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Jornal de Espiritismo nº 3 · 2004Página 117 min

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Compreendemos que qualquer pessoa, para penetrar em algumas verdades espirituais, tem de amadurecer. Tudo tem a sua época, o seu momento na vida, desde o reino vegetal ao reino animal e ao reino hominal, todos temos uma época para amadurecer e dentro dessa terra que temos preparada, então a semente já consegue germinar. Foi isso que aconteceu comigo, e é isso que vai acontecendo com tantos que são chamados à doutrina espírita. Na minha experiência são raros aqueles que tenho encontrado que penetram as fileiras do Espiritismo sem o sofrimento a acompanhá-los.

— Falou no Cristo. Então qual é o do Espiritismo?

A.R. — O Cristo em todas as religiões é sempre o mesmo, a questão e os erros são sempre humanos. De maneira que as sagradas escrituras ficaram aí, há cerca de 2000 anos, para os homens como um tesouro que os homens interpretaram de várias maneiras, e daí nós vermos nascer várias religiões, as mais diversas, todas ditas cristãs. Muitas coisas foram mal interpretadas, de facto, e chegou uma época em que a humanidade sofredora — e que está sofrendo uma transformação neste fim de século muito grande —, viuse na necessidade, por decisão do mundo espiritual superior, de derramar aquilo que há 2000 anos o Cristo havia prometido, que foi o Consolador.

É o mundo espiritual superior que, através da mediunidade, vem revelar ao mundo o Evangelho de Jesus Cristo interpretado em luz e em verdade. Então não mais há aquele Cristo como não mais há aquele Deus vingativo com infernos, com purgatórios, com todas essas coisas que hoje se sabe serem apenas estados da alma e que têm a sua parte temporária até que o homem evolua e caminhe. Não há mais inferno. O inferno dura na alma enquanto a alma não procura a sua reforma íntima e a sua transformação.

Daí verificarmos que o Espiritismo enxuga lágrimas, de facto, alivia dores e é, na verdade, o Consolador, a terceira revelação divina que recebemos em meados do século XIX.

— O Espiritismo é uma doutrina que lida especialmente bem com a mediunidade, correcto?

A.R. — É evidente que a alma adquire uma certa sensibilidade. Nós chamamos a essa sensibilidade, ou hiper-sensibilidade, mediunidade e sabemos que outras correntes religiosas, que não temos nada que censurar e que muito respeitamos,

ainda não entendem o problema da sensibilidade mediúnica.

Portanto, a pessoa que se sente com problemas espirituais não encontra ali, de facto, a explicação nem o apoio moral e espiritual para se poder libertar. Só dentro do Espiritismo é que a pessoa que tem sensibilidade mediúnica consegue receber a orientaçãoeo apoio necessários para poder encontrar o alívio para as suas perturbações de ordem nervosa e psíquica, que estão ligadas precisamente ao problema da mediunidade.

— Em tempos contou-me um caso muito interessante ocorrido com uma senhora que se tratava no Instituto Nacional de Assistência à Tuberculose, antes de 1974. Recorda-se?

A.R. Sim, esses casos foram variados. Uma vez fomos solicitados, eu e o amigo e velho Simões, para ir a uma residência onde habitava um casal sem filhos cuja esposa tinha perturbações graves no sistema nervoso. Já andava a tratar-se há muito tempo e não conseguia uma resolução para esse problema.

Também se andava a tratar no Instituto Nacional de Assistência à Tuberculose há uns dois anos a uma caverna que tinha num pulmãoenão encontrava a cura. Pensava na altura, o médico que a assistia, fazer uma operação, um corte de costelas. A pessoa ainda era jovem, relativamente, ainda tinha 33 anos e não queria ir para uma operação dessa natureza, mas aliado a isso havia ainda, como já foi referido, problemas de ordem nervosa, e muitos.

Lá em casa submetemos a pessoa a um tratamento magnético de passe, que é a imposição de mãos que, aliás, o Evangelho fala nisso. E então, submetida a um tratamento magnético, entra imediatamente em transe mediúnico. Ficámos admirados. A entidade espiritual lança uma série de impropérios ao marido (presente no local) que o deixou, de facto, muito branco. Tivemos de lhe recomendar que se mantivesse em calma e serenidade, porque depois lhe daríamos uma explicação do que se estava a passar.

