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Jornal de Espiritismo nº 26 · Janeiro 2008Página 44 min
Consultório Dores crónicas e obsessão PUBLICIDADE “Dr. Ricardo Di Bernardi, dizem as estatísticas que 16 em cada 100 adultos sofrem de dores crónicas. Qual a razão deste tipo de doença e como pode a doutrina espírita ajudar nestes casos?”, indaga José Gonçalves, da Covilhã. Dr. Ricardo Di Bernardi – Veja bem, sr. José: a nossa resposta seguirá os parâmetros que so- licitou, ou seja, como a doutrina espírita pode auxiliar nestes casos.
Inicialmente, a doutrina espírita orienta todo o espírita, sempre, a buscar o diagnóstico clínico adequado e o melhor tratamento médico para as suas dores. Afirmativa que parece óbvia, mas, há aqueles que, por pouca informação acerca da doutrina, assimilam, equivocada- mente, a ideia de que sofrer é algo bom que purificaria o espírito; ao contrário, sofrer é uma distorção da normalidade, quando optamos por abrir a porta do amor e do labor não neces- sitamos abrir a porta da dor.
A Espiritualidade nos quer felizes e tão sãos quanto possível para o trabalho. Em segundo lugar, todas as mazelas biológicas, como dores físicas, crónicas (mesmo tendo uma explicação médica correcta) retratam uma desarmonia dos campos energéticos do corpo espiritual; isto significa que a causa primária está na intimidade do espírito. De acordo com o género de dor ou os órgãos em que se manifesta pode-se, às vezes, relacionar a dor com uma região do corpo etérico e do corpo astral (perispírito) que está em desarmonia.
Tal relação permite-nos deduzir quais as posturas mentais que ainda não equilibrámos ou re- -harmonizámos na vida actual. Exemplificando: dores crónicas relacionadas com o aparelho reprodutor feminino, frequentemente (não sempre) são decorrentes de distonias vibrató- rias no chacra genésico que por sua vez devem estar relacionadas com atitudes pregressas desarmónicas relativas à Lei da Reprodução atentando contra a Lei Cósmica Universal; por exemplo: abortos.
Meu caro José, este é apenas um exemplo (abortos) e não pode ser tomado como regra geral, pois cada espírito encarnado tem uma história diferente, créditos ou débitos diferentes e graus diferentes de responsabili- dade, etc. Considerando a necessidade de se tratar clini- camente, e a compreensão de que cada região do nosso corpo dita o que temos em desar- monia perante a Lei Cósmica Universal, resta a fase seguinte, qual seja a atitude construtiva e actuante.
Não confundir entendimento da lei com conformismo. Lutar para resolver o pro- blema e sobretudo criar campos energéticos de harmonia, principalmente relacionados a área em desequilíbrio, embora toda atitude de amor e labor sempre minore a dor. Assim, quem tem no aparelho reprodutor feminino dificuldades pode auxiliar pessoas que tenham dificuldades com gestação, reprodução, organização familiar, e questões do género.
No entanto, reforço que qualquer atitude construtiva cria ondas de alta-frequên- cia, comprimento de onda curto, de aspecto luminoso e brilhante. Caridade não quer dizer apenas dar pão ou sopa aos pobres. Caridade é um sorriso, é uma atitude receptiva, é ser educado, respeitador, é ensinar, ouvir, tolerar, trabalhar com seriedade. Precisamos de valorizar qualquer dedicação ao trabalho ou atitude de amor como caridade.
A doutrina espírita também nos oferece os passes, o ambiente energético suave da casa espírita (em tese), e os trabalhos de desobses- são que podem auxiliar de forma complemen- tar no tratamento. “Dr. Ricardo Di Bernardi como diagnosti- car o caso de um obsidiado e ajudá-lo?” , pergunta José Costa e Silva, Marinha Grande. Dr. Ricardo Di Bernardi – A obsessão pode ser diagnosticada quando se identifica um comportamento de monoideísmo, que significa “ideia fixa”, em alguém.
A obsessão pode ser definida como uma acção negativa, ou seja prejudicial, persistente, de uma mente sobre outra. Pode ser entre encarnados, entre desencarnados, de um encarnado sobre um desencarnado e a mais comummente estuda- da, de um desencarnado sobre um encarnado. Há diversos graus de obsessão, desde a obses- são simples, passando pela fascinação até à subjugação (possessão). Conforme o grau, os sintomas são diferentes mas na subjugação o indivíduo já pode ser considerado mentalmen- te desequilibrado e muitas vezes é internado em hospital psiquiátrico em estado grave.
O que nos interessa é diagnosticar no início, antes de se chegar a situação de extrema gravidade, por isso, o conceito de ideia fixa ou monoide- ísmo é fundamental, e isto seja qual for a ideia fixa, até mesmo a idéia de “fazer caridade”... Imagine uma pessoa que tenha a fixação de fazer caridade, deixando de trabalhar, faltando aos seus compromissos, deixando a família em situação difícil, manipulando informações, mentindo para poder ter tempo para “fazer caridade”, pode ser (é necessário analisar cada caso) uma demonstração de que está sendo manipulada por uma inteligência externa fazendo-a manter esta ideia fixa e distorcida do equilíbrio.
Como ajudá-lo: 1- Inicialmente, convém lembrar que ninguém cura ninguém se a pessoa não quiser; logo o primeiro requisito é o paciente querer, verdadeiramente, ser curado. 2- Orientação individual (ou familiar), de Aten- dimento Fraterno na Casa Espírita, explicando todo o processo sem assustar, falando apenas o essencial. 3- Tratamento de desobsessão, isto é, colocar o seu nome nos trabalhos mediúni- cos e abrir – especialmente – o caso.
Recomen- damos que a sessão seja específica para o caso, lendo o nome, endereço completo, resumo do caso em poucas palavras e disponibilidade de médiuns no sentido de se concentrarem buscando mentalmente o obsediado e o obsessor. Não se deve levar o paciente para o local, é melhor que o mesmo esteja à distância pelo impacto da acção dos obsessores sobre a glândula supra-renal com intensa descarga de adrenalina. 4- Reunião de harmonização no lar.
5- Orientação aos familiares. 6- Irradiação espe- cífica para o caso (PASSES À DISTÂNCIA). 7- À medida que melhora indicar leituras, frequên- cia na casa espírita. 8- Médico e ou psicólogo (se possível espírita).
