Comemorações do
Jornal de Espiritismo nº 3 · 2004Página 55 min
O Centro Espírita Boa Vontade comemorou os seus 10 anos de actividade com uma série de palestras em vários dias, mas sempre aos sábados, com início às 18h30.
Dia 7 de Fevereiro, José Sendão palestrou sobre «Consciência e Progresso». Dia 14, falou um representante do Centro Espírita Luz Eterna. Em 21 conferência de Palma Cláudio, presidente da União Espírita do Algarve e da Associação Espírita de Portimão, abordou o tema «Lei de Causa e Efeito». Reinaldo Barros debruçou-se sobre «Champolion, um caso de reencarnação», no sábado seguinte. O Centro Espírita Boa Vontade tem nova sede: Rua Luís Antão, 31 — 4.º (próximo da Igreja Matriz). Porém, esta associação pede que não se envie correio para esta morada, mas sim para o Apartado 2002, 8501-902 Portimão. Octávio Santos, um dos dirigentes do Centro Espírita Boa Vontade, responde a estas perguntas:
— Como surgiu a vossa associação? Octávio Santos — Antes de responder à pergunta, se me permites gostaria de recordar o primeiro contacto que tive com o Espiritismo, que aconteceu, num fim de tarde do já distante ano de 1976, pouco tempo depois de ter deixado o seminário, num pequeno grupo, que se reunia, na Av. 25 de Abril, n.º 21, em casa de José da Silva Gabriel, a quem muito devo, pela confiança que em mim depositou, pois saí do seu lar com 2 livros: “O Livro dos Espíritos” e o “Evangelho Segundo o Espiritismo”; e duas dívidas: os livros e a gratidão, que conservo para todo o sempre, pois saí do seu lar sentindo-me mais leve que uma pena, liberto do medo das penas eternas do inferno, compreendendo, que Deus é Pai de Amor e que portanto não castiga, sempre dá mais uma oportunidade, e com um desejo imenso de estudar aquela nova doutrina, onde encontrara a libertaçãoea paz de espírito.
Voltei ao Alentejo, não me tornei espírita, gostava de ler, “sobre estas coisas e tudo o que tivesse a ver com “ocultismo”, a inexistência de grupos espíritas, apesar de uma ou duas tentativas para organização de grupo para experiência de fenómenos mediúnicos, fez com que pouco a pouco os meus interesses se fossem diversificando. Sempre sentindo um vazio que procurava preencher, sem encontrar solução... sentia que era chamado a fazer qualquer coisa mais,
além do trabalho profissional, mas não encontrava saída.
Casei, vim viver para Portimão, nasceu um bebé lindo, surgiram problemas de saúde e outros. Os médicos não davam solução. Lembrei-me do sr. Gabriel. Desta vez telefonei a pedir auxílio, tinha vindo à mente: “Um passe talvez ajude”. Estávamos em Fevereiro de 1988. Informou-me que já não estava ligado à associação portimonense em que o conhecera, o grupo desfizera-se, mas tinha conhecimento de que D. Maria Firmina, um dos elementos, fazia o Evangelho em casa e que nos poderia ajudar. Deu-nos a morada, e lá fomos na esperança de encontrar solução para esses problemas.
Passámos a frequentar assiduamente a sua casa, participávamos da reunião do Evangelho, com outras pessoas amigas. Só então percebi que a doutrina espírita tinha um objectivo, ajudar-nos na nossa transformação moral. Aprendemos a orar juntos, também em nosso lar, tornamo-nos espíritas sem darmos por isso, começámos a frequentar a Associação Espírita de Portimão, integramo-nos no trabalho da associação, e no movimento espírita. Recordo-me que assistimos a parte do VI Encontro Nacional de Jovens Espíritas, em Lagos, pouco a pouco fomos reencontrando corações no movimento que nos são muito queridos.
Por volta de 1992 começa a tomar corpo o sonho sentido por alguns espíritas, particularmente o pequeno grupo que participava do Evangelho em casa de D. Maria Firmina, que sentiam a necessidade de formar um novo centro espírita, em Portimão procurando, assim: 1.º juntar muitos dos espíritas que não estavam integrados em associações; 2.º criação de grupos de estudo; 3.º criação de espaço público onde se pudesse divulgar a doutrina; 4.
º criação de obra assistencial de apoio aos mais carenciados. Esta ideia foi apoiada por vários elementos do movimento espírita, e de instituições, nomeadamente Federação Espírita Portuguesa e União Espírita do Algarve e a própria Associação Espírita de Portimão, na pessoa do seu presidente, Palma Claúdio. — Quando comemorou este centro o seu 10.º aniversário?
O. S. — O Centro Espírita Boa Vontade comemorou o seu aniversário no dia 1 de Fevereiro, já que foi nesta data, no ano de 1994, que um grupo de espíritas se reuniu na casa de D. Maria Firmina, na cidade de Portimão, com o objectivo de fundação de um centro espírita.
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No dia 21 de Março de 1994, por escritura lavrada no Cartório Notarial de Portimão, foi constituída a associação Centro Espírita Boa Vontade, com sede provisória na Rua Mouzinho de Albuquerque, 27-A em Portimão, rés-do-chão, arrendado por 50.000$00/mês, tendo como objecto principal o estudo, divulgação e prática da doutrina espírita, nos seus aspectos científico, filosófico, moral e social com base na codificação kardecista.
Em Julho do mesmo ano foram-nos cedidas, gratuitamente, instalações mais amplas, que nos permitiram ampliar as actividades sobretudo as assistenciais, com o serviço de refeições aos mais carenciados, ultimamente, só aos domingos, e lá estivemos, na Rua da Igreja, trabalhado com alegria até Setembro de 2003, altura em que tivemos que suspender as actividades assistenciais dando continuidade apenas às actividades doutrinárias, na Rua Luís Antão, n.
— O que lhe vem primeiro à ideia ao pensar nesta data?
O. S. — Compromisso-alegria. Recordo que o vazio que antes sentia já não sinto mais. — Qual a melhor fórmula para vencer as maiores dificuldades?
O. S. — Trabalho no bem e confiança, sempre
Octávio Santos, na foto, à direita
temos tido mais do que merecemos. Deus tem sido muito generoso para connosco. É extremamente gratificante o trabalho de equipa, quando todos lutamos por objectivos comuns à causa e à casa.
O. S. — Dois sonhos: um material — sede própria, onde possamos realizar tarefas doutrinárias e assistenciais. Outro espiritual — que possamos levar a porto seguro o barco que nos foi confiado.
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