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Águeda: Grupo de Jovens e os Conflitos Familiares

Jornal de Espiritismo nº 23 · Julho 2007Página 58 min

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Notícias ÁGUEDA: GRUPO DE JOVENS E OS CONFLITOS FAMILIARES Quarta-feira, dia 27 de Junho. Pelas 20h30, na Associação Espírita Consolação e Vida, em Águe- da, todos se preparavam para viver um momento que, sem exageros, iria mudar as concepções conhecidas no relacionamento entre pais e filhos. A mesa estava emoldurada por cerca de 10 Jovens, com idades compreendidas entre os 15 e os 20 anos. Os restantes companheiros, pois são cerca de 40 os que compõem o Grupo, sentavam-se ali perto, como que a transmitirem for- ça e alento para os que iriam dissertar sobre um tema, escolhidos entre muitos, em que todos trabalharam, ao longo de um ano.

Na tela, onde iria ser projectado o trabalho, apareceram as palavras “Conflitos no Relacionamento Familiar”. Após os cânticos e prece de abertura, ouviram-se as palavras de apresentação do trabalho, pelo dirigente da Associação, Dr. Luténio Faria, que é também o orientador destes jovens que, aos sábados de tarde, se reúnem para estudar e debater assuntos próprios da adolescência sob a óptica do Espiritismo. A Rute, o Bruno, o Miguel, o Rodrigo, a Cristina, o Alexandre, a Amanda, o André Luís e outros ainda, deram a sua achega e opinião aos assuntos que iam aparecendo no ecrã: A “Ingratidão”; a “Liberdade sem Responsabilidade”; o “Materialismo”; as “Deficiências Físicas”; a “Solidão”; a “Vio- lência Doméstica”; “Como Educar os Filhos”; os “Vícios Sociais” e a “Orientação Sexual”.

A assistência estava presa às palavras sinceras vindas dos corações daqueles seres de palmo e meio que, de forma desinibida, mas humilde, expunham as suas experiências com humildade e preconizavam soluções para os conflitos familiares, sem se considerarem vítimas nem os únicos detentores da verdade. Consideraram que as atitudes positivas e negativas imergem de ambas as partes: Pais e Filhos. Falaram ainda dos “Laços de Família” na visão social e espírita.

A prática do “Amor” e da “Caridade”, por todos e para todos, deve ter início na própria Família. Isso mesmo foi referido pelo Grupo que, um a um, empolgados e muitas vezes improvisando, mas com toda a sabedoria, se dirigiram aos presentes, falando da “Tolerância”, da “União”, do “Diálogo”, da “Humildade” da “Disciplina”, da “Compreensão” e, como corolário, da “Oração e da necessidade de se fazer o “Evangelho do Lar”.

Houve ainda tempo para a leitura da mensagem “Paz em Casa”, do Espírito Emmanuel, psicogra- fia de Chico Xavier, que a todos comoveu. O Grupo de Jovens da AECV prometeu voltar em Setembro, com um novo trabalho. Por Sílvia Antunes ESPIRITISMO, UNIFICAÇÃO, EFICIÊNCIA Tal como já sucedera em 2006, a Associação Espírita de Leiria creditou-se de mais um rele- vante serviço à causa espírita: deu execução em 15, 16 e 17 de Junho passado a um novo CURSO DE CAPACITAÇÃO DO TRABALHADOR ESPÍRITA, agora ampliado; a promoção coube ao Conselho Espírita Internacional e Federação Espírita Portuguesa, com apoio da Federa- ção Espírita Brasileira.

Merece registo o grande esforço que a efectivação do Curso também representa por parte da FEB: enviou-nos do Brasil nada menos do que seis experientes elementos dos seus quadros directivos, que, além da cooperação prestada nos vários departamentos da secular instituição, honram ainda os compromissos dos respectivos vínculos profissionais e familiares. Possuidora de um conteúdo muito rico, nas diversas áreas didácticas abrangidas, esta iniciativa coroa o bom funcionamento, “no terreno”, do saudável princípio de unificação, bem implanta- do no Brasil, já preconizado por Allan Kardec, ainda tímido e inseguro em Portugal.

