Sesquicentenário de «O Livro dos Espíritos» Com a publicação de O Livr
Jornal de Espiritismo nº 22 · Maio 2007Página 1611 min
Sesquicentenário de «O Livro dos Espíritos»
Com a publicação de O Livro dos Espíritos nasce o Espiritismo e, ao mesmo tempo, ficam assentes de forma inamovível os seus fundamentos.
Todas as ciências, filosofias e doutrinas têm os seus princípios basilares, os seus fundamentos. O Espiritismo — Doutrina Espírita ou ainda Doutrina dos Espíritos — também tem os seus fundamentos. Quais são esses pilares que o sustentam e onde os podemos encontrar? Podemos resumir os seus fundamentos em cinco que defluem de «O Livro dos Espíritos»: 1ºDeus, 2ºImortalidade da alma, 3ºComunicabilidade dos Espíritos (perispírito e mediunidade), 4º
- Pluralidade das existências (reencarnação), 5ºPluralidade dos mundos habitados (reencarnação).
Mas, não podemos esquecer a grande lei que engloba todos eles com exclusão do primeiro a Lei da Evolução, que rege todos os seres e se desdobra na admirável Lei de causa e efeito, também designada por Lei
E, não podemos também esquecer, que o Espiritismo tem uma Moral, que não é nem mais nem menos que a ensinada e exemplificada por Jesus, como poderemos constatar de forma evidente ao compulsarmos
o livro, com particular incidência nas suas partes lll e IV (Livro Terceiro e Livro Quarto). A sua moral constitui um verdadeiro roteiro para seguirmos rumo à perfeição. Com ela a nossa evolução passa a fazer-se de forma consciente, ajudando-nos a evitar muitas dores e perdas de tempo.
Com «O Livro dos Espíritos» compreendemos que Jesus não é mais um mito, inatingível, que as religiões cristãs nos apresentam, mas sim um Espírito como nós, nosso irmão, que teve a mesma origem que nós; simplesmente o que nos distingue
é o grau de evolução,pois o Mestre dos mestres já realizou o mesmo processo de evolução que estamos agora a realizar. Não é nenhum privilegiado como nos ensinaram. Onde realizou Ele essa evolução? Por certo que não foi na Terra, mas em mundos que provavelmente já se extinguiram, pois que Deus, como nos informaram os Imortais, nunca deixou de criar e Jesus foi muito claro ao informar-nos que na casa do Pai existem muitas moradas. Também Ele teve OS Seus guias, os seus mestres, como nós agora O temos como guia e modelo.
Ao lermos com atenção o livro, fica também evidente que Jesus não veio fundar mais uma religião, mas sim lançar os fundamentos da civilização futura, em que o homem compreenderá que o egoísmo eoorgulho o impedirão de alcançar a paz
Este pequeno livro de 92 páginas é constituído po
e a felicidade, em suma a perfeição relativa com que sonha. Com a sua publicação o progresso deixa de ser feito às cegas para ser feito de forma consciente, para quem o compreender.
No que concerne ao primeiro princípio
H Deus E é definido logo na abertura do livro, após a introdução e os Prolegómenos. Ao fazer a primeira pergunta aos Espíritos, Allan Kardec retira o carácter antropomórfico ao Criador, isto é, não o considera como homem (antroposelemento grego que significa homem) ao colocar a questão «O que é Deus?» e não «Quem é Deus?». O Espírito da Verdade não o corrigiu, como fez noutras ocasiões, A resposta veio simples
e lacónica: «Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas». Nesse sentido compreendemos porque muitas pessoas se dizem ateias, pois que não acreditam no Deus que os homens fizeram, o velhinho iracundo que no meio das nuvens, sentado num trono, distribui graças a uns e desgraças a outros, que se irrita, que se arrepende, que manifesta acessos de ciúme, que se vinga, etc. Nesse deus, uma boa parte da Humanidade já não acredita, mas crê no Deus que nos fez, que levanta as ondas e faz germinar as plantas...
inéditos em português, do jovem Rivail, que pensávamos
não mais podermos ler, pois que possuindo mais de 170 anos julgávamos estarem perdidos para sempre como aconteceu ao espólio epistolar de Allan Kardec que foi disperso e destruído durante os grandes conflitos do século XX. Tais preciosidades
Logo no início da sua apresentação a grande estudiosa e divulgadora da pedagogia espírita assim se expressa:
«Nos idos de 92, estava eu em Paris e, junto com minha mãe, fomos em busca dos textos de Rivail/Kardec, na Biblioteca Nacional. Na sofreguidão da pesquisa, atirámo-nos aos arquivos e encontrámos dezenas de títulos. Os textos didácticospedagógicos e os espíritas. Os primeiros de Rivail, os segundos de Kardec. À maioria em variadas edições. E na sala especial, onde se examinam as obras raras, debruçámo-nos emocionadas sobre aqueles livros amarelados. Era mais do que a satisfação do pesquisador. Era o reencontrar da alma deste apóstolo, às vezes tão menosprezado pela
cultura pernóstica do nosso tempo e até por alguns, que se dizem seus discípulos.» Esta pequena jóia de literatura sobre educação é constituída por dois trabalhos que durante mais de um século estiveram desconhecidos do grande público em geral e dos espíritas em particular. Apenas os títulos são bem conhecidos dos estudiosos da biografia de Allan Kardec. São eles o célebre «PLANO PROPOSTO PARA A MELHORIA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA», apresentado e aceito pelas autoridades públicas francesas, que seria publicado em 1828, quando o jovem idealista, discípulo de Pestalozzi, contava 24 anos; e, o «DISCURSO PRONUNCIADO NA DISTRIBUIÇÃO DE PRÊMIOS», no dia 14 de Agosto de 1834, no final do ano escolar, na
pedagógicas podem hoje ser lidas e estudadas graças ao resgate feito pela discípula de Herculano PiresDora Incontri.
