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Opinião foto loucomotiv Já sentiu a presença de Deus?

Jornal de Espiritismo nº 28 · Maio 2008Página 143 min

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No Ocidente, durante séculos, predominou a “teoria dualista”. Acreditávamos num Deus distante, acima das nuvens, acima de nós. Muitos o imaginavam como um velho de barbas brancas (imagem importada de Zeus da mitologia grega). Montesquieu, filósofo iluminista francês, brincou com essa linha de pensamento, quando afirmou ironicamente: “se os triângulos tivessem um deus com certeza ele teria três lados”.

Enquanto no Ocidente grassava o dualismo, no Oriente a teoria que predominava era o panteísmo, a qual afirmava que Deus e o universo eram a mesma coisa. Para o espiritismo a individualidade sobrevive à morte física eternizando-se (e não dissolvendo no Todo, como na teoria panteísta). «O Livro dos Espíritos» (p. 14, 15 e 16) refuta, assim, essa ideia. A física quântica, actualmente, traz uma outra visão do mundo e de Deus.

Tudo na natureza está interligado e tudo o que vemos e entendemos como objectos separados se une numa grande rede, num campo quantizado. A matéria de sólida não tem nada eoátomo nada mais é do que energia pura que influencia e se interliga com todos os outros átomos do universo. Um físico judeu norte-americano, David Bohn, levanta então a hipótese de que, subjacente a toda essa trama de energia, existe uma inteligência organizadora a que denominou “Ser Quântico Implícito”, “Ser Luz”, que denominamos Deus.

Como nos diz o professor e filósofo Huberto Rhoden: “ Se o átomo não estivesse impregnado da presença divina, nem o átomo seria átomo, nem Deus seria Deus”. Allan Kardec, no capítulo II do livro «A Génese», itens 22, 23 e 24, no capítulo sobre a Providência Divina, inaugura a era do monismo (tudo está interligado) quântico com 150 anos de antecedência comparando Deus a um fluido inteligente capaz de interpretar toda a criação e anuncia: “A Natureza inteira está mergulhada no fluido divino”.

Deus é, portanto, ao mesmo tempo, imanente (está dentro) e transcendente (está fora) de cada um de nós. Pela Sua imanência, sentimo-nos acolhidos, valorizados e aquecidos pela Sua presença em nós; pela Sua transcendência, verificamos que somos como gotas num oceano, pequenos e humildes diante do Sua grandeza e esplendor. Nós somente estamos vivos, nos eternizamos, evoluímos rumo ao bem, amamos e nos alegramos porque estamos ligados a uma única fonte, que nos vitaliza e irmana!

Nós somos todos irmãos porque por Ele fomos criados e, através dele, nos unimos e encontramos! Se para si, caro leitor, esses termos “monismo”, “dualismo”, “panteísmo”, “campo quantizado” parecem difíceis e enfadonhos não há problema: basta que contemple uma montanha, admire o céu, observe o sol ferindo a copa de uma árvore, se sente diante do mar, acaricie um animal ou olhe uma criança nos olhos. Depois de alguns segundos, uma sensação de paz e de quietude o invadirá e perceberá que Deus está bem à sua frente.

Se ainda tiver dúvidas, faça o bem, procure exercitar a caridade no seu dia-a-dia e, ao fechar os olhos, sentirá a Sua presença a preenchê-lo, pulsando no seu peito, transmitindo-lhe vida, amor e felicidade, plenificando cada uma das suas células. O intelecto é muito pouco para entendermos e sentirmos Deus. Falta-nos um sentido (pergunta 10 de «O Livro dos Espíritos») para que o conheçamos. Esse sentido é a intuição que vem do amor vivenciado no quotidiano.

“Bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus” (Mateus cap 5 vers 8). Texto: Fernando António Nevesa.fernando_neves@yahoo.com.