Pedagogia A Nova Escola A Escola vigente, materialista, tem como objec
Jornal de Espiritismo nº 30 · Setembro 2008Página 154 min
Pedagogia A Nova Escola A Escola vigente, materialista, tem como objectivos a construção do pensamento e o desenvolvimento da inteligência pela aquisição de conceitos. Educa para o sucesso do indivíduo em sociedade, enaltecendo-lhe o intelecto em detrimento do progresso moral. Mas sabemos que só teremos uma sociedade pacífica e feliz, quando a moral e a inteligência caminharem lado a lado… L.E. 798. «O espiritismo se tornará crença comum, ou ficará sendo partilhado, como crença, apenas por algumas pessoas?
» “Certamente que se tornará crença geral e marcará nova era na história da humanidade, porque está na natureza e chegou o tempo em que ocupará lugar entre os conhecimentos humanos. (…)” O sonho de qualquer educador é ver os seus educandos crescerem em harmonia, numa sociedade justa, fraterna, onde cada um é livre de construir o seu próprio caminho. Assim se transformará o nosso planeta nos próximos tempos, transformação já em curso segundo nos transmitem os benfeitores, num mundo de regeneração, onde o bem será apanágio de todas as obras, e onde o amor iluminará todos os corações.
Até lá, o espiritismo tem a função de esclarecer a humanidade e, essencialmente, a de combater o materialismo (L.E. p.799). Sabendo que a educação do homem é a base do progresso moral, importa que olhemos para a Escola como um local promissor da aprendizagem activa do amor a Deus e ao próximo, do respeito pelos semelhantes, do dever e da responsabilidade, da justiça, da solidariedade… A Escola vigente, materialista, tem como objectivos a construção do pensamento e o desenvolvimento da inteligência pela aquisição de conceitos.
Educa para o sucesso do indivíduo em sociedade, enaltecendo-lhe o intelecto em detrimento do progresso moral. Mas sabemos que só teremos uma sociedade pacífica e feliz, quando a moral e a inteligência caminharem lado a lado (L.E.p.791) Em Maio de 2007, fizemos um inquérito em 12 escolas dos distritos do Porto e Braga, distribuído por 200 professores e 100 pais de educandos, colocando-lhes a seguinte questão: “Concorda com a expressão que é necessário moralizar o ensino?
”, a que responderam afirmativamente 77% dos professores e 89% dos pais. Todos parecem estar de acordo que a educação não pode se restringir apenas a conteúdos programáticos que modelam as inteligências. É necessário moralizar, mas como? Não é possível “ensinar” o homem a ser honesto, respeitador e solidário. A prova disso é que foram criadas disciplinas escolares de “educação cívica”, numa tentativa de promover o desenvolvimento moral dos educandos, mas estes continuam a expressar-se de forma agressiva e a ignorar as regras sociais.
A educação chamada “cívica” ou “para a cidadania” resume-se a mera instrução exterior. O educando pode ser “legalmente honesto” e não ser moralmente evoluído. Educa-se na função do cumprimento de leis ou regras impostas sob a égide da coacção. Ora, como nos diz Huberto Rohden , “quem comete o crime imperfeito” sofre as consequências legais, mas quem for inteligente “para cometer o crime perfeito” não corre o risco de ser punido.
Não foi, também, possível até ao momento educar para a compreensão de Deus e do amor divino, dentro da Escola, apesar dos séculos consecutivos em que as ordens religiosas orientavam os currículos e impunham os seus dogmas. Actualmente, a “velha” disciplina de moral não é mais que uma hora semanal de confraternização (também importante, é certo), sem qualquer conteúdo programático, onde se fala de tudo menos da chamada moral.
E de que forma o espiritismo pode contribuir para a moralização dos educandos? Existem duas correntes de pensamento: uma propõe a criação de escolas espíritas, onde são administrados currículos programáticos oficiais juntamente com “aulas” de espiritismo; a outra promove a educação pedagógica-espírita em escolas laicas, em que os educadores, necessariamente espíritas ou espiritualistas, educam “espiritamente”. Tendo em conta as experiências do passado, a educação “para o espiritismo” como disciplina exterior, dirigida apenas a adeptos e simpatizantes, correrá o risco de se tornar sectária e discriminatória, ou pior ainda, de ser vista como mais uma religião.
A Nova Escola, a escola do futuro, promotora do progresso moral do homem, não ensina valores, nem avalia capacidades: ela educa pela vivência diária, despertando dentro de cada educando a vontade de progredir. As razões da existência de Deus, da Criação, do Homem serão discutidas livremente em filosofia ou astronomia, levando o conhecimento à reflexão íntima, onde cada um se descobre no todo universal. A ideia de Deus, da imortalidade da alma e da moralidade, são cultivadas pelo debate religioso, no estudo de todas as religiões e filosofias, levando o educando ao encontro da sua dimensão espiritual.
A ética, composta pelos princípios morais, não surge como disciplina imposta sob um conjunto de regras e normas sociais, mas sim na criação de projectos conjuntos, entre educadores e educandos, que visam a colaboração, o auxilio ao próximo, a cooperaçãoea intervenção na sociedade com vista ao bem comum. Não existirão hierarquias, nem funções específicas que levem ao inconformismo ou à discriminação social: todos são educadores, e todas as tarefas serão partilhadas com os educandos, desde a gestão à limpeza.
Melhor que ensinar a gerir é fazê-lo, melhor que incentivar a preservar os espaços é cuidar deles com responsabilidade. A Nova Escola terá como instrumento e método pedagógico o amor, estabelecendo-se nos laços de afeição entre todos os intervenientes e na liberdade que lhes é conferida, na escolha do que deseja aprender. O espiritismo, mais do que uma crença comum, através da pedagogia espírita, tem a possibilidade de transformar a humanidade, porque não assenta na educação de massas, mas na reforma íntima de cada um, e na sua busca individual pela felicidade.
Por Regina Saião reginasaiao@gmail.com apedagogiaespirita@gmail.com www.apedagogiaespirita.
