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Notícia Aniversário: Centro de Cultura Espírita No dia 3 de Janeiro de

Jornal de Espiritismo nº 33 · Março 2009Página 65 min

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2003 o Centro de Cultura Espírita abria as suas portas no bairro das morenas, nas Caldas da Rainha, sendo o 2.º Centro Espírita da cidade. Ao fim de 6 anos de idade, comemorados este ano fomos ver como está a decorrer a sua actividade. foto arquivo Ao longo do mês de Janeiro deste ano de 2009, o Centro de Cultura Espírita (CCE) com sede na Rua Francisco Ramos, 34, r/c, em Caldas da Rainha, (www.

caldasrainha.net/cce) levou a cabo uma série de conferências semanais com personalidades convidadas. Com uma actividade ininterrupta semanal, baseada no voluntariado gratuito, o CCE tem actualmente uma conferência pública todas as sextas-feiras, pelas 21 horas, fluidoterapia e atendimento ao público. Aos sábados, às 15 horas, tem a decorrer o Curso Básico de Espiritismo, a par da evangelização infanto-juvenil e, pelas 17 horas, uma outra actividade formativa que, vai desde actividades de índole espiritualcomo dar passe espírita, como falar em público, como fazer atendimento ao público e curso de educação da mediunidade.

Semanalmente, às quartas-feiras, tem uma actividade de alfabetização de adultos e apoia cerca de 13 famílias carenciadas, com géneros alimentares. Todas as actividades desta associação são gratuitas e este Centro Espírita é mantido pelo grupo de sócios que se quotizam para o manterem aberto, procurando levar àqueles que ali aportam o esclarecimento e o consolo espiritual. Neste 6.º aniversário teve lugar uma mesa- redonda, no dia 2 de Janeiro, onde vários dos fundadores e trabalhadores do CCE explicaram, em conversa animada, o porquê da existência desta associação e como ela funciona.

Na semana seguinte, dia 9, foi a vez da Drª Luísa Fernandes, de Lisboa, espiritualista, ter apresentado o tema “Eu e a paz”, encantando os presentes com o seu verbo fácil e agradável. No dia 16 de Fevereiro deslocou-se a Caldas da Rainha Reinaldo Barros, de Olhão, que efectuou brilhante conferência sobre “Valores morais versus Valores sociais”, fazendo uma retrospectiva histórica da humanidade, da sua organização social, até aos dias de hoje, onde o materialismo vai secando os corações da humanidade, apresentando como alternativa a mudança de atitude do homem, para um “modus operandi” no sentido da fraternidade e do auxílio desinteressado mútuo, conforme os ensinamentos ético-morais de Jesus de Nazaré.

Julieta Marques, da cidade de Lagos, teve o ensejo de encerrar a comemoração do VI aniversário do CCE, desta feita com uma conferência no dia 23 de Janeiro, subordinada ao tema “Um Caso de Materialização de Espíritos”. Com a sua simpatia cativante, Julieta Marques fez uma viagem no tempo, expondo experiências espíritas por que passou, nomeadamente a presença em sessões de materialização de espíritos, em cidades brasileiras, onde esteve de passagem.

Terminado este ciclo de palestras, o CCE continua com as suas actividades semanais, procurando levar à população caldense e não só, que frequentam o seu espaço, uma nova noção de vida em que os valores morais são primordiais, explicando ao homem que a sua vida tem uma razão de ser, que a imortalidade do Espírito, a possibilidade da comunicação com aqueles que nos precederam na grande viagem para o mundo espiritual e, que a reencarnação a par da pluralidade dos mundos habitados, são hoje factos insofismáveis que a experiência vem confirmar, trazendo novos paradigmas existenciais, que catapultem o homem para uma postura mais pacífica e fraterna na sociedade.

