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Opinião Para Deus somos todos iguais foto loucomotiv O homem costuma a

Jornal de Espiritismo nº 27 · Março 2008Página 134 min

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Opinião Para Deus somos todos iguais foto loucomotiv O homem costuma avaliar os acontecimentos da vida como castigos divinos. A maioria das pessoas acredita que o ser humano é pecador e que os seus pecados redundam em castigos pela parte de Deus. Esta maneira de pensar foi herdada pela forma errada como as religiões abordam o assunto. A interpretação bíblica do paraíso perdido, do pecado cometido por Adão e Eva, da influência da serpente na expulsão do jardim do Paraíso (Éden) tendo como consequência uma vida condenada ao trabalho, considerando-se como um mal o suor do homem na procura do seu sustento, criando nas pessoas a falsa ideia de que o homem tem que sofrer e que ele é um pecador que deve ser punido pelo seu pecado.

Uma outra consequência desse erro é o acreditar-se que Deus é cruel e vingativo e que Ele castiga os seus filhos. E erro ainda maior é o considerar-se esse castigo eterno num local destinado ao suplício dos pecadores por toda a eternidade. O homem não é um pecador, é um espírito criado simples e ignorante, destinado a alcançar pelo seu próprio esforço, a plenitude, a perfeiçãoea felicidade. Deus criou todos iguais, sem privilégios para ninguém, e dotou o homem do livre-arbítrio, para que cada um possa caminhar com inteira liberdade de acção e aprender com o próprio erro.

Estabeleceu normas e bases correctas, uma Lei de reajuste automático denominado Lei de Causa e Efeito. A Lei da Causa e Efeito é absolutamente necessária à Lei da Justiça, do Amor e da Caridade. Por ela o homem vai-se purificando, evoluindo, corrigindo os seus erros, até conseguir graças ao seu próprio esforço alcançar a perfeiçãoea consequente felicidade. A Lei da Causa e Efeito é também a Lei da Acção e da Reacção.

É uma Lei automática, ou seja, já tem embutida em si mesma os efeitos decorrentes dos nossos actos. Actos bons trazem efeitos bons. Actos maus, efeitos maus. Assim, quem semeia ventos colhe tempestades. Quem semeia amor colhe amor. A sementeira é livre, a colheita é obrigatória. Todos, absolutamente todos, colherão sempre apenas e tão-somente o que plantarem. Ninguém poderá colher maçãs se plantar batatas. Como diz o Evangelho, ninguém colhe uvas de espinheiros… O homem, no início simples e ignorante, vai agindo e ampliando o seu livre-arbítrio à medida que evolui e adquire mais conhecimentos.

Ele erra porque não conhece. Com as consequências dos seus erros, ele aprende e quando aprende não erra mais. Existe uma diferença fundamental entre o erro e o pecado. Erro é a consequência do desconhecimento, da imaturidade, da ausência de tolerância, da falta de uma melhor estrutura. É o caso das crianças, que na sua aprendizagem sofrem muitas vezes os efeitos dos seus actos imaturos e imprecisos, já adultos, sorriem ao verificar por quanta coisa tiveram que passar por sua própria culpa.

Muita gente costuma dizer: “se eu soubesse o que sei hoje tudo teria sido diferente. Para nós, Deus é a causa primária de todas as coisas. Deus é infinitamente bom e justo e não castiga os seus filhos. Deus criou-nos para a felicidade, não para o sofrimento. É um erro supor que a Terra será sempre um vale de lágrimas. Ela, hoje, ainda planeta de expiação e de provas, abriga no seu seio espíritos muito imperfeitos e a situação caótica do mundo nada mais é que a colheita colectiva que estamos fazendo dos actos repletos de egoísmo e de desamor que temos cometido ao longo da nossa grande caminhada pela estrada das reencarnações.

Mas um dia, com toda a certeza, aprenderemos com os nossos próprios erros, e colocaremos nos nossos corações o Evangelho de Jesus. Aprendendo a amar, e colocando esse amor na frente de todos os nossos actos, transformaremos o mundo e construiremos aqui na Terra um planeta maravilhoso, habitável, fraterno, saudável e feliz. Somos os construtores do nosso destino. Mas as consequências dos nossos erros guardam em si mesmo o remédio para os nossos males e levam-nos a mudar, a modificar a nossa vida, os nossos hábitos e o nosso modo de agir.

Um velho carpinteiro estava prestes a aposentar-se. Contou ao seu chefe os planos de largar o serviço de carpintaria e de construção de casas para viver uma vida mais calma com a sua família. Claro que sentiria a falta da remuneração mensal mas necessitava de se reformar, de descansar. O dono da empresa sentiu que perderia um dos seus melhores empregados e pediu-lhe que construísse uma última casa como um favor especial.

O carpinteiro acedeu ao pedido, mas, com o tempo, era fácil ver que os seus pensamentos e o seu coração já não estavam no seu trabalho. Ele não se empenhou no serviço e utilizou mão-de-obra e matérias- -primas de qualidade inferior. Foi uma forma lamentável de encerrar a sua carreira. Quando o carpinteiro terminou o trabalho, o construtor veio inspeccionar a casa e entregou-lhe a chave da porta: “Esta é a sua casa”, é o “meu presente para si”.

Que choque! Que vergonha! Se ele soubesse que estava a construir a sua própria casa, teria sido completamente diferente, não teria sido tão relaxado. Agora, iria morar numa casa feita de qualquer maneira. Assim acontece connosco. Construímos as nossas vidas duma maneira distraída, reagindo mais que agindo, desejando colocar o mais económico em vez do melhor. Olhamos para a situação que criamos e vemos que estamos a morar na casa que construímos.

Se soubéssemos disso, teríamos feito algo diferente. Pense em si como o carpinteiro. Pense sobre a sua casa. Cada dia martela um prego novo, coloca uma armação ou levanta uma parede. Construa sabiamente. É a única vida que construirá. Mesmo que tenha unicamente mais um dia de vida, esse dia merece ser vivido com dignidade.