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Crónica O que são afinal “sessões

Jornal de Espiritismo nº 31 · Novembro 2008Página 144 min

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de espiritismo”? Permitam-nos a insistência. Volta e meia retornamos a este assunto, e como no sábado ocorreu o caso de que demos notícia, das alegadas “sessões de espiritismo” que uma repórter da RTP Angola citou, a propósito de rituais de exorcismo, vem a propósito... O que são afinal “sessões de espiritismo”? Poucos serão aqueles que na adolescência, em noite de férias, não cederam à tentação de fazer uma “sessão de espiritismo”.

Sentados à volta de uma mesa, velinhas acesas, um cartão com as letras do alfabeto e os números de zero a nove, mais um copo a deslizar, ou um compasso, uma caneta, ou qualquer outro objecto. A galhofa proporciona-se, as opiniões dividem-se. Será a mesa que mexe sozinha ou é alguém que está a tentar assustar os amigos? Será o copo que desliza ou é empurrado? Será o compasso que gira ou é manipulado? Se tudo correr bem, os mais impressionáveis assustam-se um pouco, os outros divertem-se um pouco, e nunca se chegará a conclusão nenhuma.

É um passatempo frívolo, como o era há mais de século e meio. Desaconselhamos fortemente tais práticas, aliás... E o que tem isso a ver com Espiritismo? Muito pouco ou mesmo nada. Acontece que em meados do século XIX, quando ainda não havia televisão e internet para ocuparem os serões, as pessoas gostavam naturalmente de ocupar os seus serões de alguma forma. Havia os jogos de cartas, as charadas, o xadrez, o bilhar, e todo o passatempo que fosse moda.

Uma das modas que atravessou a América e a Europa foi a das mesas girantes. Os convivas sentavam-se à volta de uma mesa, faziam perguntas, e as respostas apareciam, sob a forma de pancadas, movimentos da mesa, e, mais tarde, indicações de letras e números a partir de pranchetas especialmente construídas para esse fim. Neste contexto, é oportuno falar de Allan Kardec e das famosas mesas. Os adolescentes que se juntam para fazer o chamado “jogo do copo” chamam impropriamente a essa prática uma “sessão de espiritismo”, talvez porque entendem que se estão a comunicar com Espíritos, é razoável a associação Espíritos/Espiritismo.

Hipólito Rivail era um conceituado sábio francês. Por insistência dos amigos, acabou por aceder a assistir a uma dessas sessões de mesas girantes. Onde os outros viam um passatempo divertido, ele viu um desafio à razão. Como pode uma mesa erguer-se no ar, levitar, cair e partir-se, mover-se, estalar, dar respostas inteligentes sem ter cérebro? Daí partiu o seu interesse pelo estudo destes fenómenos, que não se resumiam a mesas, aliás, pois os ruídos faziam-se sentir em outros artefactos e locais, e as manifestações tomavam as mais diversas formas.

Existe algo a que se possa chamar “sessões de espiritismo”? Não. Os adolescentes que se juntam para fazer o chamado “jogo do copo” chamam impropriamente a essa prática uma “sessão de espiritismo”, talvez porque entendem que se estão a comunicar com Espíritos, é razoável a associação Espíritos/Espiritismo. Os espíritas não fazem sessões de mesas girantes nem quaisquer actividades que tomem o nome de “sessões de espiritismo”.

Quem quiser visitar um centro espírita pode constatar que não irá encontrar pessoas sentadas em volta de mesas de pé-de-galo, como se vê em gravuras do século XIX. Quem quiser visitar um centro espírita encontrará pessoas normais, de ambos os sexos, de todas as idades, de todas as profissões, que nas horas livres se reúnem para ouvir uma palestra, para estudar a mensagem cristã, para fazer assistência social e alfabetização, entre outras actividades.

O Espiritismo não é nenhuma religião nem nenhuma prática ocultista. É uma filosofia que defende: - que Deus existe; - que a vida após a morte existe; - que vivemos vidas sucessivas (reencarnação); - que o Universo é habitado por vida inteligente não só no planeta Terra; - que existe comunicação entre o mundo material e o mundo espiritual. Posto isto, convidamos todas as pessoas a tirarem as suas conclusões. Visitem um centro espírita.

Verão que é um lugar pacífico, onde se aprende a mensagem de Jesus de Nazaré na sua plenitude, onde se aprende a não ter medo de superstições ridículas, onde amigos convivem com simplicidade, tal como faziam os primeiros cristãos, que se juntavam para conviver, orar e estudar juntos. Os espíritas são pessoas exactamente como as outras, com qualidades e defeitos, e não pretendem ser mais que isso. Infelizmente, parece existir um interesse de muitos jornalistas em distorcer sistematicamente o Espiritismo, conforme pudemos ver nos acontecimentos de sábado.

A situação promete continuar, pois o pior surdo é o que não quer ouvir. Os centros espíritas estão abertos para os jornalistas os inspeccionarem. Os espíritas estão disponíveis para os esclarecerem. Muitos jornalistas, aparentemente, não despem a camisola do seu “clube”, e insistem na difamação. Texto extraído de http://blog-espiritismo.blogspot.