Entre esses impropérios, fazia-lhe acusações muito graves e dizia que a vingança que desejava exercer seria sobre ele, e não sobre a esposa, mas como não tinha acesso a ele, então vingava-se na esposa. Isto hoje tem uma explicação para nós, é que a esposa era médium e ele ainda não tinha sensibilidade para o espírito obsessor exercer a vingança que queria, por isso servia-se da esposa como instrumento de martírio para ele.

evangelizar ou doutrinar, dar bons conselhos, a esse espírito que se manifestou e tivemos de lá ir três vezes. Só à terceira vez o espírito aceitou o esclarecimento. Então chorou e prometeu abandonar aquele casal e não o perturbar mais. Interrogado o marido sobre se sabia identificar aquele espírito que ali se manifestou, dado que ele lhe referia pormenores passados com ambos, ele terminou por dizer que na vida dele teve uma senhora sem que a esposa soubesse, que lhe criou muitos e graves problemas, tendo de a abandonar.

Ela tuberculizou e acabou por desencarnar por causa dessa doença. Isto é importante. Podiíamos entrar aqui em pormenores, mas iriam demorar muito tempo. Direi só que o perispírito, ou o corpo astral, dessa senhora que desencarnou mantinha ainda aderente as lesões pulmonares que lhe originaram a morte do corpo. E ela, estando justaposta à médium, à esposa desse senhor, transmitia-lhe por indução espiritual a lesão pulmonar que ela tinha e resultava isso em admiração para os médicos do Instituto que, por mais medicação que ela fizesse e repouso, seguindo tudo o que lhe indicavam lá à risca, há dois anos e tal, não conseguia a cura dessa caverna no pulmão.

Depois de se dar esse tratamento e de ser afastado o espírito obsessor, acontece que a senhora começa por respirar muito bem — porque ela tinha dificuldades na respiração — e vai a uma nova consulta. O médico achou que alguma modificação se tinha operado. Novas radiografias. Verifica que, no sítio onde se apresentava a lesão havia apenas um risco negro, que indicava, talvez, uma cicatriz. Não aceitou. Ela mesma ouvia o médico falando sozinho, dizendo “não pode ser, não acho possível” e marca-lhe outra data e uma tomografia e chega à mesma conclusão: de que ela estava clinicamente curada, e então dizlhe: “não sei explicar o seu caso.

Sou médico de doenças pulmonares há muitos anos e você teve um milagre e está clinicamente curada, não necessita de um corte de costelas.”.

Ela não teve, como a maioria das pessoas, coragem para contar ao médico aquilo que tinha feito. Porém, foi este um caso que se passou como muitos outros que podem ter o seu interesse e que é pena que a ciência não se debruce sobre estes factos e os estude.

In programa de rádio «Além do Véu, do Círculo Cultural de Juventude Espírita Meimei (Porto), 1986.9.03, quarta-feira, 19h00/20h00.

Jesus escrevia no chão, entre

às nossas ordens. Cada um tem o

a turba alucinada que reincidia na aplicação da lei humana: havia que apedrejar a mulher acusada de adultério!

O silêncio esmaga. O que diria o Mestre face à acusação? Se contrariasse a turba seria etiquetado como marginal; se dissesse que a mulher devia ser apedrejada, mesmo que não lhe atirasse os calhaus, isso iria vulgarizá-lo.

impressiona o quadro: «Aquele que estiver sem pecado, atire a primeira pedra».

Após a estupefacção, dizem os textos, os mais velhos foram os primeiros a deixar cair os rebos e a ausentar-se. Depois seguiram-se os restantes.

A lição é tão conhecida que citar os versículos do Evangelho até poderia ser considerado ruído. Mas por ser tão popular, reconhecidamente forte e importante se praticada no dia-adia, é que se torna estranho o facto

comportamento quotidiano... Há muitas formas de atirar calhaus. É certo que ainda hoje há países de leis mais brutais em que o apedrejamento de pessoas é uma sentença em vigor. Aqui em Portugal não! Mas por vezes distraímo-nos tanto que o desvio se tornou hábito e a farpa, qual cascalho rolante, salta em catadupa atingindo outrem, com injustiça quase sempre garantida. Seja pela oralidade seja até pela escrita, pasme-se.

Os outros não precisam de andar

livre-arbítrio como conquista preciosa na sua evolução multimilenar. E a responsabilidade inerente.

Viver é semear. As atitudes que temos no dia-a-dia são o melhor investimento que podemos operar a favor da nossa própria iluminação interior. Não é possível sair dos campos, a semeadura é inevitável. Que sementes estamos a dispersar? O dito é também célebre: a colheita é obrigatória.

Texto: Jorgejorge je&elix.pt

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