Opinião Em parte nenhuma há imobilidade, nem silên- cio, nem noite!
Jornal de Espiritismo nº 24 · Setembro 2007Página 87 min
O grande espectáculo que então se nos desdobraria ante os olhos seria a criação real, imensa e cheia da vida etérea Cosmologiavoltaacomprovar afirmaçõesdosespíritossuperiores Um dos grandes desafios da cosmologia actual é o de determinar as densidades de energia relativas e totais de cada uma das diferentes formas de matéria, previstas já há 150 anos em «O Livro dos Espíritos», uma vez que isso é essencial para compreen- der a evoluçãoeo destino do nosso universo.
Segundo os dados actuais, a matéria ordinária representa uma pequena porção do universo, 4%. A chamada “matéria escura fria” contribui com 23% e a “energia escura”, a mais exótica de todas as contribuições, 73%. (1) Uma das formas de explicar a existência desta energia escura é por intermédio da constante cosmológica introduzida por Albert Einstein, que aparentemente também escrevia direito por linhas tortas. Allan Kardec já tinha previsto esta situação e somente nos finais do século XX é que a Ciência começou a ventilar essa hipótese.
Finalmente no sécu- lo actual, e no presente ano, é comprovada a existência da matéria escura. Colisão de galáxias revela matéria escura “A matéria escura deve existir e deve cons- tituir a maior parte da matéria no univer- so”. A afirmação é de um pesquisador da Universidade do Arizona, Douglas Clowe, na sequência da observação de uma “gigantes- ca colisão” entre dois grupos de galáxias. Tra- tando-se da “primeira prova directa” de que a matéria escura existe, a colisão foi observada e estudada devido aos dados fornecidos pelo telescópio espacial de raios-X “Chandra” e pelos telescópios “Hubble” e “Magalhães”.
A colisão provocou a separação da matéria “normal” conhecida da matéria “escura” que, de acordo com os cientistas, constitui a maior parte da massa e controla a gravidade. A matéria escura não pode ser vista, por não emitir nem reflectir luz suficiente, mas repre- senta 23% do universo, comparado com 4% da matéria comum, sendo os restantes 73% formados por energia escura. O conceito de matéria escura é conhecido desde os anos 60, quando os astrónomos concluíram que as galáxias como a Via Láctea giravam sobre si próprias muito mais depressa do que a sua massa conhecida o permitiria.
Esta ideia originou opiniões di- vergentes no seio da comunidade científica. Uns, consideraram que esse facto questio- nava a lei da gravidade, enquanto outros imaginaram a existência nas galáxias de uma massa desconhecida, denominada “matéria escura”. O pintor holandês Vincent van Gogh (1876- 1880) lavrou um quadro “The Starry Night” (A estrela da noite) – muito conhecido para nós astrofísicos e cosmólogos –, em Asylum, Saint-Remy em Junho de 1889, encontran- do-se no “The Museum of Modern Art”, em Nova Iorque, que ilustra o nosso céu, vinte e quatro horas por dia, se a matéria escura fosse visível.
É deveras impressionante este quadro… até arrepia de tamanha beleza. Allan Kardec vinte e um anos antes, mais propriamente a 6 de Janeiro de 1868, publica A Génese (2) onde mais uma vez inspirado afirma: «Em parte nenhuma há imobilidade, nem silêncio, nem noite! O grande espectá- culo que então se nos desdobraria ante os olhos seria a criação real, imensa e cheia da vida etérea». Parece-me uma legenda apro- priada ao quadro do pintor representando como as coisas seriam bem diferentes se os nossos sentidos não fossem tão limitados.
Anel de matéria escura numa galáxia a 50 mil anos-luz O presente mês pode vir a marcar uma nova etapa na astronomia mundial. A existência da matéria escura – fenómeno astrofísico re- servado, desde a década de 70, à imaginação dos cientistas – foi provada por um grupo de astrónomos da universidade norte-america- na John Hopkins. Este facto pode ser uma das maiores descobertas do século. A descoberta de um anel de matéria escura numa galáxia a 50 mil anos-luz da Terra, pelo telescópio espacial “Hubble”, «é a primeira prova tangível da realidade deste fenómeno.
É a primeira vez que detectamos a matéria escura como uma estrutura única, diferen- te dos gases e das galáxias presentes no universo», afirmou um dos pesquisadores responsáveis. Os cientistas da universidade norte-ameri- cana revelaram que “tropeçaram” na matéria negra: “A análise do choque entre duas ga- láxias provocou uma ondulação na matéria escura, semelhante ao que acontece quando atiramos uma pedra para o mar.
