Óbidos: 150 anos de espiritismo As IV Jorqadas de Cultu'ra
Jornal de Espiritismo nº 22 · Maio 2007Página 76 min
Óbidos: 150 anos de espiritismo
As IV Jorqadas de Cultu'ra. Espírita do Oeste começaram na sexta-feira, 27 de Abril, à noite. Uma finíssima chuva Primaveril deu as,bças-vmdas aos pgrtlapantes, vindos de todos os pontos de País e mais uma vez reunidos no Auditório Municipal “Casa da Música', sempre gentilmente cedido pela Câmara Municipal de Óbidos.
No filme de abertura, da autoria de Vasco Marques e Sílvia Antunes, com o carinho habitual, viajava-se desde algures no Universo até ao planeta Terra, Portugal e Óbidos, ao som de um tema musical que falava da “razão por que estamos aqui”. Bonito e eloquente.
O evento assinalou os 150 anos da publicação de O Livro dos Espíritos, e a palestra de abertura foi dedicada ao tema. A conferência rendeu singela, porém sentida homenagem ao trabalho abnegado de Allan Kardec, e ao seu carácter bom e franco, a fazer lembrar às suas próprias palavras em O Evangelho Segundo o Espiritismo:“O verdadeiro homem de bem é o que cumpre à lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza”. A breve história do Espiritismo terminou com uma comunicação gravada, de Jorge Gomes (vice-presidente da Associação de Divulgadores de Espiritismo
de PortugalADEP), distante fisicamente mas perto do coração de todos, acerca do porvir do movimento espírita, lembrando
a necessidade do amor e da instrução, tal como recomendado pelo codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec.
Esta conferência, apresentada pelos professores Amélia Reis e Mário Correia, foi
um dos pontos altos do evento, atingindo momentos de brilhantismo,
Marilusa Vasconcellos, uma das ilustres convidadas, tomou lugar na mesa para o pequeno debate que se seguiu, e encantou a audiência com o profundo conhecimento que demonstrou e com o seu estilo acessível, muito brasileiro.
A noite encerrou com a exibição de um filme de cerca de 20 minutos, sobre os 150 anos de O Livro dos Espíritos, concebido por Vasco Marques, e com os acordes suaves da música do João Paulo e da Filomena.
No sábado, um sol radioso saudou as Jornadas. Óbidos, que nesta altura do ano parece uma ilha dourada no mar verde dos campos, estava mais bonita e perfumada que nunca. A manhã foi dedicada ao tema dos “Conflitos existenciais”. Solidão, depressão, inveja, insatisfação, ressentimento, melindre, sentimento de culpa associado às relações afectivas, foram abordados por Marilusa, na sua dupla condição de psicóloga clínica e de espírita. Boa disposição, optimismo, linguagem acessível e pontuada com a narrativa de casos reais, marcaram esta agradável e proveitosa comunicação.
De tarde, foi a vez de Luísa Fernandes falar acerca da superação dos medos. Professora, mestre em Educação pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e espiritualista, apresentou um trabalho cientificamente rigoroso e ao mesmo tempo simples de entender e cheio de utilidade prática. Abordou o medo, os vários medos, a angústia, a ansiedade, o pânico e a insegurança, e as respectivas estratégias de superação.
As expositoras responderam às perguntas feitas pelo público, sempre interessado. Foram distribuídos os diplomas de participação às convidadas, e os trabalhadores do Centro de Cultura Espírita também subi-
ram ao palco para receber um aplauso do público e para o retribuir a todos quantos vieram tão simpaticamente participar nesta
iniciativa. Já caía a noite em Óbidos quando Marilu-
sa subiu de novo ao palco da Casa da Música para a sessão de pintura mediúnica. É sempre impressionante assistir-se à velocidade do trabalho dos médiuns
de psicopictografia, ao modo como as camadas de tinta de óleo são sobrepostas sem se misturarem, às formas que vão aparecendo com simples golpes de mão na superfície de trabalho. Marilusa foi pintando várias telas em paralelo, desenhou, pintou com os pés, entregou-se ao trabalho que a Espiritualidade preparou e proporcionou um momento alto interessante das Jornadas,
De realçar a presença do vice-presidente da Federação Espírita Portuguesa, Vítor Féria, bem como do seu secretário, Ribeiro da Silva, cujas presenças foram saudadas pela organização.
