Internacional Jornalismo espírita em Espanha Ósc,ar Garcia'R-odrigues
Jornal de Espiritismo nº 22 · Maio 2007Página 195 min
Jornalismo espírita em Espanha
Ósc,ar Garcia'R-odrigues, espírita, vivendo nas Ilhas Canárias, fez um trabalho pioneiro na Península Ibencaj ao fazer uma pesquisa sobre o jornalismo espírita espanhol desde o tempo de Allan Kardec à Guerra Civil. O «Jornal de Espiritismo» fez a entrevista na cidade de Córdoba.
Como surgiu a ideia desse trabalho? Óscar Garcia Rodrigues — Comecei desde as pesquisas que tinha realizado faz alguns anos na elaboração de meu livro “Historia del Espiritismo en las Islas Canárias* Ediciones Alternativas, La Palma 1997. Durante a pesquisa encontrava informações preciosas para adiantar na minha pesquisainiciada, curiosamente, quando soube da existência de um antigo jornal espírita na Ilha de Tenerife entre 1881 e 1892, aproximadamente, que se chamou «La Caridadb.
Fui descobrindo, paralelamente, interessantes dados, referências e pistas relativas a publicações de carácter espírita que surgiram em solo espanhol, tais como ensaios, monografias, novelas, literatura mediúnica diversa, folhetos, apólogos, assim como também publicações periódicas. Fui anotando todos estes dados prevendo futuros trabalhos e posteriormente comecei uma busca mais exaustiva que me levou hoje a dispor de abundante documentação inédita.
Quanto tempo demorou essa pesquisa? O. G. R. — Nesta linha de pesquisa demorei a investigar quase oito anos, não de ma-
neira continuada, mas segundo as circunstâncias e conforme me iam permitindo as
a procurar onde possa. Tudo isto se pode comparar a um trabalho de detective que consiste em encontrar pistas que se tem que rastrear até se dar com os documentos ou informações ocultas, perdidas ou esquecidas.
Quantos jornais e revistas espíritas existiam antes da ditadura do general Franco? O. G. R. — Cataloguei um total de 104 periódicos que existiram em Espanha entre 1868 e 1936, no começo da Guerra Civil. Este número poderá variar ligeiramente, acima ou abaixo, atendendo ao avanço das investigações ou por outras circunstâncias, como podem ser critérios de catalogação. TiVe, por exemplo, revistas que se fundiram dando lugar a novas publicações; periódicos que deixaram de existir, surgindo outros em poucos anos com o mesmo nome que
se autoproclamaram continuadores dos seus antecessores homónimos, etc. Três Ou quatro casos considero-os duvidosos, dado as suas escassas referências. .. Enfim, várias causas poderiam alterar levemente o nNúmero anteriormente mencionado.
E depois da ditadura, quantos foram os jornais que sobreviveram?
O. G. R. — Nenhum! O drama fratricida da Guerra Civil espanhola levou ao afogamento praticamente total do movimento espírita espanhol, cujos rescaldos passaram a sobreviver a duras penas nas catacumbas, iniciando uma prolongada agonia na maior parte dos casos, ou sobrevivendo "milagrosamente” em outros, que logo, a partir da chegada da democracia, fertilizou o ressurgimento actual do movimento espírita espanhol
Podemos concluir que a ditadura destruiu completamente a imprensa espírita? O. G. R. — Evidentemente. Encontrei slogans usados na época franquista onde se dizia que os três grandes inimigos contra o que se havia de lutar eram “a maçonaria, o comunismo e o espiritismo"Isto pode dar uma ideia das condições em que ficaram os espíritas espanhóis após a guerra, ainda segundo as zonas do país que se considerem, as coisas foram mais ou menos duras.
Quantos jornais espíritas existiram desde o aparecimento do espiritismo em Espanha até aos dias de hoje?
