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Pedagogia Espiritismo: vacina contra o egoísmo!

Jornal de Espiritismo nº 31 · Novembro 2008Página 154 min

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“O espiritismo na vida infantil significa formidável processo de vacinação preventiva, ao mesmo tempo curadora, por tudo quanto ensina, por tudo quanto aclara, por tudo de útil e bom que semeia nessa alma milenária revestida de nova roupa biológica, e sob a nossa responsabilidade.” A vida moderna proporciona ao homem mais tempo para fazer o que gosta e menos tempo para se dedicar aos filhos ou à família.

Se apenas há um século atrás, a família ainda era um dos agentes educativos mais significativos da criança, actualmente, a educação está consignada, essencialmente, à escola. Isto levanta de imediato um problema: sendo que a Escola, no uso da pedagogia tradicional, tem como finalidades o desenvolvimento cognitivo e intelectual, o sucesso profissional, a convivência social, quem se responsabilizará pelo desenvolvimento moral e espiritual da criança?

Há uns anos atrás, estava a orientar um grupo de crianças de 5 anos, numa IPSS, e tivemos como tema de projecto de sala: “Respeitar o outro”. Apresentamos, como de costume, numa reunião de pais logo no início do ano, a nossa proposta pedagógica, dando a conhecer os nossos objectivos, bem como algumas actividades relacionadas, sensibilizando a família a colaborar. No final da reunião, questões surgiram em catadupa: “e aprender a ler?

Não estão já na idade?”; “O meu filho já faz fichas em casa, aqui não vai fazer?” Esclarecemos que não estava nos nossos objectivos transformar o pré-escolar numa escola do ensino básico, e que o ministério da educação traçou um plano curricular, assente numa Lei de Bases do Sistema Educativo, definindo a aquisição de determinados conceitos, em função da maturidade e do desenvolvimento cognitivo da criança. Reforçamos a ideia do quanto prioritário era a aquisição de valores morais logo desde a infância, mas a nossa proposta não teve nem o entusiasmo, nem a adesão esperada por parte dos pais.

Umas semanas mais tarde, logo pela manhã, a mãe de um dos nossos educandos, entrou alegre na sala, e dirige-se a mim num tom misto de espanto e contentamento: “_Nem imagina como estou admirada com o meu filho! Ele sempre tão aéreo, e não é que ontem veio ter comigo para lhe apertar os sapatos e disse: “apertas-me os sapatos mãe, se faz favor?” E quando termino, diz-me “obrigado!” e deu-me um beijo. Faz isto agora. Ainda hoje fez o mesmo!

Vocês andam a ensinar-lhe isso aqui?” A surpresa da mãe contagiou-nos, mas por diferentes motivos. Não nos tinha ocorrido que simples normas sociais, vivenciadas e reforçadas na sala de um jardim-de-infância, fossem excepções na vida familiar. Esta e outras situações similares preocupam-nos. Aliás, preocupa todos os educadores que assumem também a responsabilidade de serem pais. No fundo um contra-senso, pois se Deus coloca nas mãos dos pais a responsabilidade de educá-los e orientá-los, como poderão ignorar as suas próprias escolhas no caminho do Bem?

Para agravar a situação, a cultura niilista do “laisser faire”e da abolição de valores, em que cada um segue a sua própria concepção de vida, leva cada vez mais à incúria dos pais, de relegarem nos filhos a responsabilidade de optarem mais tarde, já adultos por uma educação moral ou religiosa. Essa desresponsabilização surge muitas vezes como desculpa de nada impor contra a vontade dos seus filhos, dando-lhes assim o livre arbítrio de decidirem as suas escolhas e o seu caminho.

No fundo um contra-senso, pois se Deus coloca nas mãos dos pais a responsabilidade de educá-los e orientá-los, como poderão ignorar as suas próprias escolhas no caminho do Bem? Se os pais são espíritas porque estudam e vivenciam o espiritismo, e se este lhes dá respostas que os satisfazem, como podem ocultar dos seus filhos a alegria interior de as descobrirem também? Se o espiritismo na idade adulta lhes modificou os hábitos, lhes trouxe paz e esperança num amanhã mais venturoso, como negar essa felicidade aos filhos?

Não será mais difícil para o homem maduro combater os seus vícios e imperfeições, porque não lhe foi dada a “conhecer” a imortalidade do espírito, do que para a criança que cresce sentindo-se imortal? Mas porque a Escola, ainda, não está preparada para a educação do espírito, e porque os pais se sentem inseguros nas suas opções, o centro espírita, a verdadeira escola do futuro, proporciona um espaço de reflexão, troca de ideias sobre Deus, a criação, o universo, a imortalidade da alma, a reencarnação, as leis morais, a vida futura, etc.

Se o espiritismo na idade adulta lhes modificou os hábitos, lhes trouxe paz e esperança num amanhã mais venturoso, como negar essa felicidade aos filhos? Estes conceitos discutidos e reflectidos desde a infância proporcionam à criança uma base psicológica, social e espiritual que enfrentará as adversidades sem mácula. Mesmo que a adolescência surja com as suas dúvidas e preconceitos, mesmo que a juventude lhe traga o desânimo, ela já tem dentro de si as respostas e as soluções para superar-se a si mesma.

O espiritismo torna-se assim numa primorosa fonte de prevenção contra o egoísmo e o orgulho. Privar a criança desse conhecimento, é desejar-lhe a queda! Por isso apelamos: Pais, vamos partilhar com os nossos filhos as lições do mestre Jesus! Educadores, vamos moralizar o ensino! Por Regina Saião reginasaiao@gmail.com apedagogiaespirita@gmail.com www.apedagogiaespirita.