico psiquiatra Frederico Leão… A prática espiritual, quando empregada em conjunto com padrões médicos convencio- nais, pode ser um tratamento eficaz para a deficiência mental.

A conclusão pertence ao médico psiquiatra Frederico Camelo Leão2 na sua dissertação de mestrado defendida no Instituto de Psiquiatria (IPq) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). O investigador brasileiro analisou os casos de 650 pacientes internados nas Centro Espírita Nosso LarCasas Espíritas André Luiz 3 – Instituição de Saúde e Entidade filantrópica sem fins lucrativos, que cuida de mais de 1400 pacientes com deficiência mental, com varias especialidades médicas, onde há uma Unidade de Longa Permanên- cia e um Ambulatório – onde trabalha como psiquiatra, e verificou que aqueles que foram submetidos a determinadas sessões mediúnicas obtiveram melhoras significativas.

O médico utilizou a metodologia científica (estatística e escala psiquiátrica de avalia- ção) para analisar o efeito das chamadas “sessões mediúnicas”. Segundo a crença espírita, o médium é capaz de “incorporar” a mente do deficiente mental e intermediar a comunicação entre o paciente e o grupo presente no encontro. Num primeiro momento, Frederico Leão avaliou o estado de saúde dos pacientes que compuseram a sua amostra e, seis meses depois, fez novas avaliações.

“Embora todos os pacientes tenham obtido melho- ras, o grupo dos vinte que participaram nas sessões mediúnicas (que se comunicaram pelo médium) teve avanços ainda mais sig- nificativos do que aqueles que receberam outros tipos de tratamento espiritual”, atesta o médico psiquiatra. A maior parte dos pacientes observados sofrem de deficiências “graves e profundas”, como define o psiquiatra Frederico Leão. Há muitos casos de paralisia cerebral e cerca de metade deles é acamada.

As idades variam de 4 a 50 anos, e a maioria são adultos jovens. Critérios Como método de avaliação dos pacientes, o pesquisador utilizou a Escala de Obser- vação de Pacientes Psiquiátricos Interna- dos (EOPPI), que considera factores como desempenho motor, comunicação verbal, dificuldade em se realizar tarefas quotidi- anas e a ocorrência de sintomas de delírio. “Estatisticamente, os vinte participantes das sessões mediúnicas obtiveram melhoras consideráveis, que estão fora do campo do acaso”, comenta Leão.

Como os pacientes não sabiam de sua participação nessas sessões, aponta o inves- tigador, deve ser excluído o efeito placebo (efeito psicológico de melhora ocasionado pelo simples conhecimento de que se está recebendo um determinado tratamento). Era preciso observar a incorporação do médium e somente então identificar o paciente que supostamente se expressava. Os que acreditam nessa possibilidade de comunicação apostam que, ao falar de suas angústias e problemas, os pacientes obtêm benefícios psicoterapêuticos.

Hipóteses e objectivos Para explicar os efeitos do tratamento espiritual, Frederico Leão levanta a hipó- tese de que as melhoras correspondem às práticas da instituição espírita, embora ela não explique a maior eficiência terapêutica das sessões mediúnicas. O facto de os funcionários, devido à sua for- mação espírita, tratarem os pacientes com maior atenção e humanismo, por exemplo, pode ser um dos factores que auxiliam no tratamento.

Reforça essa hipótese a constatação de que todos os pacientes submetidos a qualquer prática espiritual tiveram melhoras no seu quadro clínico quando comparados com aqueles que receberam apenas o tratamento conven- cional. O médico psiquiatra de São Paulo, Brasil, destaca que o principal objectivo de seu trabalho é incentivar novos estudos na área. “A expectativa é estimular análises mais detalhadas, que considerem um período maior de observação e trabalhem também com instituições não-religiosas”, afirma.

Texto: Luís de Almeida luis.dalmeida@clix.pt Resultados Grupo geral: A população estudada é constituída por 650 pacientes, todos portadores de deficiências múltiplas (figura 2). Grupo Experimental: Ocorreram 58 comunicações em reunião mediúnica durante o período do estudo. Nestas, 20 satisfizeram os critérios de identificação adoptados pelo autor e 38 não. 1. Dados Biodemográficos Pode-se observar pela tabela 1 e também figuras 1 e 2 que não há diferenças entre os dois grupos quanto às variáveis género, grau de deficiência mental e idade.

FIGURA 1 - GÊNERO Qui-quadrado (p=0,91) ns FIGURA 2 - GRAU DE DEFICIÊNCIA MENTAL 2. Resultados da Escala de Observação Interativa de Pacientes Psiquiátricos Internados (EOIPPI) A análise estatística compara o grupo experimental (N=20) com o grupo controle (N=20), constituído pelo método de pareamento por idade e género. Aplicando o teste T da diferença de variação entre os grupos obtivemos um p=0,045. Test t pareado p<0,0001.

Observa-se na figura 3 que quando comparados os 2 Escores dos grupos experimental(N=20) e grupo controle, os dois grupos diferem entre em si pela variação entre Escore I e II (teste T, p<0,05). Este resultado é confirmado pelo teste Qui-quadrado (p=0,008) conforme tabela 2. FIGURA 3 – MÉDIA DA DIFERENÇA ENCONTRADA NA ESCALA Fonte:. Adaptado do original de Flávia Souza da Agência de Notícias da Universidade São Paulo, Brasil.

1) A tese de Mestrado do doutor Frederico Leão está disponível no site da AME PORTO – Associação Médico-Espírita da Área Metropolitana do Porto em www.ameporto.org 2) Dr. Frederico Camelo Leão é membro do NEPERNúcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo 3) Casas espíritas André Luiz http://www.andreluiz.