Crónica www.adeportugal.org curso básico de espiritismo on-line em Ass
Jornal de Espiritismo nº 23 · Julho 2007Página 134 min
Crónica www.adeportugal.org curso básico de espiritismo on-line em Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal data, sendo aplicada e estudada sob diferentes aspectos. Os seus objectivos, conforme a área a que se referem, podem ser experimentais, pesquisas científicas e terapêuticos. Neste momento o aspecto que mais nos interessa é o terapêutico. A re- gressão de memória para fins terapêuticos tem sido utilizada há mais de três décadas.
É de grande importância terapeutica a sua aplicação para detectar no paciente os factos traumáticos passados, que estão desencadeando, no presente, distúrbios de diferentes modalidades. O processo terapêutico tem como objecti- vo remover sintomas de desequilíbrios psí- quicos com repercussões orgânicas ligadas a complexos afectivos, resultantes de factos traumáticos não resolvidos, reprimidos no inconsciente. Estes factos são aflorados e consciencializados pelo paciente através da regressão, numa experiência vivencial, libertadora de conteúdos traumáticos, a nível psíquico e físico, com grande compo- nente emocional.
Esse conteúdo é então elaborado pelo paciente, que se propõe a um processo de autotransformação, resultando na remissão dos sintomas e na reorganização de seu estado-psíquico, sob a orientação do terapeuta. Um psicólogo com larga experiência nesta área, solicitado, contou: «Tive um paciente que regrediu a uma situação não muito remota no Egipto, onde havia uma alta incidência de roubos e de pessoas que se assaltam umas às outras, principalmente nas feiras, nos mercados, onde ocorriam as trocas.
O meu paciente regrediu a uma comunidade egípcia em que era reforçado o estímulo de roubar, como se fosse uma qualidade, e ele desenvolveu-se e desta- cou-se no meio com essa habilidade com as mãos e ninguém se apercebia quando ele roubava. Ao destacar-se, mais era refor- çada a tendência. Então qual foi o tema mais traumático, o principal facto nessa vivência? A única ma- neira pela qual ele seria reconhecido como uma pessoa bem vista no meio era pela habilidade que tinha de roubar.
Ele veio a morrer numa situação durante uma fuga num assalto, que não tinha sido propria- mente ele quem tinha organizado, mas em que estava envolvido. Foi um conflito de grupos que aconteceu. Morreu nessa vida, e no momento da morte imprimiu no inconsciente: “Só sou reconhe- cido se tiver muita qualidade como ladrão”. Veja: nesta vida, que foi a segunda depois da vivência no Egipto, ele não tinha necessi- dade de roubar, mas tinha uma atracção muito forte porque era uma qualidade que havia sido reforçada, além de ser também uma possibilidade de usar aquilo que sabia fazer bem.
E começou, então, nesta vida, a desenvolver um importante conflito porque esse dote já não era reforçado, pelo contrá- rio, mas era um talento que ele sabia que poderia receber atenção. Por isso houve um conflito e por isso ele procurar tratamento. Caso contrário, eu acredito que ele estaria usando o mesmo dote normalmente. Agora o que chama a atenção neste caso foi essa habilidade do passado que foi refor- çada nesse mesmo passado.
Esse paciente é um médico cirurgião com uma habilidade notável no uso das mãos. Opera com uma leveza e precisão absolutas. Ele redecidiu empregar a mesma habilidade, que desen- volveu no passado, hoje na sua profissão, reforçando essa mesma habilidade com uma qualidade positiva. Acho interessante o aprendizado parcial que o ser espiritual vai desenvolvendo. Mui- tas vezes ele desenvolve uma fatia desse aprendizado e que mais tarde vai inte- grando, vai incorporando de uma maneira equilibrada e adequada, como se estivesse trabalhando com polaridades.
Inicialmente ele está num pólo, e vai para o outro para buscar o equilíbrio entre os extremos.» Concluindo Podemos observar que a cleptomania poderá ser um vestígio, como tantos outros, de existências passadas em que, pelas nossas ambições, circunstâncias pessoais ou mesmo cultura do meio social, fomos levados a praticar furtos maiores ou meno- res. Como sempre acontece nesses casos, somos “forçados” pelo processo evoluti- vo a corrigir os nossos erros pretéritos e reencarnamos num lugar e/ou época em que tal hábito, por força já do progresso realizado, não mais é louvável, mas pelo contrário censurável.
As pessoas em causa são vítimas de conflitos, pois sabem que o acto praticado não é correcto, mas são compelidas instintivamente a praticá-lo recorrentemente, apesar de já poderem ter uma vida correcta de acordo com os nossos padrões sociais. Somos o somatório de nossas existências e conhecimentos pretéritos e capazes de usá-los, dado o livre-arbítrio, da manei- ra que melhor seja indicada pela nossa consciência. Trata-se, como vemos, de uma questão de hábito; se quisermos praticar exclusivamente o bem através dos nossos pensamentos, palavras e acções, consegui- lo-emos.
Diz Allan Kardec no livro “Obras Póstumas“: “O homem que se esforça seriamente por se melhorar assegura para si a felicidade, já nesta vida. Além da satisfação que propor- ciona à sua consciência, ele se isenta das misérias materiais e morais, que são a con- sequência inevitável das suas imperfeições.“ Nota: este texto é uma adaptação feita por Jorge Gomes de um trabalho apresentado num Encontro Nacional de Jovens Espíri- tas, há cerca de uma década, pelo Grupo de Jovens do Núcleo Espírita Cristão.
Seria justo dizer aqui todos os nomes desses jovens, mas não conseguimos reuni-los até ao fecho da edição, pelo que peço perdão. Contudo, lembramo-nos dos nomes da Sandra, do António e da Xana. Texto: Jorge Gomes * In Enciclopédia de Medicina, Selecções dos Reader’s Digest.