Instituição Rivail, em Paris, rue de Sêvres, n.º 35.
Ao lermos tais documentos verificamos quão grande e bela era a alma daquele Qque cerca de três décadas após, iria trazer à Humanidade a codificação do Espiritismo. Época em que não se cogitava de educar, nem as crianças, nem os seus pais, mas o jovem Denizard Rivail já se preocupava muito com a questão da educação, que sabia muito bem distinguir da instrução.
O primeiro trabalho de 70 páginas e o segundo de 14 mostram-nos à saciedade a estrutura moral, intelectual e espiritual daquele que vinha com a missão de ser mais tarde o grande educador da Humanidade ao codificar o Espiritismo. Hoje podemos ver que o grande missionário, antes de iniciar a sua missão, teve um longo tirocínio de meio século no campo da educação, como preparação para materializar na Terra a promessa de Jesus.
No seu PLANO, numa época em que nem se pensava em cursos para professores
e educadores, o jovem educador fala da necessidade imperiosa de se formarem os professores como se formam os advogados e os médicos. Diz o seguinte:
«Aqueles que se destinam à magistratura não podem ser advogados sem terem estudado as leis; não confiaríamos a saúde a um indivíduo que se dissesse médico sem ter estudado medicina; por que confiamos assim tão levianamente os filhos a homens que não sabem o que é a educação?». Noutra passagem do seu PLANO revela-nos a sua grande sensibilidade e o poder de empatia para com as crianças:
«Que deve pois fazer o educador? Ele deve velar com maior atenção por tudo o que possa fazer qualquer impressão sobre elas; por sua experiência e por sua perspicácia,
deve poder calcular seus defeitos; deve dirigir as circunstâncias. Não deve esquecer que uma mínima palavra, uma mínima acção, o tom que usa nesta ou naquela ocasião, a própria expressão de sua fisionomia, a maneira pela qual uma punição é aplicada ou uma recompensa é dada, a natureza dessa punição e as circunstâncias que a acompanham, as cenas de que uma criança é testemunha, a energia ou a fraqueza que se mostra a seu respeito; ele não deve esquecer, digo eu, que todas essas circunstâncias provocam impressões frequentemente muito profundas.
Em muitos casos, é melhor não punir; uma simples observação amistosa, uma admoestação feita com doçura ou com energia segundo as circunstâncias, até um olhar, fazem mais efeito que uma punição. Isso depende do carácter da criança, de sua idade, ..»
Na seguinte passagem do DISCURSO, registamos o seu carácter positivo e racional, não possuindo tendências místicas, o que prova à evidência que o professor Rivail não se abeirou dos fenómenos espíritas, com ideias pré-concebidas:
«Então, ela [a criança] não será, como um bruto, indiferente a tudo o que maravilha seu olhar; então ela não mais acreditará em almas do outro mundo, nem em fantasmas; ela não mais tomará fogos-fátuos por espíritos.»
Estes escritos confirmam a grande paixão do professor Rivaila Educação -, sem a qual o indivíduo primeiro e depois a sociedade, não poderão evoluir para patamares superiores de bem-estar e felicidade.
Este livro da Editora Comenius, São Paulo, integra a colecção «Clássicos da educação» e teve à sua 1º edição em Março de 1998. Texto: Carlos Alberto Ferreira
Associações Espíritas da Região do Porto estão na Interneteg
“Decorreram, no passado 14 e 15 de Abril, as |Jornadas de Cultura Espírita do Porto, organizadas pelas Associações dessa Região, em comernoração dos 150 anos de “O Livro dos Espíritos”. O endereço Www.uniaofrater-
na.org é o site na Internet destas Associa ções, onde poderá encontrar informações de todas as actividades espíritas relacionadas com a zona do Porto.
Para conhecer as instituições desta zona e
ENTREVISTA A FREQUENTADORES DE CENTROS ESPÍRITAS - || icgNez
Olga Maria Santos, 57 anos, formadora, reside no Porto.
Como conheceu o Espiritismo?
Olga Maria Santos — Conheci o Espiritismo há 26 anos através de uma amiga que me levou a um centro, a Comunhão Espírita
Frequenta algum centro espírita?
