Opinião Jesus: Intérpretede verdadeseternas Na Galileia, há dois mil a
Jornal de Espiritismo nº 31 · Novembro 2008Página 137 min
Opinião Jesus: Intérpretede verdadeseternas Na Galileia, há dois mil anos, nasceu um “pequenino” ser. Alguns já o apontavam como o grande embaixador de Deus na face da Terra, aquele que acenaria com o seu próprio sacrifício para a consolidação dos ditames divinos. Jesus é conhecido em todo o mundo. Figura histórica para o Oriente ou “filho de Deus” para o Ocidente, não lhe retira nem acrescenta um só ponto no panorama da sua admirável grandeza.
Porque se regista uma infinita distância entre a capacidade humana e a excelsa sabedoria deste homem, faltam condições adequadas para descortinar a lógica das suas atitudes, que nunca se submetiam às injunções vigentes. Viveu numa época em que a humanidade quase nada possuía, necessitando de lutar arduamente pela própria subsistência. Convidou-a a participar do processo de transformação espiritual como tarefa necessária, não oferecendo mudanças instantâneas, mas considerou que uma vida melhor envolvia a difícil empreitada de o seguir de perto.
As suas acções e o seu modo de viver embelezaram-se de uma verdade superior. De forma simples, rodeou-se dos mais pobres e humildes, oprimidos e sofredores, mas enfrentou com audácia os eruditos da época, pregando a urgência de o homem se transformar de dentro para fora, modelo psicológico do amor incondicional e fundamento das relações sociais. Por isso, conheceu sarcasmos, desolações e traições. Não tendo escrito qualquer livro, demonstrou pacientemente como sobreviver às experiências necessárias à evolução humana.
Ele mesmo, nos momentos mais difíceis da sua existência terrena, nunca perdeu a ligação com Deus, aquele “Pai” a quem solicitou a cura do coração para aqueles que não o compreenderam e o maltrataram, demonstrando serenidade nos momentos de alta emotividade. Falando pouco, dizia muito, em palavras que todos pronunciavam, apesar de ninguém as proferir como ele. Portador de invulgar beleza corporal e espiritual, era uma criatura simples e pura: “Como é belo o Rabi”, terão pensado aqueles que o acompanhavam!
Em época de parcos conhecimentos, teve a coragem de “ultrapassar” paradigmas, desafiando conceitos culturais, como a reencarnação. Despertou os corações para o amadurecimento dos sentimentos, para a constância da capacidade mental equilibrada, através de pensamentos mais lógicos e convidativos a atitudes brandas e passíveis de uma vida verdadeira. A fortuna da esperança desdobrava-se nas palavras e nos actos deste homem, amado pela sua bondade, mas também pela compreensão das paixões humanas.
Com a autoridade de um sábio, exibia uma postura serena, atestando a confiança de quem tudo conhece e não se angustia com as questiúnculas do momento. Pelo contrário, não era em si mesmo que pensava, ao aconselhar: “Não digais nada a ninguém do que acabais de presenciar, até que eu haja partido e ressurja dentre os mortos”, na tentativa de proteger os que testemunharam os seus “milagres”. Foi perseguido e humilhado muitas vezes.
Entretanto, prosseguia dócil e sereno, ensinando a bondade, enquanto aguardava que as suas palavras se repercutissem em actos assertivos nos seus ouvintes. Viveu uma fé inabalável em Deus e permaneceu, sem cansaço, fiel à ideia de um futuro feliz. Contagiou algumas almas, como o filósofo italiano Giordano Bruno, a francesa Joana d’Arc ou o teólogo Jan Huss, vítimas da loucura histórica terrena a deterem-se, como ele, tranquilos em momentos de martírio.
A sua voz era calma. Todos o ouviam. Falava docemente. Palavras simples, na tonalidade e singeleza do povo. Perante os infelizes ou perturbados, sublinhava preceitos amorosos: “Sou o médico das almas”, de braços abertos ao atendimento de todas as dores. Esta particularidade está bem gravada nos relatos de Flávio Josefo, historiador judeu do primeiro século: “Ora, havia por esse tempo Jesus, um homem sábio, se for legítimo chamá-lo de homem, pois ele era um operador de obras maravilhosas...
Atraiu para si muitos dos judeus e muitos dos gentios...” Não é trabalho externo que este homem preconiza, mas o resultado de labor em prol de angústias e dores libertadoras, conquistadas com esforço pessoal. “Dou-vos um novo mandamento: Que vos ameis uns aos outros...”, é um alerta para a busca das razões inconscientes que nos mantêm presos aos preceitos ambíguos, que tanto prezamos, alegando descuidadamente sempre ter feito assim.
Jesus é, na visão dos Espíritos Superiores que amorosamente colaboraram na efectiva compilação da Codificação Espírita, “o tipo de perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra.” E acrescentam: “Foi o ser mais puro que já apareceu na Terra” (questão 625 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec). Não restam dúvidas de que Jesus é um personagem que em tudo se identifica com o homem e com a humanidade. O modo como amava a Natureza, palco de encantadoras parábolas, demonstra as qualidades da criatura que mais se identifica com o Pai Criador.
