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Jornal de Espiritismo nº 28 · Maio 2008Página 94 min
Entrevista www.adeportugal.org curso básico de espiritismo on-line em Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal PUBLICIDADE datas, locais, nomes de eventos ocorridos num passado remoto, na I Guerra Mundial. A paciente desconhecia esses dados e eu tão pouco os conhecia também, bem como uma série de outras informações que foram trazidas durante o processo terapêutico vivenciado num estado alterado de consciência.
Essa paciente conseguiu superar as suas dificuldades, houve remissão total dos sintomas, durante o tratamento terapêutico. Ela não preenchia mais os critérios de fobias específicas e considerava esses conteúdos uma fantasia do inconsciente. No entanto, o pai dessa paciente quis confrontar esses conteúdos, pesquisá-los e curiosamente esses conteúdos foram confrontados e foram assertivos em relação a dados históricos que a paciente desconhecia, o pai desconhecia e eu também desconhecia: tratava-se do ataque das forças armadas alemãs à Ilha de Creta em 1941 e, essa paciente do sexo feminino na vida presente, dizia ter sido um rapaz de 20 anos de idade, um civil, mencionava soldados australianos como aliados e defendendo aquele território grego e outros dados interessantes a respeito de pára-quedistas que em seguida invadiram de facto Creta e uma baía chamada Dissuda, na Ilha de Creta.
Esses dados de facto foram confirmados, quer dizer, os neozelandeses, as forças britânicas e australianas estavam, na ocasião, a dar suporte aos gregos em defesa aos alemães e esse bombardeio de facto aconteceu. O pai encontrou um mapa de 1941, um mapa alemão da estratégia de ataque dos alemães, com detalhes que chegam a impressionar em termos de veracidade. Então, como exemplo, essa paciente antes desses detalhes serem confirmados considerava esses conteúdos como fantasias do inconsciente.
Não importa o nome atribuído ao conteúdo; esse conteúdo é genuíno ainda que fosse uma fantasia. Porquê aquele conteúdo especificamente? “O primeiro protocolo de pesquisa a respeito da TRVP aconteceu através da BIAL em 1996” Então trabalha-se com essa veracidade subjectiva do paciente que deve ser contemplada e terapeuticamente trabalhada e os efeitos são os mesmos, assim como em pacientes que lembram de situações traumáticas que ocorreram na presente vida, há dois anos ou durante a infância, ou a adolescência.
Esses traumas dispararam comportamentos irritativos ou dificuldades específicas de relacionamento e assim por diante. Este é um bom exemplo para ilustrar que o conteúdo, não importa o nome que se lhe atribua, deve ser considerado pelo terapeuta que não deve julgar se é verdade se não é verdade, mas sim considerar a verdade subjectiva do paciente e ele próprio significando, atribuindo significados a esses conteúdos fragmentados emocionalmente, sensorialmente consegue minimizar e mesmo libertar-se dos sintomas.
Uma morte violenta em vida passada pode de facto dar uma perturbação assinalável na vida actual? J. P. – Sim, um estudo interessante de Davidson mostrou que a crença na reencarnação é muito alta em indivíduos que sofreram traumas severos e que desenvolveram o transtorno do stress pós-traumático e essa crença está directamente relacionada com mortes violentas; por outro lado, estudos que Haraldson e o grupo de Stevenson conduziram mostraram que as crianças que traziam sintomas de transtorno de stress pós-traumático tiveram de facto mortes violentas.
Há uma série de estudos que hoje completam uns 30 anos de investigação, que evidenciam a reencarnação e que eventos traumáticos do passado remoto podem influenciar a maneira como o indivíduo vive hoje. É importante que se diga que de acordo com o World Value Survey cerca de 28% da população mundial acredita na reencarnação. Este é um número muito importante de pessoas, com forte impacto social, e várias pesquisas têm sido conduzidas com esses sujeitos que se lembram espontaneamente de memórias traumáticas de mortes em vidas passadas; então há um corpo de evidências nessa direcção que tem sido publicado em jornais indexados, em revistas com impacto científico importante.
Na experiência do tratamento dessas vivências, dessas questões traumáticas, que mensagem surge perante o suicídio? J. P. – Na nossa observação clínica, curiosamente muitas das pessoas que apresentam doenças auto-imunes vivenciam situações de supostas vidas passadas relacionadas com o suicídio. “Localizando--se a origem faz-se então o trabalho de desidentificação em relação ao passado e a reestruturação cognitiva” Não podemos generalizar, mas é possível observar um grande número de pessoas que trazem essas queixas como psoríase, doenças somatoformes, lúpus heritematoso ou diabetes entre tantas outras doenças auto-imunes, curiosamente essas pessoas quando vivenciam situações de supostas vidas passadas, a grande maioria lembra- -se de situações que envolveram suicídio.
Assim, o aprendizado em termos terapêuticos seria o de se cuidar, de valorizar a vida, e a doença auto-imune que requer cuidados específicos orientaria essas pessoas de alguma maneira a dedicarem mais atençãoea dar mais valor à vida de que se retiraram num passado remoto. Quer deixar uma mensagem para os leitores? J. P. – Diria que a forma pela qual nos relacionamos hoje com os nossos semelhantes pode melhorar em termos de qualidade se trouxermos a dimensão reencarnatória às nossas consciências.
O inimigo do presente pode ser um irmão do futuro, ou ter sido uma vítima dos nossos próprios comportamentos no passado; se pudermos olhar para os nossos semelhantes como familiares, certamente nos aproximaremos deles e assim a qualidade do relacionamento interpessoal certamente melhorará. Texto e foto: Jorge Gomes 1 – Regressão de memória: termo pelo qual se refere a área em que traumas não situados (só) na vida presente podem levar a reviver mentalmente passagens de supostas vida(s) passada(s).