As jornadas encerraram com a prece feita por Julieta Marques, de Lagos, sempre Jjovial e simpática, como todo o espírita deve ser.
No final ficou a ideia de um ambiente muito fraterno e alegre, patenteado nos presentes, que prometeram voltar para o próximo ano.
Até lá... estudemos e pratiquemos o Espi-
ritismo... colocando a tónica no amor em
tudo o que façamos ou com quem nos relacionemos no dia-a-dia.
Texto: Roberto António. Fotos: JCL
Jormadas deCultura Espírita do Porto
«O Livro dos Espíritos» e a sua importância na evolução da Humanidade foram o foco impulsor das | Jornadas de Cultura Espírita do Porto, que decorreram na cidade da Maia, nos dias 14e 15 de Abril.
Mais de 700 pessoas estiveram no Fórum daquela cidade, local da ocorrência do evento, a fim de ouvirem os testemunhos dos representantes das diversas associações que, em espírito de união e solidariedade, trouxeram momentos de lúcida reflexão
e convívio sadio à todos quantos ali se dirigiram.
Promovidas pela Federação Espírita Portuguesa (FEP) e alicerçadas pelo Movimento Espírita da Região Porto, as | Jornadas de Cultura Espírita do Porto tiveram como tema «O LIVRO DOS ESPÍRITOS: 150 ANOS»,
numa merecida homenagem de aniversário de lançamento da obra inicial de Allan Kardec.
A abertura, no dia 14 de Abril, pela manhã, contou com a recepção aos participantes inscritos, através da validação dos boletins de acesso e da respectiva entrega das pastas comemorativas do acontecimento. Enquanto as crianças se empenhavam em encetar diligências no'Atelier de Actividades Lúdicas”, o coro da Faculdade de Arquitectura do Porto deu início às solenidades da parte da tarde, a que se seguiriam
momentos de explanação espírita, nomeadamente aquando da mensagem proferida pelo presidente da FEP, Arnaldo Costeira, que destacou os benefícios da Doutrina Espírita e a sua capacidade de regenerar o homem, ao libertá-lo das fórmulas simplistas e dos preconceitos, conduzindo-o à perfeição. Ao Coro Infantil das Associações Espíritas da Região do Porto coube a tarefa de dar seguimento aos assuntos agendados, antes da apresentação do tema «União Regional EspíritaRazão da sua existência; seus paradigmas; seus fins», tratado em Mesa Redonda com as Associações Espíritas da Região Porto.
No dia 15 de Abril, as actividades iniciaram às 9.30 horas com as boas-vindas aos participantes e de novo o Coro Infantil das Associações Espíritas da Região do Porto arrebatou o auditório como lenitivo para as exposições temáticas que se iriam seguir. Assim, «A existência de Deus», conduzi-
do por José Augusto Silva, da Escola de Beneficência Caridade Espírita; «O Livro dos Espíritos: Um manual de educação para a evolução do homem', conduzido por Regina Figueiredo, do Centro Espírita Caminheiros da Luz; «Como é morrer?», conduzido por Cátia Martins, do Centro Espírita Caridade por Amor e «A saúde», conduzido
por Maria Áurea Rodrigues, do Núcleo Espírita Rosa dos Ventos foram ventilando as três faculdades humanas: sentir, pensar e agir, num profundo estudo das informações dadas pela Codificação sobre os fenómenos da vida física, mas também da vitalidade espirítual. A programação de encerramento destas | Jornadas iniciou com o tema “Educação, a visão dos espíritos”, conduzido por Casemiro Ramos, do Lar Espírita Esperança, seguido de “A importância d'O Livro dos Espíritos na evolução da humanidade”, conduzido por Eduarda Rodrigues, da Associação Espírita Cristã Mensageiros da Caridade.
Nova Mesa Redonda com os expositores dos trabalhos, prontos a responder às questões postas pelo auditório, após prévia selecção. E, uma vez mais, as crianças em actividade, declamando o poema “Tristonho risonho”, extraído do livro «Murmúrios do Além», de Sofia Lago, a preparar o auditório para entoar o cântico “Quanta Luz". Foi desta forma que o Fórum da Maia abriu portas à possibilidade de rememorar os 150 anos de lançamento de «O Livro do Espíritos», de Allan Kardec, ocorrido no dia 18 de Abril de 1857, um sábado primaveril em Paris.