Apesar de sempre “o verem chorar”, a alegria é uma constante em cada passo da sua vida. Sem ansiedade, vive cada momento sem a preocupação do amanhã, ensinando ao homem que “a cada dia bastam as suas próprias preocupações”. No seu roteiro de vida não há stress, não há ansiedade. Como ser integrado, é perfeitamente destituído das perturbações do inconsciente. A herança divina que carrega faz dele o causador da divisão da História: Antes de Cristo e depois de Cristo.
De que serve a lógica dos que não acreditam na sua passagem pela Terra? Afinal de contas, ele é o responsável pela marca histórica do passar dos anos. É visto como a criatura que sabe amar, servir e esperar. Ensinou pacientemente e, ainda por cima, teve a bondade de interceder junto do Pai por todos os necessitados. Em muitas ocasiões, foi chamado a aliviar sentimentos de culpa. Erradas concepções de “céu” e “inferno” levavam os “pecadores” a prostrar-se aos seus pés.
E ele acolhia-os, aconselhando: “vai e não voltes a pecar”. Este homem sublime pedia a transformação interior, aquela que impede a repetição dos erros cometidos. Através de muitos mensageiros, encarnados e desencarnados, o Mestre continua a espalhar sementes restauradoras da sua palavra nesta sociedade tão inquieta e perturbada. Merece todas as linhas poéticas ou em prosa dos mais eloquentes filósofos, pensadores e cientistas que, entre si, fundamentam conceitos e admitem dúvidas em tópicos de completo antagonismo: Uns, expressam compreensão e apreço.
Outros, controvérsia intelectiva. Mark W. Baker, doutor em Psicologia Clínica, que dirige o La Vie Couselling Center, na Califórnia, identifica-o como “o maior psicólogo de todos os tempos”, além de um “comunicador de eleição”. Designa-o como “a pessoa mais influente da História” e dedicou 20 anos da sua vida a descobrir por que razão “os ensinamentos de Jesus tiveram um impacto tão profundo nos seus seguidores”. Augusto Jorge Cury, psiquiatra brasileiro, fundador e director da Academia de Inteligência, em S.
Paulo, envolveu-se numa das suas “mais desafiadoras pesquisas psicológicas”. E estudou a “intrigante inteligência daquele que dividiu a História: Cristo”. Admitiu que a personalidade de Jesus é tão complexa “que não é possível analisá-la em apenas um livro”. Através de “O Mestre dos Mestres”; “O Mestre da Sensibilidade”; “O Mestre da Vida”; “O Mestre do Amor” e “O Mestre Inesquecível”, o autor realça e valoriza inúmeras facetas do carácter do Misericordioso Amigo expresso nas variadas ocasiões de calma ou de tensão.
Na perspectiva deste clínico, Jesus foi o mestre da escola da vida, onde “muitos psiquiatras, intelectuais e cientistas são pequenos aprendizes”. Ernest Renan, francês, céptico, e um dos maiores historiadores do século XIX, estudou todos os textos bíblicos, “rejeitou a divinização” de Jesus e descreveu as suas admiráveis qualidades: “A sua pregação era suave e agradável”, amava as flores e “tirava delas as suas lições mais encantadoras”.
Quanto às aves do céu, o mar, as montanhas e “os jogos das crianças”, forneciam “por vezes” o tema “das suas instruções”. Chamou-lhe “Homem Incomparável”, tão grandioso que, segundo as suas próprias palavras, confrangia-o contradizer “os que o chamam de Deus”. No livro “A Vida de Jesus” são abundantes, além do intenso labor histórico, a forma como o autor expõe a biografia do Nazareno: O Jesus crucificado dá lugar ao Jesus cheio de vida.
Conhecimentos trazidos pela Botânica e o estudo aprofundado dos costumes da Palestina da época de Jesus tornam esta obra um hino à investigação que se pretende isenta e plausível. No seu roteiro de vida não há stress, não há ansiedade. Como ser integrado, é perfeitamente destituído das perturbações do inconsciente. E infindável seria a lista de nomes que se debruçaram sobre a autenticidade de Jesus, nascido em Belém, sob estrelas que nada mais era do que focos de luz a guiar os pastores e suas ovelhas a um berço de palha.
Graças aos ensinamentos trazidos pelo Espiritismo, este homem sublime deixa-se conhecer por quem desejar “encontrá-lo”. Os seus ensinamentos e o seu exemplo de vida estão contidos em inúmeras páginas de livros escritos ou psicografados por mãos diligentes e obreiras da sua mensagem. A presença de Jesus no percurso evolutivo humano é constante, renovando e aconselhando o propósito da reciclagem dos sentimentos, da moderação das emoções e a inflexibilidade da lei de causa e efeito.
O trabalho na realização dos objectivos que nos propõe é o cartão de apresentação para uma entrada triunfal no reino da harmonia interior, do entendimento dos valores que dão sentido à vida e da profundidade da luta, com entusiasmo, ao serviço do Bem. Todos não somos muitos para recordar Jesus e espalhar as suas lições pela família universal. Desta maneira, não nos atingirá a frase que o evangelho de Lucas aponta: “Este homem começou a edificar e não pôde acabar a obra...
