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Crónica A criança que não comia… foto loucomotiv O dia normal de traba

Jornal de Espiritismo nº 34 · Maio 2009Página 126 min

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Crónica A criança que não comia… foto loucomotiv O dia normal de trabalho corria célere, por entre os muitos afazeres do quotidiano. Entretanto, toca o meu telemóvel e, vejo que se trata de uma amiga, professora e espírita. Não é usual telefonar-me. Atendi a chamada. O caso era estranho, insólito e, explicava-se em poucas palavras. Pedia-me desculpa pelo incómodo, principalmente por ser em horário laboral, mas era urgente.

Segui a história com atenção. Uma sua amiga, enfermeira num Hospital da região centro de Portugal, telefonara-lhe muito aflita. Sabendo-a espírita e, tendo internada no serviço de pediatria, uma criança com 3 anos de idade que não comia nada há 9 dias, sem que os médicos conseguissem descortinar um diagnóstico, a referida enfermeira, questionava a sua amiga, professora de profissão e espírita nas horas vagas, se não haveria hipótese de ir ao Hospital ver a criança.

Os pais, pouco habituados a estas andanças, não se importavam, só queriam que a filha comesse e tivesse alta. Após o telefonema e contactado outro amigo nosso, também espírita, combinámos uma determinada hora e, lá fomos ao Hospital, visitar a criança de 3 anos de idade que, entubada, ali estava junto dos pais. Olhavam estranhamente para nós, como se fossemos seres de outro planeta. Depressa se aperceberam que, éramos gente normal, com as suas famílias e afazeres profissionais e, que nas horas vagas, nos dedicamos gratuitamente ao estudo e prática do espiritismo, em prol do bem-estar alheio.

Conversando um pouco com a mãe, na presença da enfermeira que nos facultara a entrada como se fossemos visitas da criança a convite dos pais, (e de facto assim fora), um de nós, tendo mediunidade, apercebeu-se de uma senhora idosa, falecida, ligada à mãe e à criança, provocando inadvertidamente, a falta de apetite na criança. Era uma senhora simples, mas revoltada, que tinha medo de ir para o inferno, segundo dizia psiquicamente ao médium que a captou, habituada que fora a esses conceitos distorcidos apreendidos na Igreja Católica.

Lá fomos conversando com ela, muito discretamente, sem que ninguém se apercebesse da real situação. Na associação espírita onde colaboramos, pedimos ajuda espiritual para aquele caso, no sentido de auxiliar a senhora falecida e, assim libertar a criança daquela interferência espiritual, que lhe provocava inibição ao nível da alimentação. Voltámos ao Hospital 2 dias depois, encontrando a criança muito melhor, mais calma.

Nesse dia, foi transferida para Lisboa, para o Hospital D. Estefânia, já que nada tendo sido detectado, ter-se-ia de procurar outras etiologias para o caso. Chegada ao Hospital lisboeta, a criança começou a pedir comida (não comia há 11 dias) aos pais, esfomeada, tendo-se confirmado através de endoscopia, que nada tinha, em termos de doença. Explicações? Não existiam, mas também que importava? A criança já estava boa, já comia, podia voltar para casa… E assim foi… Os pais, nunca mais os vimos… nem era preciso, claro!

Mas, ficamos a meditar como irá ser tão profunda a medicina, quando todos os médicos forem conhecedores das realidades do Espírito, que a óptica materialista os impede de ver. Quando os médicos souberem que somos seres imortais, que temos muitas vidas, que existe um intercâmbio dinâmico entre o mundo terreno e o mundo espiritual e, que as doenças são muitas vezes fruto de acções da pessoa em vidas passadas, então terão outras ferramentas para compreenderem e entenderem o ser humano, na sua vertente holística, integral.

