Entrevista Tratar arquivos de vidas passadas Júlio Prieto Peres é psic
Jornal de Espiritismo nº 28 · Maio 2008Página 82 min
Entrevista Tratar arquivos de vidas passadas Júlio Prieto Peres é psicólogo. Dia 25 de Março passado deu uma conferência no salão nobre da Universidade Fernando Pessoa, no Porto, sobre «Formação em Terapia Reestruturativa Vivencial». Bolseiro da Fundação Bial, deslocou-se a Portugal para apresentar na Casa do Médico, no Porto, em Março passado, mais um dos seus trabalhos de investigação. Colocamos-lhe algumas perguntas.
Já investiga a regressão de memória1 há quantos anos? Júlio Peres – O Instituto Nacional de Pesquisa e Terapia Reestruturativa Vivencial Peres foi criado em 1982, tendo portanto hoje 26 anos. Mas, a dada altura, a fundação BIAL começou também a apoiar as investigações através de várias candidaturas vossas, certo? J. P. – Justamente. O primeiro protocolo de pesquisa a respeito da TRVP aconteceu através da BIAL em 1996.
Por isso, completámos já 12 anos de investigação neurofisiológica e vários estudos foram feitos com controlos de electroencefalografia quantitativa. Noutro estudo fizemos controlos de respostas autonómicas, hormonas segregadas durante as várias fases da terapia e, mais recentemente, temos usado o método de neuro-imagem funcional, observando as reciprocidades neurais entre memórias traumáticas, de supostas vidas passadas e memórias traumáticas de vida actual, tendo sido este o tema do mais recente trabalho, agora apresentado no 7.
º Simpósio da Fundação BIAL. Esse tipo de investigação funciona como um subir de degraus, rumo a conclusões que se completam entre si? J. P. – Exactamente. Hoje reunimos um corpo de resultados por intermédio dessas pesquisas psiconeurofisiológicas que revelam o impacto neurofisiológico da Terapia Reestruturativa Vivencial Peres, assim como a eficácia dessa abordagem que, em estado alterado de consciência, o paciente liga às raízes das suas queixas, nomeadamente fobias específicas, dificuldades de relacionamento interpessoal, sintomas de stress pós-traumático, que muitas vezes acometem pessoas que não se lembram do gatilho que tenha disparado esses sintomas, e a abordagem então permite esse acesso a informações inconscientes a respeito da origem desses sintomas.
Localizando- -se a origem faz-se então o trabalho de desidentificação em relação ao passado e a reestruturação cognitiva, para que os comportamentos possam ser adaptados ao momento actual. As grandes conclusões nestes anos de pesquisa, na sua opinião, quais são? J. P. – Que o universo subjectivo do paciente, não importa o nome atribuído aos conteúdos vivenciados, são factores que disparam respostas autónomas, electroencefalográficas, respostas neuronais de maneira similar a respeito do indivíduo; nomear essas memórias como memórias traumáticas da vida actual, como conteúdos simbólicos do inconsciente ou como conteúdos que ocorreram em supostas vidas passadas, essas respostas em termos psiconeurofisiológicos são similares.
O que é que significa isso? J. P. – Que a verdade subjectiva do paciente deve ser valorizada terapeuticamente a respeito do nome atribuído a estes conteúdos. Muitas vezes a psicoterapia ao negar ou rejeitar a ideologia que o próprio paciente atribui às suas dificuldades, por exemplo, situações relacionadas com supostas vidas passadas, acabam por agravar as dificuldades do paciente que não é compreendido no seu sistema de crença.
Para ilustrar essa teoria, pode contar um caso que seja elucidativo ou que seja exemplificativo desse tipo de teoria? J. P.
