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Entrevista daí, foi só persegui-lo com perseverança

Jornal de Espiritismo nº 30 · Setembro 2008Página 115 min

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Entrevista daí, foi só persegui-lo com perseverança. Geralmente, a medicina tradicional não releva algumas teorias relacionadas com a vertente humana. Porque optou por um trabalho sobre Espiritismo? Escolhi o Espiritismo porque, sendo já conhecedora da doutrina, via vários pontos de interesse para a Medicina, como, por exemplo, a distinção entre doentes psiquiátricos e médiuns. Queria aprender mais sobre a relação entre estas duas áreas.

Como foi entendida essa sua decisão pelos professores da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho? Os professores não teceram qualquer tipo de comentário. Trataram a minha decisão com naturalidade, como tratariam outro tema qualquer. E pelos seus colegas de curso? Os meus colegas foram aqueles que mais me incentivaram a escolher este tema. Receou, em algum momento, que o seu trabalho não fosse bem aceite na Universidade do Minho?

Confesso que, no início, estava com algum receio da maneira como os professores acolheriam estas ideias relacionadas com espíritos e mediunidade, ou até de passar uma mensagem errada sobre a doutrina espírita. A responsabilidade era imensa. E como foi a reacção dos seus colegas e professores depois da apresentação do seu projecto? Os meus colegas estavam bastante interessados e, no final, colocaram-me muitas perguntas.

Os professores acolheram muito bem as ideias que apresentei. Como sabia que este tema poderia ser um tanto polémico, fiz um esforço por fundamentar bem as ideias expostas com estudos científicos. Por isso, também não tinham muito por onde criticar. Em que medida a ADEP contribuiu para a efectiva realização do seu trabalho? A ADEP disponibilizou-me contactos, permitiu-me acompanhar o funcionamento de um centro espírita: Associação Sociocultural Espírita de Braga (ASEB), indicou-me alguns médiuns, forneceu- -me bibliografia, deu-me muita informação útil e muita força.

Estou muito grata por tudo. Há quanto tempo conhece esta associação on-line? Há perto de três anos, penso. Foi através do site da ADEP que comecei a ter algum conhecimento espírita, para além das obras de Kardec. Foi lá, aliás, que tive conhecimento da existência de associações médico-espíritas. Que tipo de pesquisas efectuou para o seu trabalho? Tentei encontrar estudos relacionados com espiritualidade e mediunidade.

Procurei saber o que já se conhecia sobre mediunidade em termos científicos e de que maneira os médiuns eram vistos pelos médicos. Este era um tema que me despertava especial interesse. Recolhi também o testemunho de vários médiuns portadores de mediunidade ostensiva para perceber como foi o despertar desta faculdade, que problemas tiveram e, se procuraram o médico, de que forma este os orientou. Procurei também saber mais sobre a ética, o bem-estar que o conhecimento da doutrina espírita consegue trazer ao ser humano e estudos científicos relacionados com a terapia de passes, utilizada em muitos centros espíritas.

Procurei opinião médica de alguém com conhecimento da doutrina espírita e do trabalho realizado em centros espíritas. Para isso, pude contar com a ajuda da Dra. Lígia Almeida, presidente da AME- -Porto, que me indicou artigos científicos importantes e me deu a sua opinião sobre a utilidade do Espiritismo para a Medicina. A que conclusões chegou? Constatei que a mediunidade, que durante muito tempo foi associada a distúrbios psiquiátricos, actualmente começa a ser vista com mais naturalidade, como uma capacidade paranormal do ser humano e não como sinónimo de patologia.

No entanto, raros são os médicos que têm conhecimento dos estudos sobre médiuns e continuam a não conseguir dar resposta adequada a quem tem problemas com esta faculdade. Apercebi-me também de que os centros espíritas podem prestar uma grande ajuda às pessoas, muitas vezes onde o médico não consegue dar resposta, mas que nem todos, no entanto, funcionarão do melhor modo. Não é o caso da ASEB. Quanto ao conhecimento da doutrina espírita, constatei que esta modifica o íntimo do ser humano, tornando-o numa pessoa mais serena e confiante perante os obstáculos da vida.

E que leva a uma condução ética da ciência e da medicina em particular. Pude concluir que, afinal, há muitas evidências científicas para a existência do espírito, como o demonstram estudos sobre, por exemplo, experiências de quase-morte, a terapia de regressão a vidas passadas ou os casos de crianças com memória de outras vidas, mas que muitos cientistas ainda são bastante fechados a esta hipótese. Porém, há um interesse crescente nesta área e cada vez mais estudos que vão ao encontro da doutrina espírita.

É preciso realizar ainda mais estudos sobre a componente espiritual do ser humano e vale a pena olhar para a proposta espírita. Entende que o seu exemplo será motivador para outros alunos do Curso de Medicina? Eu espero que sim. Afinal de contas, a influência do espírito na saúde é maior do que o que se pensa e, se os médicos continuarem a ignorar os estudos sobre espiritualidade e mediunidade continuarãoanão conseguir dar resposta a quem tem problemas deste tipo.

E quem sofre são os pacientes. Considera-se espírita? Sim, na medida em que faço da doutrina espírita a minha bússola para o dia-a-dia. Vai continuar a estudar e a pesquisar as verdades declaradas pelo Espiritismo? Vou, sim. Ainda há muito para aprender e este trabalho foi curto demais para aprofundar cada um dos assuntos que pesquisei. Fiz apenas uma abordagem geral ao tema que me deu conhecimento de alguns nomes de investigadores e uma visão do tipo de estudos que se tem realizado, o que me pode orientar daqui para a frente no campo da investigação científica, se decidir enveredar por aí.

Quem sabe, eu não decida aprofundar nos projectos seguintes ou no campo profissional, mais tarde, algum dos tópicos que abordei? Há muita necessidade de estudo na área da espiritualidade. Tenciona aplicar o conhecimento espírita na relação com os futuros pacientes? Claro. Esse conhecimento ajudar-me-á na relação com os pacientes e na orientação para a resolução dos seus problemas. Seria absolutamente inútil ter este tipo de conhecimento se não o aplicasse.

Que conselhos daria aos jovens de hoje? Que procurem sempre mais conhecimento, que dêem valor ao que têm, que não sejam preconceituosos, que procurem tornar-se cada vez melhores e que não tenham pressa de viver. Todas as dúvidas inquietantes que costumam despertar na adolescência sobre a vida e a morte, a alma e os atributos de Deus se dissolveram para dar lugar à serenidade perante a vida e a morte e a uma melhor compreensão da sabedoria do Criador E aos médicos, em geral?

Que sejam abertos e informados. Nem tudo se aprende durante o curso e nem tudo se sabe sobre o ser humano. A desinformaçãoeo preconceito podem prejudicar muitos pacientes, como alguns médiuns com quem falei que, depois de o seu médico não ter sabido ajudá-los e antes de encontrarem o apoio de um centro espírita, sofreram muito e bateram a muitas portas erradas.