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Jornal de Espiritismo nº 21 · Abril 2007Página 124 min

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Crónica O mistério da criação mozartiana PUBLICIDADE (Continuação do número anterior) Se bem se recordam, na primeira parte deste artigo evocativo de um dos maiores génios de sempre, abordámos aspectos da infância e juventude de Mozart que augu- ravam uma existência predestinada para a quintessência da criação musical, vimos confi rmar-se a genialidade com a vinda dos maduros anos e, talvez mais importante, ensaiámos explicar o fenómeno da geniali- dade à luz do Espiritismo.

É chegado o mo- mento de tentarmos penetrar, tanto quanto é possível, nas subtilíssimas relações que se estabelecem entre um criador e O Criador, núcleo sublime da força curadora da Arte. Que dom é esse que, pela sua inefável per- feição, parece vindo directamente da mão de Deus? Mozart encontra-se no número daqueles que a codifi cação espírita designa por ‘médiuns inspirados’. Vejamos o que diz a este respeito O Livro dos Médiuns: «Um autor, um pintor, um músico, por exemplo, poderiam, nos momentos de inspiração ser considerados médiuns?

Sim, porquanto, nesses momentos, a alma se lhes torna mais leve e como que desprendida da matéria; recobra uma parte das suas facul- dades de Espírito e recebe mais facilmente as comunicações dos outros Espíritos que a inspiram.» Mozart foi, pois, um mediador a inspiram.» Mozart foi, pois, um mediador a inspiram.» do divino na Terra. O que nos diz, acerca da mediação criativa, O Livro dos Médiuns? O Livro dos Médiuns ?

O Livro dos Médiuns «183. Os homens de gênio [...] são sem dúvida Espíritos adiantados, capazes de compreender por si mesmos grandes coisas. Ora, precisa- mente porque os julgam capazes, é que os Espíritos, quando querem executar certos trabalhos, lhes sugerem as idéias necessárias e assim é que eles, as mais das vezes, são médiuns sem o saberem. Têm, no entanto, vaga intuição de uma assistência estranha, visto que todo aquele que apela para a inspiração, mais não faz do que uma evocação.

» Mozart captou as harmonias superiores para no-las oferecer. O grande músico, como o grande poeta, é aquele que oferece a plenitude do seu Ser para que se canalize uma forma de conhecimento superior. Ao poeta cabe verter em palavras a indecifrável escrita do Livro do Universo; ao compo- sitor, por sons e pausas, cumpre intuir a Música das Esferas. O complexo e doloro- so processo criativo dos grandes génios – que existem para progresso espiritual da Humanidade – recebe o nome de ‘conheci- mento directo’ exactamente porque, a este nível, não há véus a dissimular as luminosas intuições do Criador.

É, pois, na obediência humilde e simples ao chamamento divino que se esgota a Missão de tais criaturas de excepção. E é graças a essa sintonia cósmica – de que Mozart conseguiu ser ‘veículo’ – que a sua músi- ca possui efeitos curativos. Investigações no domínio da neurociência e da ciência cognitiva têm provado os benefícios da audição de música clássica para a inteligên- cia e a aprendizagem. Depois dos estudos do Dr.

Frances Rauscher, do Center for the Neurobiology of Learning and Memory, é consensual que a música clássica propicia o desenvolvimento da linguagem, estimula a criatividade e a capacidade de expressão nas crianças. Contudo, mais surpreendente (ou talvez não...) do que estas conclusões, é o fenóme- no que fi cou conhecido por ‘Efeito Mozart’. Numa investigação conduzida pelo mesmo Dr. Frances Rauscher, alunos de uma escola obtiveram melhores resultados a nível de Quociente de Inteligência depois de ouvirem a Sonata para Dois Pianos (K.

448). Por seu turno, Don Campbell, na obra O Efeito Mozart. Descobrir na Música o Poder Efeito Mozart . Descobrir na Música o Poder Efeito Mozart de Curar o Corpo, Fortalecer a Mente e Desbloquear o Espírito Criativo, cita diver- sos estudos acerca dos efeitos da música no feto humano. Ao contrário da música rock, que leva o feto a dar mais pontapés na barriga da mãe e até a alguma violência, a música de Mozart, particularmente os concertos para violino, são mais agradáveis para o nascituro.

Muitos outros exemplos poderiam ser citados. Avocaremos mais um: é conhecido que a audição da música de Mozart produz uma signifi cativa diminuição dos níveis de agressividade e violência nos presidiários. Surpreendente? Mozart captou as harmonias supe- riores para no-las oferecer A Grande Música, chamemos-lhe assim, a Música Pura faz vibrar de forma muito espe- cial a alma humana. Fá-la estremecer, fá-la recordar-se...

A Música é das poucas formas de comunicação que permite a compreen- são dos Arquétipos, que induz à integração do Ser no Todo, que devolve o sentido de religio ao homem. Mozart, profundamente conhecedor das Leis da Simetria Universal, consegue plasmá-la no nosso plano imperfeito e provisório. O ritmo e a harmonia das pautas terrestres são o espelho simbólico-mítico da grande vibração cósmica, da eufonia celestial, daquilo a que poderíamos chamar a Nota Única.

Na sua jornada espiritual pelo planeta Terra, Mozart acordou em nós os eternos ideais do Bem, da Beleza e da Justiça. De cada vez que ouvimos a sua música, ao sentirmos a beleza e a concórdia fundo na nossa alma, estamos a reconhecer que essa Beleza e que essa Concórdia existem, como Verdade Suprema, para além do nosso Ser. Estamos a regressar a esse ponto edénico por que tanto ansiamos, estamos a recordar essa Perfeição que É.

Helena Queirós helenaqueiros@bragatel.