O. G. R. — Meu estudo só abarca desde Kardec até à Guerra Civil espanhola, ou seja, até ao ano de 1936. E nesse período, como disse antes, cataloguei 104 revistas ou jornais espíritas mais outras três publicações que eu denominei "afins” Ao mesmo tempo (princípio de 1887) verifiquei a existência de 15 periódicos, como número mais avultado.
Qual é e onde surge o primeiro periódico espírita espanhol?
O. G. R. — Coube a honra de ser a primeira publicação espírita espanhola à revista "El Criterio Espiritista”, fundada em Madrid em Novembro de 1868, por Alverico Perón (pseudónimo de Enrique Pastor y Bedoya), cujo primeiro número viu a luz em princiípios do mês de Novembro do referido ano. Não obstante Alverico Perón e os seus companheiros da Sociedade Espírita de Madrid já vinham trabalhando para a edição de uma revista espírita desde meados de 1867, a ponto de publicarem o primeiro número que fizeram presente às autoridades, mas que a censura eclesiástica proibiu.
Os espíritas de Madrid, não obstante, não renunciam e dão à luz a publicação periódica denominada El Criterio”, subtitulada *revista quinzenal cientifica, onde se se fazia alguma alusão ao espiritismo, teria de ser de forma muito velada. Foi dirigida por Joaquíin Huelbes Temprado e manteve-se assim até Setembro de 1868, em que cessa para dar lugar a "El Criterio Espirítista”.
Existiu algum factor determinante para esse surgimento?
O. G. R. — Sem dúvida. Isso só foi possível pela mudança da situação política do país em consequência da revolução de Setembro de 1868 em Espanha, chamada “La Gloriosa”, que inaugurou uma época de maiores liberdades no país.
Num breve tempoantes de finais de 1869 — já existiam quatro periódicos espíritas em Espanha, desde "El Criterio Espiritista”. Seguiram-no, sucessivamente, “El Espiritismo”, de Sevilha (Março de 1869), fundado por Francisco Martí Bonneval, “La Revista Espirítista, periódico de estudios psicológicos”, de Barcelona (Maio de 1869), fundado por José M. Fernández Colavida, y “El Alma” (Novembro de 1869), que foi o órgão do Centro Magnetológico-Espiritista de Madrid.
O drama fratricida da Guerra Givil espanhola levou ao afogamento praticamente total do movimento espírita espanhol
O. G. R. — A várias. Em primeiro lugar, que hoje em dia o movimento espírita espanhol padece de um grande risco para o seu desenvolvimento sobre bases seguras, e o enorme desconhecimento que tem do seu glorioso passado, surgido em grande parte por um enorme vazio que se fez sentir na época da ditadura franquista.
Em segundo, pude constatar a impressionante perda documental que a guerra e o trabalho inquisidor da férrea ditadura que se seguiu pôs fim, fim suposto para a história das ideologias não consoantes com o nacional-catolicismo, adoptado como ideal oficial pelo regime franquista, ou derivadas de destruições levadas a cabo por medo. Apesar de tudo, o meu propósito com este trabalho é ser uma ponte entre o passado e o presente do espiritismo hispânico, contribuindo na recuperação da sua memória histórica.
Texto e fotos: Luís de Almeida
Nota: A pesquisa efectuada por Oscar García Rodríguez pode ser encontrada pelos leitores no site Oficial da AME PORTOAssociação Médico-Espírita da Área Metropolitana do PortowWww.ameporto.org
Fotos Legenda: F1 - Oscar García Rodríguez (escolhe a foto) | F2 - Pagina principal do primeiro numero do El Criterio Espiritista, que saiu em 1 de Novembro de 1868. | F3 Enrique Pastor y Bedoya, ou “Alverico Perón' (seu pseudónimo), fundador de «El Criterio Espiritista» (um dos grandes pioneiros do espiritismo espanhol juntamente com
José Maria Fernández Colavida). Alverico Perón chegou a visitar em várias oportunidades Allan Kadec, que segundo parece o considerava um de seus mais inteligentes discípulos.

