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Opinião O apelo do espiritismo Quinta-feira, uma tarde de sol, feriado

Jornal de Espiritismo nº 23 · Julho 2007Página 146 min

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Opinião O apelo do espiritismo Quinta-feira, uma tarde de sol, feriado, 7 de Junho, TVI, programa «As Tardes de Júlia». O tema Espiritismo estava sobre a mesa. As cartas lançadas. Os convidados alinhados nos seus lugares, de diversas proveniências. Tudo estava previsto excepto o enorme êxito que este programa teve. Uma lição de simplicidade, de humildade a não perder como roteiro para o futuro. Já há muito tempo que a Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) tinha sido contactada pela produ- ção da TVI que reconhecendo credibilidade nesta organização a convidou para mais um desafio: estarmos presentes num programa deste canal, mais propriamente num dos mais visionados pelos telespectadores, o programa da tarde, intitulado «As Tardes de Júlia».

Desse convite surgiu a oportunidade da Profª Amélia Reis, sócia da ADEP, residen- te nas Caldas da Rainha, ir à TVI em repre- sentação desta organização, uma vez que os seus directores estavam impossibilitados de lá se deslocarem por motivos pessoais. O programa prometia muita expectativa, até porque a TVI é um canal associado por muitos ao sensacionalismo, o que em nada se coaduna com a postura espírita. Não podemos deixar de registar que nos enganámos, pois o programa decorreu com muito profissionalismo.

Cláudia Antunes, uma jovem médium, es- pírita e trabalhadora de um centro espírita da região Centro, deu um testemunho surpreendente, demonstrando em público como a mediunidade é uma faculdade do ser humano, perfeitamente controlável, ao invés da ideia errada que alguns círculos menos informados têm desta faculdade humana. A Drª Robertina, médica oftalmologista espantou todos os telespectadores com um testemunho notável, acerca de mani- festações espontâneas de uma jovem filha, falecida (através de médiuns que nunca a conheceram).

O Dr. Vítor Rodrigues, psicólogo clínico sobejamente conhecido e pesquisador da vida para além da morte, deixou notável roteiro para todos aqueles que não temem enfrentar o preconcei- to social e científico vigente, afirmando sem titubear que tudo indica que a vida continua após a morte do corpo de carne, que os falecidos se podem comunicar com os ainda no corpo de carne, e que falta à ciência oficial pesquisar essa área do conhe- cimento e descobrir novos equipamentos que consigam detectar a vibração subtil do corpo espiritual e do Espírito.

A Profª Luísa Fernandes, espiritualista e pesquisadora dos assuntos relacionados com a vida para além da morte, deixou igualmente boas dicas para aqueles que pretendam estudar esta área do conheci- mento, transmitindo com segurança todo o seu conhecimento e a certeza das suas convicções. Amélia Reis, dirigente espírita de um centro espírita das Caldas da Rainha, de forma discreta, suave, firme e segura, deixou muito boa impressão, abordando não só os temas em pauta como explicando como vivenciou uma situação difícil da sua vida, transmitindo grande segurança e conhecimento doutrinário, situando bem a doutrina espírita como não sendo mais uma religião nem mais uma seita, mas sim uma ciência filosófica de consequências morais (como definira Allan Kardec) que leva o homem a uma maior espiritualidade e consequentemente a aproximá-lo mais rapidamente de Deus.

Apósotérmino do programa, e durante cerca de duas semanas, não só Amélia Reis como os elementos da direcção da ADEP que têmonúmero de telefone na página na Internet, receberam mais de 400 chama- das telefónicas, de pessoas de várias partes do país, que pretendiam endereços de centros espíritas e que se tinham revisto na postura de seriedade da Profª Amélia Reis. Curiosamente, uma senhora, de Lisboa, informava que tinha pedido à PT o número de telefone da TVI, e que a telefonista lhe perguntara o que se passava na TVI, pois os telefonemas a pedirem o número desta estação, eram às dezenas.

