Ficha Técnica
Jornal de Espiritismo nº 21 · Abril 2007Página 24 min
Editorial FICHA TÉCNICA Jornal de Espiritismo Periódico Bimestral Director: Ulisses Lopes Editor: Jorge Gomes Maquetagem: www.loucomotiv.com Fotografi a: Loucomotiv e Arquivo Tiragem: 2000 Exemplares Por uma nova página foto Por uma nova página loucomotiv Por uma nova página loucomotiv Por uma nova página As fl ores desta época são a mesma lição de todos os anos. Falam de recomeço, de renovação, de luz. Além de lindas, sejam elas de salgueiro ou de pereira, de ameixoeira ou de tojo, além da sua beleza perene, exalam aromas, colaboram com outros seres, esperam o tempo necessário para se converterem em fruto.
Se a cada dia retivéssemos essa inspira- ção, talvez a fraternidade e a paz fossem caminhos abertos para outras capacidades interpessoais, as virtudes faladas desde antanho, na verdade, as luzes sem as quais não teremos olhos para um porvir mais feliz. Mas, se a Primavera é um dealbar de espe- rança renovada, é certo que todos os actos do quotidiano são capazes de nos falar mais alto. Conheço um lambareiro que gosta de molhar bolacha-maria no café com leite.
Quando o empregado na mercearia se descuidou, a embalagem descaiu mas não deformou. Rachou algumas dentro do pacote opaco. Ninguém viu, não seria a primeira vez. E, depois, entre as bolachas há algumas mais iguais que outras. Há as que evidenciam uma fi ssura, outras nãoatêm mesmo, e há outras bolachas que a têm, a cisão, sem que se vejam a olho nu: este personagem não gosta das que escondem a sua fragilidade. Quando as molha no leite, metade da guloseima cai, perde o sabor e levanta um outro problema: pescá-las do líquido nutritivo.
Os defeitos de personalidade que cada um tem não se resolvem com pó-de-arroz. Nem há pomadinha que resulte, quando Eu estava a ver Quando pensavas que não estava a olhar, vi-te pegar no primeiro desenho que fi z e pendurá-lo no frigorífi co e, imediatamente, tive vontade de fazer outro para ti. Quando pensavas que não estava a olhar, vi-te a dar comida a um gato da rua e aprendi que é bom tratar bem os animais. Quando pensavas que não estava a olhar, vi-te fazer o meu bolo favorito para mim e aprendi que as coisas pequenas podem ser as mais especiais na nossa vida.
Quando pensavas que não estava a olhar, ouvi-te a fazer uma oração, e aprendi que existe um Deus com quem eu posso sem- pre falar e em quem posso sempre confi ar. Quando pensavas que não estava a olhar, vi-te a fazer comida e a levá-la a uma amiga que estava doente e aprendi que todos nós temos de ajudar e tomar conta uns dos outros. Quando pensavas que não estava a olhar, vi-te a dar teu tempo e o teu dinheiro para ajudar as pessoas mais necessitadas e aprendi que aqueles que têm alguma coisa devem ajudar quem nada tem.
Quando pensavas que não estava a olhar, senti-te a dar-me um beijo de boa noite e senti-me amado e seguro. Quando pensavas que não estava a olhar, vi-te a tomar conta da nossa casa e de todos nós e aprendi que nós temos de cuidar com carinho daquilo que temos e das pessoas de quem gostamos. Quando pensavas que não estava a olhar, vi como cumprias com todas as tuas respon- sabilidades, mesmo quando não estavas a sentir-te bem, e aprendi que tinha de ser responsável quando crescesse.
Quando pensavas que não estava a olhar, vi lágrimas nos teus olhos, e aprendi que, às vezes, acontecem coisas que nos magoam, mas que não há nenhum problema em chorar. Quando pensavas que não estava a olhar, vi-te preocupado e quis fazer o melhor de mim para ser o melhor que pudesse. Quando pensavas que não estava a olhar, foi quando aprendi a maior parte das lições de vida que eu precisava, para ser uma pes- soa boa e produtiva quando crescesse.
Quando pensavas que não estava a olhar, olhava para ti e queria dizer-te: “Obrigado por todas as coisas que vi e aprendi quando pensavas que eu não estava a olhar! (Autor desconhecido) In http://www.edicoesgil.com.br/educador/ olhando.html muito disfarça. Somos todos pessoas a caminho de dias melhores, se trabalharmos por isso. Não precisamos de estar sempre a revelar as nossas fragilidades, mas se não as reconhecermos nunca as conseguiremos consertar.
Temos qualidades conquistadas, que necessitamos de solidifi car. E há facetas que pedem melhoria. Só que isso faz-se sem modelos enxertados de fora para dentro, que não resultam de facto. Há que trabalhar ideias, entendê-las, assimilá-las, e depois deixar que se soltem espontâneas para fora no agir do dia-a-dia. Sempre discretas. «Não veja a mão direita o que a esquerda faz…». Os defeitos de personalidade que cada um tem não se resolvem com pó-de-arroz.
É este mecanismo evolutivo do ser que explica as diferenças entre uns e outros. Os que falam e não se sustentam com a luz do exemplo. E os que, com o seu exemplo, nem precisam de falar. Por Jorge Gomesjorge.je@clix.t Registado no Instituto da Comunicação Social com o n.º 124325 Depósito Legal: 201396/03 Administração e Redacção ADEP Rua do Espírito Santo, N.º 38, Cave Nogueira – 4710-144 BRAGA Assinaturas Jornal de Espiritismo Apartado 161 4711-910 BRAGA E-mail jornal@adeportugal.
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