Olga Maria Santos — Não freguento nenhum centro espírita neste momento.
Qual a sua opinião acerca do «Jornal de Espirítismo»? Olga Maria Santos — Acho este jornal interessante, mas penso que se tivesse mais ima-
gens talvez provocasse mais impacto.
O Espiritismo mudou alguma coisa na sua vida?
Olga Maria Santos — Sim, o Espirítismo mudou completamente a minha vida, especialmente porque aprendi a autoconhecer-me e a tentar aceitar os outros como eles são e não como eu gostaria que fossem. Além disso, a reencarnação deu-me um novo sentido
Octávio Campos dos Santos, 50 anos, técnico de administração tributária adjunto, frequenta o
Centro Espírita Boa Vontade, de Portimão.
Como conheceu o Espiritismo?
Na secção "Orientação” existem três modelos de documentos. Um deles é um documento — tipo para criar uma Associação, outro é para Orientação ao Centro Espírita, existindo ainda um terceiro com os Estatutos. Muito útil!
Parando na área dos Eventos, podemos encontrar uma Agenda do que vai acontecer nos centros espíritas desta zona e também álbuns de fotografias de eventos já decorridos
Se quiser, pode ir à “prateleira" da Biblioteca Virtual e consultar a Codificação, o que dá sempre jeito! Passe também pelas “Mensagens“de Bezerra de Menezes e Allan Kardec, que esclarecem acerca do Espíiritismo e da
importância da União e da Unificação, no âmbito das Casas Espíritas.
sal que, em breve, irá veicular informação relacionada com estas instituições. No site existe um exemplo de Layout deste Jornal
um blog para difusão de informação e interacção com os cibernautas.
conteúdos e que está envolvido em muito bom gosto e harmonia de cores. Um bom exemplo do que se pode fazer com tecnologia Flash (animação web).
tos: www.uniaofraterna.org respectivas actividades, basta clicar no botão “Associações”, onde poderá igualmente ver a respectiva localização geográfica num mapa ou, também, uma lista completa com toda a informação em formato PDF.
Vasco Marques mailâ&vascomarques.net
Octávio Campos dos Santos — Apesar de ter nascido numa
família“sem religião”, quando vi um sacerdote pela primeira vez, na escola primária, então com sete anos de idade, decidi naquele instante que iria ser padre. Aquele foi um dos momentos mais marcantes de minha vida, não sei se pela batina preta, se os cânticos religiosos que ouvi pela primeira vez, decidiram o meu futuro. Aos 11 anos de idade entrava hna ordem religiosa do Coração de Maria, nos Carvalhos-Vila Nova de Gaia, com o sonho de ser missionário, que se manteve até aos 18 anos.
Depois regresso ao Alentejo, onde se passavam fenómenos relatados por minha mãe que à luz dos conhecimentos que trazia de" teologia católica"não tinham cabimento, já que
as almas comuns dos simples mortais não se podiam comunicar com os vivos. À pouca convicção dos meus conhecimentos a grande curiosidade pelo oculto e proibido foram os impulsionadores da minha busca. E como quem busca sempre encontra, encontrei em Portimão, uma revista “Fraternidade", escrevi para lá solicitando envio de «O Livro dos Espíritos» e obtive resposta de Eduardo Matos, que me aconselhou a contactar o sr. Gabriel (que viria, anos mais tarde, a fundar a Associação Espírita de Portimão). Foi um encontro inesquecível, esperava algo bem diferente, mas encontrei algumas das respostas que há muito procurava, muitas das quais estavam na reencarnação, que aceitei na hora.
O Espiritismo modificou a sua vida?
Octávio Campos dos Santos — O primeiro contacto que tive com o Espiritismo libertoume de um grande medo do Inferno, que me atormentava desde criança. Percebi que um possível sofrimento para sempre não se coadunava com uma misericórdia infinita, daí a sensação de liberdade e leveza com que saí daquele lar cristão, na Av. 25 de Abril, apesar de vir carregado com dois 'grandes*livros: «O Livro dos Espíritos» e «O Evangelho Segundo o Espiritismo» e com duas dívidas: uma de gratidãoea dos livros.
Mas, só me tornei espírita, anos mais tarde, já com trinta e poucos anos, quando buscamos no Espiritismo ajuda para um familiar. Nessa altura percebi que era conveniente mudar de hábitos, que o Espiritismo tinha uma componente moral que até aí eu não tinha entendido. Daí para cá nossa vida nunca mais foi a mesma.
Que livro espírita anda a ler neste momento?
Octávio Campos dos Santos — Tenho o hábito de ler mais do que um livro ao mesmo tempo: para além dos livros da codificação, agora estou a ler: «Diário de um Doutrinador» de Luiz Gonzaga Pinheiro, Editora EME, e «Vivência Mediúnica — Projecto Manoel P. de Miranda», LEAL.
O Mensageiro da União é o periódico men-
Para além do próprio site informativo, existe
Não é comum encontrar um site com tanta qualidade a nível de animação, webdesign,
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