Felizmente já existem muitos médicos espíritas em Portugal e pelos vistos… enfermeiros… O estudo da Doutrina Espírita (ou Espiritismo), provocará uma grande revolução ético-moral na humanidade levando-a por caminhos mais fraternos, desinteressados e mais humanistas, pondo em prática os ensinamentos de Jesus de Nazaré. José Lucas Bibliografia: “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec. A crise: e agora? De conversa em conversa, de jornal em jornal, de noticiário em noticiário, de televisão em televisão, ultimamente a palavra mais utilizada é a CRISE, como representação da nossa realidade social, nacional e mundial.

Questionam-se soluções, efectuam-se fóruns mundiais em busca de uma saída, no entanto, a solução encontra-se bem longe dos dirigentes mundiais. Veja o que a Doutrina Espírita tem a dizer sobre esta matéria. Desde tempos imemoriais que o homem objectivou como meta para sobreviver, ter êxito e sentir-se bem, alcançar o poder, nos seus imensos meandros. Ora é o marido déspota que almeja dominar a esposa e família, ora o negociante inescrupuloso que busca o poder no seu pé-de-meia avantajado, ora o político local que procura tirar partido da sua posição social, ora os políticos a nível nacional, ora esta ou aquela classe com mais ou menos capacidade de exercer “lobby” em favor do seu espírito corporativo, enfim, este “modus operandi”, é prática corrente desde tempos imemoriais.

O ser humano foi evoluindo tecnologicamente, rompeu os céus em naves espaciais, criou tecnologia de ponta que mata com precisão em questão de metros, que corrige problemas orgânicos com instrumentos quase microscópicos, rompeu as barreiras de comunicações com as várias gerações de telemóveis, está a adentrar a área da nanotecnologia, no entanto, em termos morais, o Homem mantém uma moralidade muito primitiva, onde o seu ego predomina sobre tudo, levando uma vida materialista, sem qualquer horizonte existencial “post mortem”.

Num processo de auto-fascinação, o ser humano vê-se como todo-poderoso, ao ponto de poder matar, invadir terrenos alheios, roubar, manipular, mentir, humilhar, dominar, esquecendo-se de que, em breve, o seu corpo físico será sepultado, e que a vida continua no mundo espiritual, onde terá de se enfrentar com a sua consciência. Assim sendo, e após 1857, em que a pesquisa espírita matou a morte, demonstrando à saciedade a imortalidade do Espírito, a comunicabilidade dos espíritos, a reencarnaçãoea pluralidade dos mundos habitados, aquilo que as religiões tradicionais mostravam como crenças, passou a estar demonstrado cientificamente, pela ciência espírita.

Modernamente, universidades pelo mundo inteiro, cientistas e pesquisadores não espíritas, têm vindo a comprovar as assertivas espíritas, no sentido de que tudo aponta para que a vida continue após a morte do corpo de carne, tamanhas são essas evidências. Não serão os fóruns mundiais, pejados de dirigentes duvidosos, comprometidos uns com os outros, materialistas, que resolverão o problema social que estamos a viver, mas somente uma mudança de atitude interior de todos nós – fazer ao próximo o que gostarias que te fizessem (Jesus de Nazaré) – alterará o espectro mundial de crise, que é essencialmente crise de valores, crise de moralidade, crise de ética, crise de honestidade.

O Espiritismo é a doutrina do optimismo, mostrando ao Homem que, o nosso futuro será cada vez mais brilhante e, que a solução dos problemas, passa pela transformação íntima de cada um, sem se preocupar em mudar os demais. Com essa consciência espiritual que o Homem terá, da sua imortalidade, da realidade da reencarnação, ele tornar-se-á um ecologista da alma, lavando os sentimentos na prática diária da caridade, tornando-se assim melhor e, tornando melhor os que o rodeiam, bem como o espaço físico com o qual interage.

Já os espíritos superiores referem que, a humanidade tem o livre-arbítrio, mas que a evolução é o seu fim inevitável, podendo ser efectuada voluntariamente, pelo Amor, ou coercivamente, pela dor. Cabe a cada um de nós escolher o caminho do nosso futuro, dentro da assertiva de Jesus de que «a semeadura é livre mas a acolheita é obrigatória». Por José Lucas jcmlucas@gmail.