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Editorial A árvore dos problemas Nem parece, mas com esta edição entra

Jornal de Espiritismo nº 25 · Novembro 2007Página 23 min

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mos no quinto ano de vida deste jornal. E, se umas vezes foi mais fácil do que outras preparar este trabalho para si, caro leitor, verificamos no mínimo um facto: nem com uma gralha ou outra dissemos alguma vez mal de alguém. E porque terá sido? Pelos ideais de conduta que decorrem do que ensina a doutrina espírita, isso é certo. Mas não só: se há um espaço limitado de publicação, faria sentido gastar parte desse mesmo espaço quando os nossos leitores estão mais interessados em ouvir palavras que acrescentem algo em vez das que denigrem.

E, no entanto, na rua e no trabalho, es- peramos que não tanto na família, numa observação contumaz verificamos que o comportamento humano ainda resvala intensamente para a farpa verbal ou para o conluio de «panelinha»… É maldade? Nem sempre, se calhar é mais o hábito consolidado de agregar os que pensam da mesma maneira, como se isso fosse uma prática fraterna. Mas não é. E vem de tão longe que já devíamos todos ter percebido que «o meu amigo não é o que pensa como eu, mas sim o que pensa comigo».

A concordância de opiniões ocorre quando, num apertado horizonte tribal, o grupo ten- ta agregar-se mantendo em si as mesmas perspectivas. Depois há vários tipos de lide- rança. A mais limitada consiste em mandar e ser obedecido, com uma única variação: ser obedecido porque manda… É limitativa, porque o grupo vai sofrer as Esta é a história de um homem que contra- tou um carpinteiro para ajudar a arrumar algumas coisas na sua fazenda.

O primeiro dia do carpinteiro foi muito difícil. O pneu da seu carro furou. A serra eléctrica avariou. Cortou o dedo. E ao final do dia, o seu carro não funcionou. O ho- mem que contratou o carpinteiro ofereceu uma boleia para casa. Durante o caminho, o carpinteiro não falou nada. Quando chegaram ao seu lar, o carpinteiro convidou o homem para entrar e conhecer a sua família. Quando os dois homens se encaminhavam para a porta da frente, o carpinteiro parou junto a uma pequena árvore e gentilmente tocou as pontas dos galhos com as duas mãos.

Depois de abrir a porta da sua casa, o carpinteiro transformou-se. Os traços tensos do seu rosto transformaram-se num grande sorriso, e abraçou os seus filhos e beijou a sua esposa. Um pouco mais tarde, o carpinteiro acom- panhou a sua visita até o carro. Assim que eles passaram pela árvore, o homem perguntou: - Porque tocou na árvore antes de entrar em casa? - Ah! esta é a minha Árvore dos Problemas. - Eu sei que não posso evitar ter problemas no meu trabalho, mas estes problemas não devem chegar até aos meus filhos e à minha esposa.

Então, toda noite, eu deixo os meus problemas nesta Árvore quando chego a casa, e recolho-os no dia seguinte. E quer saber uma coisa? Todas as manhãs, quando volto para reencontrar os meus problemas, eles não são nem metade do que eu me lembro de ter deixado na noite anterior. In http://www.cvdee.org.br decisões acanhadas do líder, quando podia estudar os problemas em conjunto e alar- gar o leque de soluções com as respectivas vantagens e desvantagens.

Nesse patamar, pensar aparentemente da mesma maneira é o auge da «fraternidade». E quem tiver a ousadia de pensar de outra maneira é proscrito… «fraternalmente». Há anos na televisão, num documentário sobre demorada investigação de um grupo de chimpanzés selvagens, os cientistas concluíram que junto do líder – o macho alfa – os machos mais destacados no grupo chegavam ao ponto de fazer política no fito de dominar a melhor posição de influência no grupo.

Nunca fomos chimpanzés na nossa evolução, não teríamos um tempo evolutivo para isso, mas teremos passado por uma fase de desenvolvimento afim. Re- presentar posições que possam deixar ficar mal os outros vem de longe, mas… hoje já podemos ter outros modelos. No espiritismo o maior modelo é Jesus, enquanto ensino moral. Se fosse apenas uma figura, colava-se no chapéu, na lapela, ou onde se quisesse. E o trabalho estava feito.

Assim como quem vai ao supermercado comprar algo. Mas não é uma mera figura, é sobretudo um feixe luminoso de princípios de comportamento que continuamos a amadurecer. Só que um dos primeiros passos para isso atravessa a área de compreender, na prática, que frater- nidade, não é segregar quem não diz ámen connosco. Não acha que é evidente?