Pintura mediúnica Mais uma vez, Florêncio Antón e Sidnei Rocha visitaram Caldas da Rainha, por ocasião de mais um périplo por terras portuguesas. A organização deste evento de pintura mediúnica esteve a cargo do Centro de Cultura Espírita, com o generoso apoio da Câmara Municipal, que cedeu o auditório da Expoeste, e do jornalista João Carlos Costa. Foi por uma boa causa, como veremos mais adiante. Levávamos algumas perguntas preparadas para fazer ao Florêncio Antón, o médium espírita brasileiro que visita Portugal há quase 10 anos, mas ele acabou por nos esclarecer, na introdução do seu trabalho mediúnico da noite: - À pintura mediúnica, ou psicopictografia, Florêncio chama “peripécias psíquicas”.

É uma manifestação mediúnica como tantas outras, e uma evidência da imortalidade da alma e da comunicabilidade dos Espíritos, como tantas outras. - Não é um espectáculo. Para os espíritas é uma ocasião de convívio com os Espíritos pintores, que através do médium produzem as suas obras, num ambiente de paz e harmonia. Para os cientistas, é um fenómeno a merecer atenção, pois não há explicação, à luz dos conhecimentos académicos actuais, para o modo como um homem, de olhos fechados, pinta telas a óleo, basicamente com as mãos, numa velocidade vertiginosa.

O cientista russo Alexandre Aksakof (1832-1903), foi dos primeiros a estudar exaustivamente estes fenómenos, junto da médium inglesa Elizabeth d’Espérance. Florêncio, como qualquer médium espírita, está sempre ao dispor da Ciência, e já pintou em Portugal na zona de Coimbra, perante uma assistência composta por médicos psiquiatras, neurologistas entre outras especialidades. - Florêncio e Sidney viajam pelo Brasil, Peru, Colômbia, Panamá, Alemanha, Bélgica, Portugal, Espanha, Itália, Suíça, Suécia, Dinamarca, atendendo a convites diversos.

Como espíritas que são, têm as suas profissões e vivem delas. A pintura mediúnica – uma actividade que acarreta dissabores, como o de serem tomados por vezes como prestidigitadores – é um meio de financiarem a tarefa na qual “empregam a juventude”, a obra assistencial do Grupo Espírita Scheilla, que fundaram em 1999 com dinheiro amealhado com a venda dos quadros mediúnicos. Florêncio apresentou imagens dessa obra assistencial, que está em crescimento e presta actualmente ajuda alimentar, de saúde, de alfabetização e de evangelização espírita.

Crianças e famílias do bairro popular de Mussurunga, na cidade de Salvador, Estado da Bahia, são os destinatários do labor espírita desta dupla incansável. Florêncio Antón, que é licenciado em Pedagogia e trabalha em psicoterapia, está actualmente a estudar Enfermagem para poder prestar pessoalmente esses cuidados aos frequentadores do Grupo Espírita Scheilla. Feita esta introdução, e após a prece singela que sempre precede a prática mediúnica cristã, passou-se ao trabalho da noite.

Raramente os pincéis ou as espátulas são usados. As mãos são o utensílio de eleição para a execução das telas, que ficam prontas em cerca de cinco minutos, em média. Em outro tipo de trabalho, no centro espírita, a média aumenta para uma hora e vinte minutos, conseguindo-se assim obras com mais qualidade. Nestas telas “expresso”, é possível, contudo, diferenciar claramente a linguagem plástica bem definida, de acordo com os nomes que as assinam.

E nesta noite fria de Inverno em Portugal, os quadros tiveram as assinaturas de Matisse, Toulouse-Lautrec, Manet, Berthe Morisot, Monet, Camille Pissarro, Picasso, Renoir, Sisley Miró e Van Gogh. Desde 1990, já foram mais de 19.000 as telas produzidas mediunicamente, mas Florêncio (um completo leigo em pintura), após o trabalho, quando volta a abrir os olhos, vai sempre observar, com curiosidade, as obras que “saíram”.

Dos presentes na sala, é sempre o último a vê-las.