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Jornal de Espiritismo nº 32 · Janeiro 2009Página 44 min

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Consultório Carnaval PUBLICIDADE PUBLICIDADE foto loucomotiv Indaga Maria de Fátima, Ponte de Lima: «Caro Dr. Ricardo Di Bernardi, como vê o Carnaval na perspectiva da doutrina espírita»? Dr. Ricardo Di Bernardi – Prezada Maria de Fátima, inicialmente, permita-me dizer que “dentro da doutrina espírita” não existe nada instituído em relação ao Carnaval. Façamos, apenas, uma reflexão. Entendo que todo o excesso, seja em que área for, é nocivo.

Da mesma forma, a alegria poderia ser sadia quando se brinca com espírito familiar, descontraidamente, sem ensejar queda de padrões comportamentais e éti- cos. Nada temos contra o Carnaval em si, se encontrar um grupo (familiar ou não) onde pessoas se reúnem para brincar e dançar dentro da mais pura intenção da brincadei- ra saudável. Já opinei sobre a participação de um amigo e parente quando o mesmo me indagou sobre a seguinte situação: “orga- nizamos, com meus oito cunhados, oito con-cunhados, 25 sobrinhos, sogros, todos eles espíritas, trabalhadores da doutrina, um carnaval familiar na casa dos sogros”.

De facto, organizaram um festejo familiar no dia de Carnaval. Fantasiaram-se, houve conféti e serpentinas. As crianças e adultos brincaram toda a manhã e tarde. Não hou- ve bebida alcoólica, e tudo transcorreu em ambiente de amor fraternal, com música de Carnaval, etc. Questionado a respeito, considerei absolutamente válido dentro destes parâmetros. Nada, portanto, contra o Carnaval. Tudo contra, porém, o que se vê por aí!

Da mesma forma, a alegria poderia ser sadia quando se brinca com espírito familiar, descontraidamente, sem ensejar queda de padrões comportamentais e éticos. Difícil encontrar-se um local carnavalesco onde o respeito ao próximo seja a tónica durante esses dias. Costumam ocorrer des- regramentos decorrentes de excessos alco- ólicos. Há autarquias brasileiras (pasmem!) que distribuem preservativos masculinos em diversos locais com a intenção de evitar SIDA.

A ideia seria evitar a doença mas es- tão a esquecer que, ao distribuir preservati- vos está a admitir-se (incentivando?) o livre e irresponsável relacionamento sexual. Há confusão entre alegria e promiscuidade, há confusão entre posturas de liberdade com libertinagem... Nos dias de Carnaval costumo sair com a família, viajar, descan- sar, ler, visitar amigos, fazer programas no campo, ou actividades outras de natureza cultural, espiritual ou algo que seja útil ao meu espírito e corpo.

Lembro, ainda, que existem os folguedos de Momo também na esfera extrafísica. Muitos espíritos reúnem-se e divertem-se com os encarnados, estimulando-os a determina- das atitudes. Há vampirização de energia vital em grande quantidade, conforme a psicosfera do ambiente. Os médiuns (paranormais) são mais susceptíveis a estas influências, que, no entanto, podem ocorrer com todos nós. Não somos contra nada. Somos a favor do equilíbrio, da paz, da harmonia, juntamente com a alegria.

Infelizmente, há muitos anos que não vejo ambiente que me permita ir ao Carnaval. Prefiro aproveitar os dias para algo mais seguro, mais saudável e espiritu- almente mais construtivo. De Moçambique vem a seguinte pergunta: «Gostava de obter algum possível esclarecimento do Dr. Ricardo Di Bernardi sobre a questão da sexua- lidade reprimida. O que acontece com uma pessoa que ama o seu companhei- ro, sente desejo sexual mas, apesar de manter relações sexuais com o parcei- ro, não consegue ser espontânea, a ponto de o parceiro terminar o relacio- namento por conta disso.

Agradeço se puderem me ajudar sem expor minha identidade em público». Dr. Ricardo Di Bernardi – A energia sexu- al não é proveniente do corpo. Não decorre apenas da produção de hormonas. A sua manifestação ocorre no corpo, mas provém da essência do nosso psiquismo, ou seja, do nosso espírito. A energia sexual provém da intimidade, da região mais profunda do nosso ser. O nosso espírito traz condicio- namentos fortes na área sexual.

Além das vidas passadas, muitos condicionamentos foram adquiridos através de experiências repetidas agora, nesta vida actual. Rece- bemos um bombardeio de informações durante o nosso período no útero materno, na infância, adolescência e na fase adulta. Todos nós já passamos em vidas anteriores, por situações complexas, delicadas, trau- máticas e naturalmente outras tranquilas e geradoras de prazer. Já tivemos, em vidas anteriores, paixões e amores, decepções e realizações.

Tudo isto são arquivos que moram, habitam no nosso inconsciente. Estes arquivos são energias, e como tal, pulsam, têm movimento, emitem vibrações. Estas vibrações, partindo do nosso íntimo, chegam até à superfície do nosso cérebro (e em todo o nosso corpo), gerando temores, incertezas, desconfian- ças e inseguranças. O sexo é divino. Bem utilizado, com amor é uma energia que nos impulsiona ao progresso e à felicidade, ao lar harmonioso e a realizações diversas.

Infelizmente, ou não, a sexualidade e o sexo existem em todos os seres, sejam eles evoluídos ou maldosos, neste caso quando o utilizam de maneira a provocarem sofri- mento em outrem. Quando passamos por situações dolorosas ou condicionamentos errados, com relação a esta utilização, renascemos com inibi- ções ou dificuldades que, pela educação e convivência, pode ser ampliada ou reacen- dida mas também poderia ser atenuada e corrigida.

Reencontramo-nos, na vida actual, com quem necessitávamos de nos reencontrar. Houve a oportunidade de se resolverem ou minorarem suas dificuldades. Nós, no en- tanto, não nos esforçamos suficientemente para desenvolvermos as nossas aptidões ou eliminarmos o nosso condicionamento negativo. Não devemos atribuir isto aos espíritos ou ao destino. Nós mesmos é que construímos o nosso destino. Podere- mos, também, procurar ajuda.

O facto de não conseguir ser espontânea pode estar relacionado com a educação, com um falso conceito de que qualquer acto entre duas pessoas que se amam possa ser pecado ou erro. Tudo, que não prejudique terceiros, que não envolva terceiros (nem em pensa- mento), que o casal imagine ou possa ter criatividade, é válido. A falta de espontanei- dade pode ter causas, também, na falta de habilidade do seu parceiro que não soube cativar, envolver e dialogar.

Não se sinta culpada. Seja feliz. Por Dr.