A dita iniciativa partiu do órgão de cúpula do movimento espírita mundial (CEI), e através de dois órgãos nacionais (federações brasileira e portuguesa) alcançou as unidades de base (instituições locais) dum país (agora Portugal, amanhã outros). Assim, a funcionalidade da rede de unificação veiculou o tesouro do conhecimento, previamente ordenado em consensos sucessivamente alargados, em sentido inverso: das unidades locais brasileiras para as unidades regionais (municipais e/ou estaduais), e destas para a cúpula nacional (FEB), através dos dispo- sitivos do Conselho Federativo Nacional, com as suas regiões e subregiões.

A FEB, em colabo- ração com o CEI e a federação (ou equivalente órgão de cúpula) de cada país, tem alastrado a outros membros nacionais do CEI o conhecimento sistematizado, com o necessário ajuste às particularidades (por exemplo, legislativas) de cada um deles. O excelente conteúdo didáctico deste Curso de Capacitação resultou, pois, do debate e partici- pação desde as bases, e dos seus consensos parcelares; estes, oportunamente transitaram para jurisdições territoriais sucessivamente maiores, para obtenção de aperfeiçoamento e consensos mais amplos, até chegarem à cúpula nacional; e, também no devido tempo, ficarem em con- dições de disponibilidade para o CEI, órgão internacional do movimento espírita, com as suas atribuições de coordenação e promoção mundial.

Não se fizeram representar no evento de Leiria todos os grupos e centros espíritas deste País, mas, de entre Bragança e Portimão, acorreram mais de três centenas de elementos. De muitos pudemos ouvir comentários de apreço à sólida estrutura de unificação espírita no Brasil, que certamente não deixará de ter muitas dificuldades, mas apresenta já excelente frutificação. Naquele imenso território de oito milhões de quilómetros quadrados, naturalmente propício à dispersão, deterioração e enfraquecimento de qualquer ideologia, a doutrina espírita consegue usufruir de invejável preservação, robustez e unidade, graças ao esforço de unificação posto em prática.

Temos ouvido perguntar: e Portugal? Parece unânime, entre os espíritas lusos, ser mais do que tempo de nos organizarmos a sério no nosso País. Com fraternidade e empenho completaríamos o pouco que já se fez no sentido da unificação interna, para que ela possa articular-se bem, dentro de si e com o movimento espírita internacional, beneficiando-o e beneficiando-se. Como? Eis o problema. Identificar-lhe os dados e equacioná-los, em diálogo franco desde as bases até ao topo, seria tarefa a partilharem todos os espíritas.

E todos compreendemos que não se trata de impor unanimidade nem unicidade em todos os aspectos da prática doutri- nária, pois é bom haver divergências e sempre as haverá. Importa contudo não as deixarmos degenerar em dissenção e exclusão; não hostilizar, mas unir diferenças de opinião em torno do fundamental, em que estamos de acordo. Muito se tem trabalhado e está já construído, faltando porém, em vários aspectos da obra, o acabamento fraterno da união, da comunhão de vontades e propósitos; com ele se poderia atender a muitas mais necessidades materiais e espirituais, do que aquilo que graças a Deus já temos em prática.

O Brasil espírita de hoje, tão florescente e produtivo graças à estrutura bem oleada da unifica- ção, também teve muitas dificuldades a vencer, antes e mesmo depois da etapa gloriosa de 5 de Outubro de 1949, em que diversas instituições espíritas se uniram decisivamente no aben- çoado Pacto Áureo, para cooperarem fraternamente, sem prejuízo da identidade e autonomia de cada uma. Uma iniciativa de vários países europeus, nos anos 80 do século passado, visou inicialmente formar uma “Confederação Espírita Europeia”, mas o Congresso Espírita Mundial de Novembro de 1990, em Liège, optou antes pela formação duma entidade espírita mais ampla, intitulada “União Espírita Mundial”.