A página da ADEP, em www.adeportugal. org, registou um aumento abrupto de visitas, atingindo em 15 dias um “recorde” nunca alcançado de 13 mil visitantes. Ficámos a meditar no apelo do Espiritismo, na sede de espiritualidade que as pessoas têm, no consolo e esclarecimento que a doutrina espírita pode fornecer às pessoas, e nas responsabilidades que todos nós, es- píritas temos em não colocar a luz debaixo do alqueire.

Por José Lucas jcmlucas@gmail.com Acerca da pobreza e fome no mundo As profundas desigualdades na distribuição da riqueza no Globo terrestre atingem proporções verdadeiramente astronómicas e possibilitam assimetrias na visão dos caminhos que o ser humano trilha. Com base em dramas tão comoventes, uma portuguesa decidiu doar o seu tempo, trabalho e talento a uma causa de interesse social e comunitário, melhorando a qualidade de vida dos habitantes da cidade de Daca, no Bangladesh.

O número de pobres não pára de crescer, trazendo consigo a subnutrição, a doença, o sofrimento e a morte prematura. Em algu- mas regiões, principalmente na África, parte da população apenas vive dos alimentos e cuidados de saúde de quem, solidariamen- te, se entrega a projectos de voluntariado, dado as ajudas dos países ricos aos mais pobres serem uma gota de água no ocea- no. E são as mulheres e as crianças que, nos países em vias de desenvolvimento, mais padecem dos efeitos da subnutrição, nome- adamente a falta de desenvolvimento das células cerebrais nos bebés ou a cegueira por carência de vitamina A.

Quanto às mães subnutridas, em número de dezenas de milhões, dão à luz dezenas de milhões de bebés igualmente ameaçados. Segundo dados da FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentaçãoea Agricultura – em Moçambique, Angola, Etiópia, Somália, Quénia, Sudão, Uganda, Djibuti, Malawi, Zimbabwe e tantos outros países pobres, as perspectivas de desenvol- vimento são pouco animadoras, tendo, até, deixado de ser notícia na imprensa interna- cional.

Com base em dramas tão comoventes, uma portuguesa decidiu doar o seu tempo, trabalho e talento a uma causa de interesse social e comunitário, melhorando a quali- dade de vida dos habitantes da cidade de Daca, no Bangladesh. Maria do Céu da Conceição, de 29 anos, é hospedeira da Emirates, uma Companhia Aérea do Dubai, onde habita. Numa das suas viagens conheceu a terrível realidade daquele país e sentiu que podia ajudar.

Fundou o «Dhaka Project», uma das diver- sas ONG (organização não-governamental) que funcionam no Bangladesh, prestando auxílio a mais de 600 crianças e respectivas famílias. De realçar que, com o seu ordena- do como hospedeira, consegue pagar a 53 funcionários e o facto de viajar pelo mundo inteiro faculta-lhe arrecadar donativos capazes de financiar o seu Projecto. Vacinas, cursos de formação e futuros empregos estão no horizonte de Maria do Céu, ou apenas Maria, nome porque é conhecida em Daca esta portuguesa.

Para quem estuda Espiritismo, estes cená- rios são facilmente compreensíveis e os contornos, apesar de chocantes, devida- mente perceptíveis. O mesmo não sucede com quem se alheia do conhecimento da problemática da alma. É o caso dos respon- sáveis pelo programa “EM REPORTAGEM”, exibido pela RTP1, no dia 30 de Maio de 2007, que alegam: “comparada com Madre Teresa de Calcutá, há quem julgue que o seu espírito encarnou em Maria” (www.

programas.rtp.pt/EPG/EPG, de 31.05.2007). O desconhecimento das verdades concer- nentes ao rumo do princípio inteligente após o desencarne permite-lhes admitir que este “salta” de corpo para corpo, pois Maria do Céu tem 29 anos e a Missionária Teresa desencarnou em cinco de Setembro de 1997. Estas incorrecções apelam a uma maior maturidade por parte de quem informa e a redobrada atenção e empenho dos espíritas que assistem a estes enganos.

Mas, convém não descurar o facto de que, para apontar os erros, é pertinente não olvidar a indispensabilidade de estudo aturado.