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Poesia Minha mãe se despediu, Beijei a santa senhora, E fiquei ali soz

Jornal de Espiritismo nº 24 · Setembro 2007Página 164 min

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Poesia Minha mãe se despediu, Beijei a santa senhora, E fiquei ali sozinho, Olhando ela ir embora. Quando sumiu entre os astros, Vinha já rompendo a aurora. A passarada cantava, Naquele tranquilo atalho, Enquanto abelhas beijavam Flores ainda com orvalho. Caminhei e vi, então, Alguém trepado num galho. Todo o seu rosto brilhava, Vi que a mão também luzia, Barba e cabelos dourados, Um profeta parecia. “Quem é você?” – perguntei.

“Sou seu Espírito Guia.” E para provar pegou Fluidos que nem cristais, Fez duas lindas violas, Em um segundo, não mais, E disse:”Escolha uma delas E cante comigo, rapaz.” Se pudesse dali voava Mais veloz do que uma bala, Mas o Espírito sorria, Alisando a barba rala... Peguei um dos instrumentos, E expliquei quase sem fala: “Esse pecado não faço, Já carreguei uma cruz... Quem sou eu para cantar Com um Espírito de Luz?

Quando eu olho pro Senhor, Tenho a impressão que é Jesus... Eu vi como o senhor fez Esta formosa viola, Quem pode fazer tal coisa, Pode fazer uma esmola. Me dê algumas respostas Que não se aprende na escola.” Eu estava desconfiado, Mas ergui o instrumento, Fiz vibrar a nota aguda E firmei o pensamento, Minha voz saiu rouquenha, Como a de um velho jumento: - Tenho um problema severo, No centro da consciência, Por que Deus me fez um cego Nessa última existência?

Dê-me a resposta segura, Já que tem tanta ciência. - Noutra vida lá na França, Você não foi tão gentil, Trocou o encanto da lira Pelo fogo do fuzil... Para apagar o seu crime, Nasceu cego no Brasil. E logo ele acrescentou Este improviso de rei: - Nunca se esqueça, menino, Do que agora lhe direi, Quem com ferro fere espere Que confere sempre a Lei. - O senhor é a patativa E eu já me sinto um pardal, A primeira explicação, Para mim foi magistral, A segunda não peguei, Cante de novo o final.

- Eu posso cantar de novo, Mas a viola tempere, O tom está muito alto, Calma, não se desespere. Ouça, a Lei confere sempre, Quem com ferro fere espere. - Mais uma vez eu tropeço Nessas palavras fatais, Quem com ferro... a Lei confere. O que foi que disse mais? Se cantar devagarinho, Talvez eu seja capaz. - Você não vai conseguir, Esqueça o verso, menino, Pra cantar aqui no Espaço Carece ainda de ensino. Agilidade nos dedos, Na cabeça muito tino.

- Cantei para o padre Cícero, Generais, governador, Os maiores cantadores Me chamavam de doutor; Por que me sinto emperrado, Tal como um trem sem vapor? - Não quero fazer gracejo, Respeito um ex-campeão, Mas o caso é engraçado E me rio, meu irmão, Quem sabe a sua viola É grande pra sua mão?... Quando eu cantava no Norte, Tendo nos olhos um véu, Por faltar-me inteligência Perdi um belo troféu. Me responda, senhor Guia, Quantos astros há no céu?

- O número que eu lhe der Não terá nenhum valor, Porque o Espaço é infinito E não pára o Criador, Quando eu disser que são dez, Já milhões fez o Senhor... - O senhor é um filósofo, Tem muita sabedoria, E o que pensa do Evangelho Que Jesus nos deu um dia? Que o Evangelho é livro santo, Isso a minha avó dizia... - Ele é o guia do seu Guia Para toda a eternidade. Não há livro no universo Que tenha tanta verdade, Quem pratica seus ensinos Chega logo à santidade.

- Terminemos o improviso, Eu estou bem satisfeito, Nunca ouvi, eu lhe confesso, Um cantador tão perfeito. Suas respostas, meu Guia, Guardo aqui dentro do peito. - Não se admire, meu filho, Sou mau improvisador... Um improviso perfeito Tem sabedoria, amor, Como o Sermão da Montanha, De Jesus, Nosso Senhor. Desculpe, bom Aderaldo, Se lhe fiz suar bastante, Pescador, joguei a rede E puxei o meu barbante, Mas você passou no teste, Não se irritou um instante.

- Por isso pretendo dar-lhe Um presente bem bonito. Venha comigo, Aderaldo, Deixemos este distrito, Quero que conheça um pouco As belezas do infinito. Você padeceu demais, Sem ver onde punha o pé, Setenta e cinco anos cego Fazem de um homem Tomé. Venha comigo, Aderaldo, Premiarei a sua fé. E com o Espírito Guia Fiz viagem transcendente, Vi os mundos gloriosos, Seu povo resplandecente, E no astral mais baixo vi Muita dor, ranger de dente.

Vi espíritos culpados, Implorando ao Céu perdão, Com meu Guia fiz ali, Uma sentida oração, Louvando Nosso Senhor E a Lei da Reencarnação. Termino agora o meu caso, Dizendo com insistência, Leia, meu povo, o Evangelho, Medite em sua ciência, Pois a morte mata o corpo, Mas não mata a consciência!