Cerca de um ano depois, em reunião durante o Congresso Internacio- nal Espírita de São Paulo, os confrades do Reino Unido, corroborados pelos dos EUA, lembraram a conotação laboral e sindical da palavra union, nos dois países, e concordou-se em definitivo com a designação Conselho Espírita Internacional, nas várias línguas dos participantes. Um ano depois, a 28 de Novembro de 1992, o CEI nascia do Congresso Espírita Mundial de Madrid; constituíam-no nove países: Argentina, Brasil, Espanha, França, Itália, Portugal, Suécia, Reino Unido e Estados Unidos (por ordem alfabética, nas respectivas línguas), elevando-se hoje o seu número a quase três dezenas.

O saudoso Rafael Molina foi o primeiro Secretário-Geral da sua Comissão Executiva, e Madrid a primeira sede rotativa, em conformidade estatutária com o país/residência do Secretário-Geral. De 1 a 5 de Outubro de 1995, realizou-se em Brasília o primeiro Congresso Espírita Mundial promovido pelo CEI., e com ele a primeira reunião eleitoral para novo mandato trienal do seu órgão administrativo. Os países componentes, unânimes em reconhecerem a vitalidade e experiência do movimento espírita brasileiro como grande sustentáculo do CEI, em escrutínio secreto elegeram Secretário-Geral o até ali Primeiro Secretário, Nestor João Mazzoti, e Brasília como nova sede rotativa.

Com um rico património de experiência, o movimento espírita brasileiro atende hoje às neces- sidades do seu território, em matéria de difusão e preservação doutrinária. Mas também dispen- sa fraterno apoio muito além das suas fronteiras, cooperando com o CEI, órgão de coordenação do movimento espírita mundial, em boa hora surgido um dia na Europa. E naturalmente, por tantos motivos, vota especial afecto ao movimento espírita português, que considera uma base de apoio magnífica para a difusão espírita no Velho Continente.

Aqui nasceu e floresceu imenso o Espiritismo, até à primeira década do século XX; as duas guerras mundiais e outros factores históricos debilitaram-no e levaram-no à ruína quase total neste Continente, onde graças a Deus se vem reerguendo com vigor, desde algumas décadas. Nesse processo, Portugal enfrenta o desafio dum papel muito importante, a que, individual e colectivamente, não poderíamos furtar-nos sem grave dano espiritual.

Por João Xavier de Almeida HUMBERTO VASCONCELOS EM PORTUGAL Quem foi na noite do dia 15 de Junho ao Centro Cultural Espírita em Caldas da Rainha pôde assistir a uma óptima palestra proferida pelo professor universitário Humberto Vas- concelos, natural de Recife, capital de Pernambuco, Brasil. Além de professor universitário, no movimento espírita é presidente do conselho directivo da Fraternidade Espírita Francisco Peixoto Lins.

Tem 12 livros espíritas publicados, entre eles os livros “Materialização do amor”, sobre a vida e obra de Francisco Peixoto Lins (médium Peixotinho), e “O silêncio foi quebrado e outros escritos”, onde homenageia os 200 anos de nascimento de Kardec. E essa Fraternidade Espírita também dirige a Doxa Editora, que é responsável pela edição de livros espíritas. A palestra teve como tema «A Vida e Obra de Francisco Peixoto Lins (Peixotinho)», médium de materialização, pessoa caridosa, que tinha a particularidade de produzir materializações luminosas, o que é pouco frequente.

No dia 19 deste mesmo mês foi a vez da Associação Cultural Espírita Castrense (ACEC) ser presenteada com uma outra bela e elucidativa palestra de Humberto Vasconcelos intitula- da “O Espiritismo”, onde sobressaiu a grande cultura literária e espírita do palestrante, não seja ele professor universitário de literatura e lingua portuguesa e militante da doutrina espírita há mais de 50 anos. Tendo em atenção aqueles que pouco conhecem do espiritis- mo, dirigiu a sua palestra de forma a esbater alguns preconceitos que geram mal-entendi- dos e mostrou de forma simples que a doutrina espirita está ao alcance de quem quer que pretenda estudá-la sem prevenções.

Apesar desta ser ainda uma pequena e jovem associação espírita, constituída por um redu- zido número de colaboradores e que ainda está a dar os seus primeiros passos, nesse dia a assistência foi numerosa e participativa, tendo dirigido ao palestrante algumas questões interessantes que foram devidamente esclarecidas.