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Jornal de Espiritismo nº 28 · Maio 2008Página 153 min
Opinião Água numa das luas de Saturno PUBLICIDADE PUBLICIDADE Encéladus, uma das luas de Saturno, poderá conter água no estado líquido no subsolo da região do pólo Sul. A sonda Cassini “poderá ter encontrado indícios de água na superfície da lua Encéladus, como os géisers do parque de Yellowstone”, informa a NASA. A análise das velocidades de emissão dos diversos elementos dos géiseres detectados pela sonda internacional da ESA/NASA Cassini perto da zona denominada “riscas de Tigre” pressupõe que uma parte provenha de água, segundo o cientista Jurgen Schmidt, da Universidade de Potsdam (Alemanha).
Sobretudo, destacam, “os fortes calores à superfície, perto das ‘riscas de tigre’, e as provas recolhidas em processos químicos a alta temperatura constituem um apoio suplementar à teoria da presença de água no estado líquido, juntamente com gelo e vapor, no subsolo da região do pólo Sul”. Encéladus é um dos quatro corpos do sistema solar em que foram observadas erupções, sendo os outros Io (satélite de Júpiter), Tritão (satélite de Neptuno) e a Terra.
Se esta descoberta se confirmar, e tudo indica que sim, “teremos alargado, significativamente, os locais no sistema solar onde poderão ter existido condições que permitem a vida de organismos”, comentou Carolyn Porco, uma das cientistas responsáveis pela missão. Os jactos, aparentemente, de água poderão provir de poços perto da superfície e cuja temperatura está abaixo dos zero graus Celsius, como o géiser Old Faithful em Yellowstone, no Noroeste dos Estados Unidos.
A astrónoma Carolyn Porco explica que a água parece escapar-se por fissuras no pólo sul, em erupções que ocorrem há vários milhares de anos. “Sabemos que existem, pelo menos, três locais no sistema solar onde há actividade vulcânica – Io, a lua de Júpiter, a Terra e, talvez, Triton, a lua de Neptuno”, salientou John Spencer, cientista do Southwest Research Institute, em Boulder, Colorado. “A descoberta da sonda da ESA/NASA altera tudo, ao fazer de Enceladus, o último membro deste clube exclusivo e um dos locais mais interessantes do sistema solar”, acrescentou.
Um primeiro estudo tinha concluído que esses géiseres resultariam do efeito de marés provocadas no pequeno planeta gelado, de 500 quilómetros de diâmetro, pela sua proximidade de Saturno, que fica a uma distância de apenas 238 quilómetros. Na perspectiva dos cientistas, só a existência de um oceano sob a camada de gelo que cobre Encéladus, pelo menos na região do pólo Sul, explicaria os movimentos observados na crosta gelada.
Os géiseres detectados já desde 2005, pela sonda internacional Cassini e as análises preliminares do seu espectrómetro detectaram neles a presença de água no estado líquido e sólido, assim como pequenas quantidades de azoto, metano, dióxido de carbono, propano e acetileno. A presença destes elementos, a confirmar- -se, pressagia a existência de condições favoráveis à existência de vida, o que faria incluir Encéladus no pequeno clube dos corpos celestes com hipóteses de conter vida.
Os cientistas acreditam que as luas geladas de Marte e Júpiter tenham ou tiveram também condições compatíveis com vida confirmando a resposta à pergunta 55 de “O Livro dos Espíritos”: «Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos esses seres para o objectivo final da Providência. Acreditar que só os haja no planeta que habitamos fora duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil.» Outras luas têm oceanos de água líquida, cobertos por quilómetros de gelo”, disse Andrew Ingersoll, membro da equipa científica de Cassini do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena.
“A diferença neste último caso é o facto dos poços de água poderem estar a apenas algumas dezenas de metros da superfície”, acrescentou. Saturno encontra-se a cerca de 1280 mil quilómetros da Terra e está a ser explorado pela missão conjunta euro-americana (ESA/ NASA) Cassini-Huygens. A sonda foi lançada em 1997 e foi colocada na órbita de Saturno em 2004, para explorar os seus anéis e luas. Cassini realizou três voos de aproximação a Enceladus, no ano passado, e deverá efectuar um quarto ainda este ano.
