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Jornal de Espiritismo nº 20 · Janeiro 2007Página 93 min
Opinião PUBLICIDADE PUBLICIDADE Desde os alvores da Humanidade. Um amigo manifestou-me o desejo de assistir a uma palestra no centro espírita. O tema ver- sava as manifestações tangíveis de Espíritos, e, tratando-se de uma pessoa nada familiarizada com o assunto, confesso que não achei que fosse a palestra ideal. Ver Espíritos, ouvi-los, testemunhar mani- festações físicas destes, é sempre algo que assusta quem desconhece que existe um mundo invisível para nós, habitantes da matéria densa.
Os materialistas buscam causas rebuscadas e mais complexas que a existência do mundo espiritual. Os que se apegam ao simbolismo dos dogmas religiosos ficam inquietos perante algo que contraria o conceito que têm do Além. Em ambos os casos, tais fenómenos cos- tumam cair no conceito de sobrenatural – do que não tem causas naturais. Para o Espiritismo, contudo, não existem fenómenos sobrenaturais. A Criação é obra de Deus.
Como tal é perfeita e não carece de alterações das suas leis. Também os eclipses, as trovoadas ou os sismos eram considerados fenómenos sobrenaturais antes de se conhecer a sua explicação. Pro- vocavam medo e interpretações supersti- ciosas que agora nos fazem sorrir. Após a palestra, o meu amigo quebrou o silêncio pensativo a que se remetera: “Vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém. Quando era pequeno fui dormir a casa da minha avó.
Estava deitado e senti que alguém se aproximava. Não via ninguém, mas via a impressão dos pés no tapete, e ouvia distintamente os passos. O visitante invisível sentou-se na cama e for- mou-se uma depressão no colchão, senti- -lhe a respiraçãoea presença. Tive medo e fiquei muito impressionado. Até hoje.” Estava aliviado, pois obtivera explicação para algo que não compreendia, e que por isso o inquietava. É raro encontrar-se alguém que não tenha testemunhado casos semelhantes, quais- quer que sejam as suas convicções pes- soais.
O receio da reprovação alheia leva a que se opte pelo silêncio. Os que obstam que é impossível aos Es- píritos interagirem com os encarnados que atentem nos testemunhos idóneos e nos estudos científicos de pesquisadores sérios. Os que obstam que não é moralmente correcto o contacto com os Espíritos que atentem em que eles ocorrem mesmo sem que os encarnados os desejem. E ocorrem desde os alvores da Humanidade. Neste nosso mundo material, as pessoas bondosas comprazem-se no bem.
As pes- soas menos boas fazem o contrário. Passan- do para o lado de lá da vida, o panorama não se altera. As manifestações e comuni- cações dos Espíritos são manifestações de gente como nós, que deixou o corpo carnal mas conserva a boa ou má índole. Não são demónios os Espíritos que pro- vocam distúrbios ou dão comunicações indignas. São Espíritos ainda atrasados. Tão pouco são anjos os Espíritos que se comprazem no bem, mas sim irmãos nos- sos que já lograram um estado evolutivo superior.
Jesus, no episódio bíblico da Transfigura- ção (Mateus, 17:1-13 Marcos, 9:2-13 Lucas, 9:28-36), conversa com Moisés e Elias, no alto do Monte Tabor. Simão Pedro, Tiago e João assistem, assustados e maravilhados. A figura de Jesus resplandece, e a mesma luz celestial rodeia as outras duas ilustres figuras. Moisés vivera há 1250 anos, Elias há 800 anos. Jesus, nosso muito amado Mestre, irmão e amigo, falou com os Espíritos.
O Espiritismo abre as portas à compreensão dos fenómenos mediúnicos. O Espiritismo retoma a prática mediúnica dos primeiros cristãos, exclusivamente com propósitos de pesquisa científica a bem do esclareci- mento geral, auxílio fraterno a encarnados e desencarnados, e instrução moral. Para quem estuda Espiritismo, tudo isto é ponto assente, mas a maior parte das pes- soas, tal como este meu amigo, têm ideias pouco claras acerca do assunto.
Daí que a palestra lhe tenha sido tão proveitosa e agradável. Texto: Roberto António robertoantoniolx@hotmail.com Os que obstam que é impossível aos Espíritos interagirem com os encarnados que atentem nos testemunhos idóneos...