Ao estudar esta colisão, verificamos que a matéria escu- ra reagia à gravidade”, explicou o astrofísico Holland Ford. Allan Kardec em OLE (3) na pergunta &22 já afirmava há 150 anos: «- Define-se geralmente a matéria como sendo – o que tem extensão, o que é capaz de nos impressionar os sentidos, o que é impenetrá- vel. São exactas estas definições? “ (…) a matéria existe em estados que ignorais. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil que nenhuma impressão vos cause aos sentidos.
Contudo, é sempre matéria. Para vós, porém, não o seria.» O professor lionês vai ainda mais longe ao afirmar em A Genese (4) : «Entretanto, podemos estabelecer como princípio abso- luto que todas as substâncias, conhecidas e desconhecidas, por mais dissemelhantes que pareçam, quer do ponto de vista da constituição íntima, quer pelo prisma de suas acções recíprocas, são, de facto, apenas modos diversos sob que a matéria se apre- senta; variedades em que ela se transforma sob a direcção das forças inumeráveis que a governam», conclui.
Cronologicamente, a teorização da matéria escura surgiu nos anos 70. Os cientistas conhecem muito pouco sobre as caracterís- ticas deste fenómeno. Há duas explicações sobre o que constitui as matérias escuras partículas fundamentais da física, ainda des- conhecidas pela ciência; ou matéria normal (protões, electrões e neutrões) mas que emite muito pouca radiação. (1) A teoria da matéria escura é a explicação mais simples encontrada pela ciência para explicar o efeito gravitacional que existe no universo.
As galáxias possuem uma força gra- vitacional demasiado grande para a matéria conhecida, o que nos leva a supor a existên- cia de outro tipo de massa. Presume-se que 95% da massa de cada galáxia seja do tipo da matéria escura. A comprovação da existência da matéria escura pode ser uma data importante para a ciência, será a resolução do maior misté- rio da astrofísica. A equipa responsável por esta descoberta pode muito bem receber o Prémio Nobel.
E quem sabe se cada vez é mais fácil a comprovação da existência do Mundo Espiritual. Quer a matéria ordinária ou bariónica quer a matéria escura, ambas são matéria e derivadas do (FCU) Fluido Cósmico Universal. Não são o FCU. Allan Kardec in A Génese (5) afirma que «A matéria cósmica primitiva continha os elementos materiais, fluídicos e vitais de todos os uni- versos que estadeiam suas magnificências diante da eternidade.
Ela é a mãe fecunda de todas as coisas, a primeira avó e, sobretudo, a eterna geratriz». Continua o sábio lionês (6): «O fluido cósmico universal é, como já foi demonstrado, a matéria elementar primitiva, modificações e transformações constituem a inumerável variedade dos corpos da Natu- reza. Como princípio elementar do Universo, ele assume dois estados distintos: o de ete- rização ou imponderabilidade, que se pode considerar o primitivo estado normal, e o de materialização ou de ponderabilidade, que é, de certa maneira, consecutivo àquele».
(1) Para o leitor mais interessado nestes assuntos aqui fica uma explicação mais detalhada: Radiação: composta de partícu- las sem massa ou quase sem massa, isto é, partículas que se movem quase à velocidade da luz e para as quais a sua energia cinética é claramente maior que mc2. Exemplos são os fotões (luz) e neutrinos. Esta forma de ma- téria é caracterizada por possuir uma grande pressão positiva. Matéria barionica: é a “matéria ordinária” de que somos feitos, constituída por protões, neutrões e electrões.
Admite-se que esta for- ma de matéria tem uma pressão desprezável do ponto de vista cosmológico. Matéria escura: matéria “exótica” não-bariónica que interactua fracamente com a matéria ordi- nária. Embora esta matéria não tenha nunca sido directamente observada no laboratório existem bons motivos para suspeitarmos da sua existência há já algum tempo. Esta forma de matéria também não tem uma pressão significativa do ponto de vista cosmológico.
Energia escura: esta é uma forma de matéria particularmente misteriosa, ou talvez seja uma propriedade do próprio vácuo, caracte- rizada por uma pressão negativa muito gran- de. Em lugar de ter uma acção atractiva esta forma de matéria tem um carácter repulsivo e, por isso, pode ser responsável por uma expansão acelerada do universo, se dominar sobre as outras formas de matéria. Distribuição da matéria escura obtida num simulador matemático.
The Starry Night, de Vincent van Gogh (1876- 1880), pintado em Asylum, Saint-Remy em Junho de 1889; encontra-se no The Museum of Modern Art, Nova Iorque, e ilustra o nosso céu, 24 horas por dia, se a matéria escura fosse visível. Matéria bariónica (4%). Energia escura (23%). Matéria escura (73%). Podemos ver ilustrativamente os enormes halos de matéria escura envolvendo a galáxia.
